A CPI já suspeitava de sua participação na reunião em que o “comissionamento” foi solicitado a um vendedor do imunizante e a exoneração do militar ocorreu há 15 dias, conforme publicado em edição extra do Diário Oficial da União
O representante da Davati, Cristiano Carvalho, afirmou à CPI da Covid, na manhã desta quinta-feira (15), que o pedido de propina, ao qual se referiu como “comissionamento“, de US$ 1 por dose de imunizante da AstraZeneca partiu do “grupo do tenente-coronel Blanco”, que foi assessor do Ministério da Saúde. Ao ser novamente questionado se o ex-diretor de logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, teria pedido esse “comissionamento” nas negociações com a Davati, Carvalho disse que seu nome não foi citado e reafirmou que o referencial era o grupo do militar que foi substituto eventual do diretor do Departamento de Logística (DLOG) da pasta, Marcelo Blanco.
O tenente-coronel foi exonerado há 15 dias, conforme publicado em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) de 30/6. Desde então, a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da covid-19 já suspeitava que Blanco teria participado da reunião na qual foi solicitada a propina a um vendedor de vacina, conforme divulgou o jornal Folha de S.Paulo.
Como foi noticiado, a denúncia foi feita pelo empresário Luiz Paulo Dominguetti Pereira, que se apresentava como representante da empresa Davati Medical Supply. Na ocasião, ele relatou que o pedido de propina ocorreu quando ele ofereceu ao ministério 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca. O pedido de propina, segundo ele, partira de Roberto Ferreira Dias, no dia 25 de fevereiro. Dias foi exonerado na terça-feira (29) após publicação da reportagem.
À Folha, Dominguetti disse que também estava no referido encontro um militar do Exército e um empresário. Blanco atuou como assessor do departamento na gestão de Dias, mas o Ministério da Saúde afirmou que o militar não estava na pasta desde janeiro, quando foi publicada a sua exoneração como assessor do DLOG. Smente no dia 30, entretanto, que a dispensa de Blanco da função de diretor substituto saiu no DOU.
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Fux, concedeu liminares para que o reverendo Amilton Gomes de Paula e o tenente-coronel da reserva Marcelo Blanco possam ficar em silêncio. A previsão era que os depoimentos ocorressem nesta semana, mas foram adiados.

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