Encontro de chefes de Estado destaca cooperação Sul Global em meio a desafios econômicos e tensões comerciais
Brasília, 08 de setembro de 2025
O Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no exercício da presidência rotativa do BRICS, promoveu uma videoconferência com duração aproximada de 1h30, realizada, nesta segunda-feira (8/set).
O evento ocorreu em um momento de acentuada volatilidade no cenário internacional, com ênfase na preservação do multilateralismo e na necessidade de atualizações em estruturas globais para maior equidade.
Os participantes analisaram o panorama atual, alcançando acordo sobre a urgência de uma governança mundial mais equânime, adaptada às mudanças recentes e sensível às aspirações das nações em desenvolvimento.
Durante a sessão, foram compartilhadas perspectivas sobre os perigos de ações unilaterais, especialmente no âmbito do comércio, e maneiras de expandir laços de cooperação, harmonia e trocas comerciais dentro do grupo.
A discussão também serviu como preparação para eventos chave, incluindo a 80ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), programada para Nova Iorque a partir de 23 de setembro; a COP-30, sediada em Belém a partir de 6 de novembro; e a Cúpula de Líderes do G20, marcada para 22 e 23 de novembro.
O bloco se comprometeu a atuar proativamente pela paz, pela sustentação do multilateralismo e por abordagens colaborativas aos problemas mundiais.
Entre os presentes estavam os líderes da China, Xi Jinping; o presidente do Egito, Abdel Fattah el-Sisi; o presidente da Indonésia, Joko Widodo; o presidente do Irã, Ebrahim Raisi; o presidente da Rússia, Vladimir Putin; o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa; o príncipe herdeiro dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed Al Nahyan; o chanceler da Índia, Subrahmanyam Jaishankar; e o vice-ministro das Relações Exteriores da Etiópia, Mesganu Arga Moach.
Essa composição reflete a expansão recente do bloco, que agora engloba 10 membros plenos e representa cerca de 40% do PIB global e quase metade da população mundial.
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Analistas observam que o encontro reforça a tendência à multipolaridade, com o BRICS posicionando-se como contraponto à hegemonia econômica ocidental, promovendo alternativas como o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) e acordos de comércio em moedas locais.
De acordo com fontes jornalísticas atualizadas, a iniciativa de Lula foi motivada em parte pelas recentes tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos sob a administração de Donald Trump, incluindo uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros e indianos, vista como medida protecionista para pressionar o Supremo Tribunal Federal (STF) a suspender o julgamento contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por suposta tentativa de golpe.
Especialistas destacam que, embora o foco oficial tenha sido o multilateralismo, os debates abordaram indiretamente essas sanções, com ênfase na diversificação de mercados e no uso de moedas nacionais para reduzir dependência do dólar.
Críticos nos EUA veem o bloco como ameaça, mas defensores no Sul Global o consideram essencial para contrabalançar negociações bilaterais assimétricas.
Adicionalmente, temas como os conflitos na Ucrânia e na Faixa de Gaza foram mencionados, com apelos por soluções pacíficas e reformas em instituições como a OMC (Organização Mundial do Comércio), visando uma estrutura mais flexível e inclusiva.
O governo brasileiro enfatizou que o BRICS evitará confrontos diretos com Washington para não alimentar narrativas de antiamericanismo, priorizando em vez disso a coordenação para fóruns multilaterais.







