“Porque a vida é o dom mais importante que Deus nos deu, e nós temos que aproveitá-la da melhor forma possível. E a melhor maneira possível é a gente ter uma causa, uma razão para viver“, disse o Presidente.
“Tudo o que fizemos em 13 anos de governo do PT foi destruído em seis anos depois do golpe e do último mandato de quatro anos de um genocida”, disse o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, emocionado, durante discurso em ato político de comemoração aos 43 anos do Partido dos Trabalhadores, nesta segunda-feira (13/2). Assista vários vídeos postados no Twitter por lideranças do partiro, ao final da matéria.
Aos prantos, o chefe do Executivo disse ainda que voltou à Presidência para governar “da forma que o país precisa ser governado“: “Um dos melhores momentos da história do país foi em meu governo, onde banqueiro ganhou, empresário ganhou, trabalhador ganhou. Agora, eles dizem que ‘Lula vai voltar’. Vai voltar o Lula que a Dona Lindu pariu, para governar esse país da forma que o país precisa ser governado“.
O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, também estava no palco. além da ex-presidente Dilma Rousseff e da presidente nacional da legenda, Gleisi Hoffmann, que puxou o grito de “sem anistia“, que é um dos termos mais usados nas redes sociais, nos últimos dias, para se referir ao tratamento que a Justiça deve dar ao ex-presidente Jair Bolsonaro devido aos seus supostos crimes durante sua gestão.
No evento realizado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, localizado no Plano Piloto de Brasília, em que participaram governadores, ministros, senadores, deputados e quadros históricos do partido, Lula brincou ao pedir que militantes “rezem pelo Lulinha“, para que ele viva “um pouco mais“:
“Porque a vida é o dom mais importante que Deus nos deu, e nós temos que aproveitá-la da melhor forma possível. E a melhor maneira possível é a gente ter uma causa, uma razão para viver. Qual melhor razão para viver do que a gente contribuir para melhorar a vida do povo brasileiro? Qual razão melhor para viver do que a gente garantir para aqueles índios Yanomamis não morram mais de fome dentro do território nacional?“, disse Lula, conforme transcrito no UOL.
Lula celebrou a história do partido que ajudou a fundar, lembrando que é uma das maiores organizações de esquerda do planeta, e pediu aos filiados que façam doações. O Presidente disse que “precisamos mostrar a diferença do PT de todos os partidos políticos desse país. A gente precisa aprender a contribuir para que nosso partido não fique eternamente dependente de fiscalização do TCU [Tribunal de Contas da União]. Temos que ter recursos próprios, e recursos próprios é contribuição dada por nós“.
“Acho que temos que contribuir porque, independente desse fundo todo [partidário, eleitoral], temos que ter fundo da moral, da ética e da vergonha do nosso Partido dos Trabalhadores“, completou Lula, que assinou simbolicamente a autorização para desconto em folha de sua contribuição mensal ao partido, o que faz desde os anos 1980.
Além de Lula, só Dilma e Gleisi falaram no evento. Em falas duras, com forte tom de esquerda, as duas pediram a prisão dos golpistas do ‘8 de Janeiro‘ e puxaram gritos de “sem anistia“: “Os que atentaram contra a democracia, contra o povo e o país, desde antes do infame dia 8 de janeiro, hão de responder por seus crimes, para que não voltem a repeti-los. É sem anistia!“, disse Gleisi Hoffmann. A deputada federal pelo Paraná também voltou a criticar o Banco Central, pressionando por uma queda na taxa de juros, e declarando que a organização “corrobora com uma mentira” do mercado.
Dilma Rousseff saudou “o nosso grande líder [Lula]. Aquele líder que caminhou de cabeça erguida. Não fugiu, não correu, não se esquivou, não saiu do Brasil. Ficou aqui e enfrentou os 580 dias de prisão. Muitas pessoas aconselharam o presidente a ir embora do país. Por que voltamos seis anos depois? Porque teve uma liderança que não ‘fugiu da raia’. Encarou e enfrentou“, afirmou a ex-presidente, ao debochar de Bolsonaro, que está nos Estados Unidos desde dezembro do ano passado.
Em aparição rara no palco, o ex-ministro José Dirceu participou do evento na última fila, do lado esquerdo. Figura influente do partido, Dirceu não costuma aparecer no palco de grandes eventos públicos desde que deixou o primeiro mandato de Lula, em 2005, envolvido no escândalo do Mensalão. Ele foi presidente do PT por sete anos, entre 1995 e 2002. Seu nome foi saudado pela atual presidente Gleisi Hoffmann, no microfone, antes de sua fala, e também por Lula. Nas duas vezes que teve o nome mencionado, foi amplamente aplaudido pela militância. Antes de o evento começar, também foi exibido um vídeo seu, recebido com gritos de “lindo“.
Nesta terça-feira, o PT realiza jantar de aniversário, também em Brasília, com objetivo de arrecadar fundos para o partido. As doações pedidas vão até R$ 20 mil. Lula não vai ao jantar porque estará na Bahia, ao lado do ministro da Casa Civil, Rui Costa, para estrear as inaugurações do seu terceiro mandato.
Pela manhã, Lula parte para Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, para entregar obras do Minha Casa, Minha Vida que estão, segundo o governo, paralisadas desde as gestões de Michel Temer (MDB) e Bolsonaro. O Presidente dormirá em Salvador e, na quarta-feira (15/2), vai a Aracaju (SE), onde entrega um trecho da rodovia BR-101, não concluída no governo anterior. À noite, Lula volta para Brasília.
