📷 O governador interino do Estado do Rio de Janeiro, presidente do TJ-RJ, Ricardo Couto de Castro, participa do seminário Dez Anos da Lei Brasileira da Inclusão |12.9.2025| Foto: Brunno Dantas / Divulgação TJ-RJ via Folha
| Rio de Janeiro (RJ)
27 de junho de 2026
O governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, promoveu uma nova e expressiva rodada de mudanças na administração estadual.
As publicações no Diário Oficial do estado de sexta-feira, 26 de junho, somam 61 exonerações e 23 nomeações em diversas pastas, conforme publicou neste sábado o jornal local Diário do Rio.
As alterações, que dão sequência ao “pente-fino” em cargos comissionados iniciado em março, concentram-se principalmente na Polícia Militar, nas secretarias de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, Saúde, e Transportes e Mobilidade Urbana, além da estrutura da Polícia Penal.
Desde que assumiu o Palácio Guanabara, a gestão interina já exonerou mais de 4 mil comissionados em cerca de três meses. Mudanças atingem comandos da PMERJ.
Na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, uma das mudanças de maior destaque foi a exoneração de Pricilla de Oliveira Azevedo da Diretoria-Geral de Assistência Social da corporação.
Nome conhecido na segurança pública fluminense, Pricilla ganhou projeção durante a implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).
O Diário Oficial também trouxe exonerações em comandos de policiamento de área e em estruturas operacionais da corporação.
Entre os nomes que deixaram cargos estão Walter Teixeira da Silva Junior, do 2º Comando de Policiamento de Área (responsável por parte da Zona Oeste); Andre Luis da Silveira Santos, do 6º CPA (Noroeste Fluminense); Andreia Ferreira da Silva, do 8º CPA (Região Serrana); e Clayton Santos do Nascimento, do Comando de Policiamento de Trânsito.
Na contramão das exonerações, Daniele Ezequiel Farias foi nomeada para a Subsecretaria Adjunta de Comando e Controle da PM.
Desenvolvimento Social, Saúde e Transportes têm cortes
Fora da área de segurança, a Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos concentrou parte relevante das exonerações, com 14 desligamentos publicados em uma única leva, incluindo coordenadores de núcleos de atendimento, assessores e cargos ligados à corregedoria.
A Secretaria de Estado de Saúde também registrou baixas, com 12 exonerações em cargos ligados a unidades próprias, UPAs, funções de assistência e áreas administrativas.
Já na Secretaria de Transportes e Mobilidade Urbana, a reestruturação envolveu nove exonerações, incluindo funções de chefia de gabinete e assessoramento.
Mudança na cúpula da Polícia Penal
As publicações do dia também formalizaram uma mudança na Secretaria de Estado de Administração Penitenciária. Caio Castro Lima foi nomeado para o cargo de subsecretário de Administração da Polícia Penal (Seppen).
As exonerações em massa fazem parte de uma estratégia da gestão interina para reorganizar a máquina pública e reduzir gastos.
No entanto, a medida também tem gerado reações políticas e um movimento de “repescagem” por parte da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que nomeou 30 dos exonerados por Ricardo Couto para cargos no Legislativo, segundo a Folha de S. Paulo.
Este movimento, apelidado de “porta giratória”, pode indicar, segundo o jornal, uma tentativa de acomodar aliados políticos e merece ser acompanhado de perto.
Três meses de governo
Ricardo Couto assumiu o governo do Rio de Janeiro em 24 de março de 2026. Desde então, sua gestão tem se concentrado em um amplo programa de austeridade, transparência e reestruturação administrativa. Abaixo, um resumo das principais ações.
Corte de Cargos e Economia
Exonerações em massa:
o governo já ultrapassou a marca de 4.033 exonerações de servidores comissionados. Apenas nos primeiros 20 dias, foram cortados 451 cargos na Casa Civil e na Secretaria de Governo. Em dois meses, o número de exonerados já era de 2,7 mil.
Economia projetada:
o governo estima uma economia de R$ 230 milhões até o fim de 2026 com essas medidas.
Alvo em “funcionários fantasmas”:
parte das exonerações visa funcionários que não estariam em atividade.
Reestruturação de órgãos:
foram extintas três subsecretarias na Casa Civil. O Detran-RJ, por exemplo, perdeu 59 chefes regionais em uma única leva.
Reestruturação Administrativa
Mudanças no primeiro escalão:
o governador trocou 20 nomes do primeiro escalão, com mudanças em 20 pastas e órgãos.
Reestruturação da Seplag:
a Secretaria de Planejamento e Gestão foi reformulada, com todos os cargos do segundo escalão sendo ocupados por servidores de carreira. A Fundação Ceperj voltou à estrutura da pasta.
Subsecretaria-Geral recriada:
a Subsecretaria-Geral, ligada à Casa Civil, foi recriada e será comandada por um procurador do estado.
Auditoria e Transparência
Pente-fino em contratos:
o governo determinou uma auditoria em mais de 6 mil contratos ativos, que somam cerca de R$ 81 bilhões.
Suspensão de compras:
a auditoria já levou à suspensão da compra de um helicóptero militar Black Hawk avaliado em R$ 70 milhões.
Cortes em patrocínios:
Os gastos com patrocínios da Secretaria de Turismo foram cortados em R$ 18,6 milhões.
Recuperação de Recursos
Cobrança ao Banco Master:
o governo busca ressarcimento dos prejuízos do Rioprevidência com o escândalo do Banco Master. A Procuradoria-Geral do Estado já atua para bloquear pagamentos de empréstimos devidos ao banco.
Busca por investidores:
após a cobrança direta ao banco, a estratégia é acionar judicialmente os investidores da instituição.
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Em véspera de eleição, acontecem coisas, que não se veem durante todo o mandato de um político.