Renan diz que Comissão pode pedir prisão de Wajngarten por supostas mentiras na CPI da Covid

12/05/2021 0 Por Redação Urbs Magna

Ex-secretário de Comunicação do governo Bolsonaro afirmou à Veja que incompetência do MS causou atraso na compra de vacinas, mas no Inquérito do Senado deu declarações evasivas sobre sua afirmação

O relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), disse nesta quarta-feira (12) que a comissão pode pedir a prisão do ex-secretário de Comunicação Fábio Wajngarten caso se confirme que ele tenha mentido. Wajngarten foi convocado para explicar a declaração dada à revista “Veja” na qual disse que a “incompetência” do Ministério da Saúde causou atraso na compra de vacinas contra a Covid-19. O ex-chefe da Secom também disse, em entrevista, que o presidente Jair Bolsonaro não poderia ser responsabilizado, pois recebeu informações erradas no processo de aquisição de vacinas. Nesta quarta-feira, porém, o ex-chefe da Secom limitou-se a dar declarações evasivas quando questionado sobre as acusações de incompetência feitas à reportagem.

Renan pediu ao presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), que requisite o áudio da entrevista dada à ‘Veja’ para checar o que foi dito pelo ex-auxiliar do governo.

Se ele não mentiu, a revista ‘Veja’ vai ter que pedir desculpas a ele. Se ele mentiu, terá desprestigiado e mentido ao Congresso Nacional, o que é um péssimo exemplo. Eu queria dizer que vou cobrar a revista ‘Veja’. Se ele não mentiu, que ela se retrate a ele. E, se ele mentiu à revista Veja e a esta comissão, eu vou requerer a Vossa Excelência na forma da legislação processual a prisão do depoente. Apenas para dizer isso e para não dizerem que nós não estamos tratando a coisa com a seriedade que essa investigação requer“, disse o relator da CPI.

Está é o quinto dia de depoimentos da comissão parlamentar de inquérito, que apura ações e omissões do governo federal no enfrentamento da pandemia de Covid e eventual desvio de verbas federais enviadas a estados e municípios. Na condição de testemunha, o depoente se compromete a dizer a verdade, sob o risco de incorrer no crime de falso testemunho.

Vice-líder do governo, o senador Marcos Rogério (DEM-RO) reagiu à ameaça de prisão de Wajngarten. “Não cabe ao relator ou a qualquer membro dessa CPI ameaçar o depoente de prisão. Com todo respeito, senhor presidente, Vossa Excelência deveria saber que prisão só pode acontecer em flagrante, nem poderia posteriormente pedir a prisão dele em razão de eventual contradição. Não cabe, senador Renan. A prisão no caso de depoimento fraudulento é no momento do depoimento, isso é abuso de autoridade”, disse.

Senadores também demonstraram contrariedade com as declarações de Wajngarten de que não tinha conhecimento sobre um “assessoramento paralelo” no Palácio do Planalto para definir as diretrizes do governo sobre a pandemia. Em depoimento à CPI, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta contou sobre a existência desse grupo e disse que chegou a participar de reunião em que foi discutida uma mudança na bula da cloroquina, de modo a passar a prever a indicação do remédio para o tratamento da Covid-19.

Questionado, Wajngarten disse que nunca participou e que não confirma a existência de um gabinete paralelo. “Desconheço qualquer coisa nesse sentido”, afirmou. Renan Calheiros disse que o depoimento estava se encaminhando para um terreno “muito ruim”. “Vossa senhoria é a prova da existência dessa consultoria”, afirmou o relator.

Vossa Excelência é a primeira pessoa que incrimina o presidente da República, porque iniciou uma negociação em nome do Ministério da Saúde como Secretário de Comunicação e se dizendo em nome do presidente É a prova da existência disso”, acrescentou.

À CPI, Wajngarten admitiu que entrou em contato com a Pfizer após saber que a farmacêutica havia enviado uma carta oferecendo vacinas e ficado dois meses sem resposta. Segundo ele, foram três reuniões e o objetivo era acelerar a chegada do imunizante ao país.

Nunca procurei a Pfizer, nunca pedi a reunião, eu nunca nada. Sempre me comportei de forma reativa para acelerar a chegada da melhor vacina naquele momento”, afirmou.

do G1


Siga no Telegram

Comente