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    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Washington (US)
    02 de setembro de 2026

    O jornalista Reinaldo Azevedo afirmou nesta quarta-feira (02/set), no programa O É da Coisa, da Band, que não concede ao ministro André Mendonça licença para atuar fora da lei e considerou um equívoco editoriais que pedem a saída de Alexandre de Moraes sem enfrentar a legalidade da conduta do relator do caso Banco Master.

    A fala ocorre no dia seguinte à divulgação do relatório da Polícia Federal com mensagens atribuídas ao ex-controlador Daniel Vorcaro e ao colega de Corte, e depois de a PGR pedir a nulidade da apuração determinada por Mendonça. O comentário interessa porque desloca o debate da pressão política sobre o STF para o limite legal da atuação de um ministro-relator.

    O que Reinaldo Azevedo disse no programa?

    No O É da Coisa, Azevedo foi direto: “Não dou ao Mendonça licença para atuar fora da lei. Minha não tem.”

    O comentarista afirmou que, se parte da imprensa passou a publicar editoriais pedindo “a cabeça” de Alexandre de Moraes na Folha e no Estadão, isso lhe parece um erro. “Acho um equívoco que se peça a cabeça de ministro ignorando a ilegalidade da ação do Mendonça”, disse.

    A fórmula que ele repetiu foi curta: “Ou é dentro da lei ou não é.” E completou, em tom áspero, que o argumento de que a lei não resolveria o problema abriria a mesma porta usada por quem defende métodos ilegais: “Ah, mas se dentro da lei não resolve, então vai defender miliciano, porra. Eles também acham que tem que ser fora da lei.”

    Por que a crítica às mídias entra na fala?

    Na terça-feira (01/set), a Folha de S. Paulo publicou o editorial “A Moraes cabe a renúncia”. O texto afirma que não haveria mais lugar para o ministro no tribunal e que, sem renúncia, caberia ao Senado tramitar o impeachment.

    Azevedo não contestou o direito dos jornais de opinar. Disse o contrário: cada veículo escreve o que bem entender, e ele comenta o que bem entende. O ponto que isolou foi outro: pedir a queda de um ministro enquanto se ignora, segundo ele, a ilegalidade da ação do relator.

    No mesmo ciclo de cobertura, colunas e análises do Estadão trataram Moraes como peça desgastada do sistema político. A oposição no Congresso voltou a cobrar impeachment, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou à Folha que 109 pedidos contra ministros do Supremo “não é normal”, sem responder sobre o caso específico.

    Qual é a ilegalidade apontada contra Mendonça?

    A crítica de Azevedo encontra respaldo factual na manifestação da Agência Brasil e do g1: na noite de terça-feira (01/set), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a nulidade da investigação determinada por Mendonça sobre conversas entre Vorcaro e Moraes.

    Gonet sustentou que o relator do caso Master ultrapassou a competência do magistrado na fase pré-processual ao ordenar à polícia a investigação de pessoas específicas, sem pedido do Ministério Público e sem iniciativa da autoridade policial. Na formulação enviada à Corte, registrou: “A ordem dada à autoridade policial para investigar pessoas específicas, sem pedido do Ministério Público e sem iniciativa da autoridade policial, é nula, por exceder os limites de competência do magistrado na fase pré-processual.”

    Para a PGR, eventual apuração contra um ministro do STF deveria seguir o plenário, por intermédio do presidente da Corte, Edson Fachin, e não uma ordem monocrática à PF. O mesmo parecer, reproduzido pelo Jornal Nacional, afirma que ao juiz não cabe acusar nem conduzir investigação pré-processual.

    IMPORTANTE: O pedido da PGR não apaga, por si só, as mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro nem decide o mérito da relação entre o banqueiro e autoridades. Decide, neste momento, se a ordem de André Mendonça para aprofundar a apuração contra um colega de Corte observou o rito legal. Renúncia, impeachment e abertura de inquérito contra ministro do STF são caminhos distintos e não se confundem com o parecer de nulidade.

    O que a ironia de 1963 pretendeu lembrar?

    Azevedo recuou seis décadas para atacar o que chamou de tradição longa de um setor da imprensa brasileira: aceitar o extraordinário quando o adversário é o comunismo. Citou 1963 e o então diretor do Estadão, a quem atribuiu a defesa de que se explodisse uma bomba atômica no Brasil e nos Estados Unidos, se necessário, para impedir o comunismo.

    A passagem veio em chave irônica. “Seria uma pena, né? Enfim, um monte de gente desgraçada na vida só para não ter comunismo, né? Vale a pena. Imagina? O que é melhor? Derreter ou ficar submetido ao comunismo? Derreter, obviamente.” Em seguida, ironizou o raciocínio de preferir câncer por cinquenta anos a viver sob o comunismo.

    O jornalista fez questão de separar veículo e crítica pontual: “Não é uma crítica ao veículo, cada um escreva o que bem entendeu, também comento o que eu bem entendo.” O alvo era o método: legalidade seletiva.

    A referência histórica dialoga com um fato público já usado no debate recente. Em comentário anterior na própria BandNews FM, Azevedo lembrou que Júlio de Mesquita Filho, diretor de O Estado de S. Paulo entre 1927 e 1969, foi citado em recortes de novembro de 1963 a propósito de guerra atômica caso a esquerda chegasse ao poder. A matéria de agora reproduz a analogia feita pelo comentarista, não um editorial contemporâneo do jornal com esse teor.

    Como o caso chegou a este ponto?

    Mendonça assumiu a relatoria do caso Master depois de Dias Toffoli deixar o inquérito, conforme registrou o próprio Urbs Magna. Na terça-feira (01/set), o relator retirou o sigilo de relatório da PF com mensagens de Vorcaro a um contato salvo como Alexandre de Moraes e pediu manifestação da PGR.

    Nesta quarta-feira (02/set), os dois ministros sentaram lado a lado no plenário, segundo o Valor Econômico e o R7. Interlocutores descreveram bate-boca prévio. No mesmo dia, a BBC News Brasil informou que Mendonça admitiu um encontro com Vorcaro em março de 2025, “uma única vez”, sobre precatórios de interesse do banco.

    A fala de Azevedo recusa o atalho político de tratar a crise como plebiscito sobre um único ministro. O comentário insiste em regra simétrica: sem legalidade no meio, o fim proclamado — combate à corrupção, contenção do Supremo ou disputa eleitoral — perde lastro institucional.

    O que acontece agora?

    Mendonça sinalizou levar o material ao plenário. Fachin disse que avaliará as medidas “no tempo devido e sem precipitação”, conforme o Valor. Reportagem do UOL indicou que interlocutores de Moraes acreditam ter votos para anular atos do relator, embora o placar permaneça incerto.

    A pressão extrajudicial segue. Pedidos de impeachment se acumulam no Senado. Nada disso, no recorte de Azevedo, autoriza um ministro a investigar o outro fora do rito.

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