📷 O senador Flávio Bolsonaro / Foto: reprodução redes sociais | O presidente do Republicanos, Marcos Pereira / Foto: Coluna de Lauro Jardim em O Globo || Arte UrbsMagna
| Brasília (DF)
12 de julho de 2026
O Republicanos negou neste domingo (12/jul) ter fechado qualquer acordo para apoiar a pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e sinalizou que a tendência da legenda é permanecer neutra na disputa de 2026.
A informação, que amplia o isolamento político do senador, foi revelada primeiro pela coluna de Andreza Matais, no Metrópoles.
Mais cedo, a coluna do jornalista Lauro Jardim, de O Globo, publicou que o apoio do Republicanos foi selado numa conversa na semana passada entre Marcos Pereira e o senador, quando o presidente do partido impôs a condição de ser nomeado para o STF.
A primeira vaga a ser aberta será a de Luiz Fux, em abril de 2028. Segundo Jardim, Flávio Bolsonaro topou e fechou negócio.
Contudo, a mesma matéria, postada no início da manhã deste domingo, foi editada às 9h31, em que o jornalista escreveu que Marcos Pereira entrou em contato para negar tudo.
Jardim disse que, após consultas às suas bases, foi detectado um sentimento de frustração com a pré-candidatura de Flávio e uma preferência pela neutralidade nas eleições.
O que disse o Republicanos, exatamente
Em nota assinada pelo presidente do partido, o deputado Marcos Pereira (SP), a legenda afirmou não conversar com Flávio Bolsonaro “há mais de um mês” e classificou as tratativas anteriores como inconclusivas.
O comunicado também descartou qualquer apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e informou que o Republicanos iniciou consultas a bancadas, executivas estaduais e apoiadores para só then definir seu posicionamento em convenção nacional.
Segundo apurou o Metrópoles, o incômodo dentro do partido cresceu depois que lideranças, reunidas em São Paulo no fim de semana, tomaram conhecimento de especulações sobre uma possível chapa com Daniella Marques — ex-presidente da Caixa Econômica Federal, hoje filiada ao Republicanos e coordenadora econômica da pré-campanha bolsonarista — como vice de Flávio.
A reportagem apurou ainda que, internamente, o partido avalia que Lula venceria a eleição se ela fosse hoje.
Uma pesquisa encomendada pelo próprio Republicanos e apresentada à bancada paulista teria detectado “indicação de preferência pela neutralidade nestas eleições”, segundo trecho da nota reproduzido pelo Metrópoles.
O que mais
Outros partidos de centro, como o União Brasil e o PP, já haviam sinalizado antes uma postura de distanciamento em relação a Flávio, o que amplia o desafio de sua equipe de articulação para montar uma coalizão nacional antes das convenções partidárias.
Paralelamente, a coordenação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, comandada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), reagiu a rumores de que o apoio do Republicanos estaria condicionado à indicação de Marcos Pereira para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Em nota classificada pela própria coordenação como “absolutamente falsa”, Marinho negou qualquer negociação de cargos.
O que isso revela sobre a campanha
O episódio expõe uma fragilidade estrutural na candidatura de Flávio Bolsonaro: a dificuldade de consolidar o chamado Centrão em torno de seu nome, mesmo a poucas semanas das convenções partidárias, marcadas para o período entre 20 de julho e 5 de agosto.
A resistência do Republicanos soma-se à de outras siglas e chega em um momento delicado para a pré-campanha, marcado por episódios como a repercussão negativa do caso envolvendo pedido de recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro, e pelo desgaste público entre o senador e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Nas pesquisas eleitorais mais recentes, o quadro é de instabilidade para o senador. O levantamento do instituto Gerp, divulgado em 8 de julho, mostrou empate técnico entre Flávio e Lula no primeiro turno, com 36% cada — mas pesquisas anteriores do mesmo instituto, em maio e junho, chegaram a colocar Lula numericamente à frente, em cenários de 37% a 34%.
Flávio também aparece como o segundo nome mais rejeitado do país, atrás apenas do próprio Lula, com 40% de rejeição.
A combinação entre isolamento partidário e oscilação nas pesquisas indica que a costura de uma frente ampla de centro-direita, essencial para viabilizar uma candidatura competitiva em outubro, ainda está longe de se consolidar.
FAQ rápido
O Republicanos vai apoiar Flávio Bolsonaro?
Por ora, não há acordo fechado. O partido diz que a tendência interna é de neutralidade, e a decisão final só sai em convenção nacional.
Há negociação para levar Marcos Pereira ao STF?
Tanto o Republicanos quanto a coordenação de Flávio Bolsonaro negam qualquer negociação nesse sentido.
Flávio está perdendo força nas pesquisas?
O cenário é de empate técnico com Lula, mas pesquisas recentes do instituto Gerp já mostraram o presidente numericamente à frente, e Flávio tem a segunda maior rejeição entre os pré-candidatos.
O Republicanos informou que realizará novas rodadas de consulta às suas bases ao longo de julho, antes da convenção nacional em Brasília.
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