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Redes sociais: 70% criticam Claudio Castro por megaoperação no Rio

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    Moradores levam
    Moradores levam mais de 50 corpos para praça do Complexo da Penha – Rio |29.10.2025| Foto: Márcia Foletto/via O Globo


    Críticas emanam majoritariamente de perfis progressistas, ativistas de direitos humanos e afetados diretamente – o foco recai sobre o alto preço em vidas civis, incluindo crianças e trabalhadores informais, e a ausência de estratégia de longo prazo contra o tráfico



    Em Brasília, 29 de outubro 2025

    Em meio ao tiroteio incessante que ecoou pelas vielas dos Complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, a megaoperação “Contenção” deflagrada na terça-feira (28/out) expôs não apenas o custo humano da guerra contra o Comando Vermelho (CV), mas também as fissuras profundas na sociedade brasileira.

    Com balanço oficial apontando 119 mortes – incluindo quatro policiais –, 81 prisões e a apreensão de 42 fuzis, o governador Cláudio Castro (PL) celebrou a ação como um “sucesso histórico”.

    No entanto, relatos de moradores e entidades como a Defensoria Pública da União (DPU) elevam o número de vítimas para mais de 130, com corpos recolhidos em ruas e matas, alimentando denúncias de execuções sumárias e chacina seletiva contra populações vulneráveis.

    A operação, que mobilizou milhares de agentes em um cerco massivo aos redutos do CV, gerou uma enxurrada de reações na rede social X (ex-Twitter), onde a polarização entre apoio e condenação reflete o abismo ideológico do país.

    Uma análise feita pela inteligência artificial da plataforma revela uma divisão clara: 70% das opiniões expressam crítica veemente, enquanto 22,5% oferecem respaldo, e 7,5% mantêm neutralidade factual.

    O levantamento foi feito em 200 posts recentes, capturados entre ontem (28/out) e hoje (29/out) via buscas por termos como “Cláudio Castro” aliado a “sucesso” ou “chacina”.

    Hashtags como #CláudioCastroCriminoso e #PECdaSegurançaJá dominam o fluxo crítico, contrastando com #RioAgradece nos apoios.

    Nas críticas, que emanam majoritariamente de perfis progressistas, ativistas de direitos humanos e afetados diretamente, o foco recai sobre o alto preço em vidas civis – incluindo crianças e trabalhadores informais – e a ausência de estratégia de longo prazo contra o tráfico.

    O colunista do jornal O Globo, Bernardo Mello Franco, acusa o governador de “renovar aposta no bangue-bangue e buscar bode expiatório para crise do Rio”, apontando para o uso político da violência em ano eleitoral.

    Da mesma forma, o rapper Black Pantera ironiza em sua publicação: “Apreenderam mais drogas no avião presidencial do Bolsonaro, do que na operação de ontem no Alemão e na Penha”.

    Já o jornalista Ricardo Noblat resume o bolsonarismo local em uma imagem impactante: um mar de bandeiras verde-amarelas sobre corpos, simbolizando o “retrato do bolsonarismo no Rio de Janeiro”.

    O jornalista João Paulo Charleaux eleva o debate ao plano ético-jurídico, alertando que “assassinatos, execuções sumárias e extrajudiciais, torturas, suplícios e maus tratos são proibidos até mesmo na guerra”.

    No mesmo tom, o acadêmico Pedro Abramovay, mestre em direito constitucional pela UnB, doutor em ciência política pelo IESP-UERJ, lamenta: “O povo precisa de segurança. O Governador só tem cadáveres a oferecer. Segurança se constrói com inteligência. Mas o Governador aposta que cadáver dá mais voto”.

    Marcelo Semer, escritor e membro e ex-presidente da Juízes para a Democracia, denuncia a “operação de guerra que empilham corpos; […] Não é enxugar gelo; é apagar fogo com querosene”, afirma, reforçando a narrativa de falhas estruturais.

    O influenciador digital André prevê a prisão de Cláudio Castrocomo estiveram seus antecessores“. Ele afirma que o governador “é parte da engrenagem. E lucra com ela“.

    Do outro lado, os apoiadores – concentrados em bolsonaristas e conservadores – enaltecem a operação como “guerra necessária contra o narcoterrorismo”, minimizando vítimas civis e exaltando os policiais como heróis.

    O contexto político amplifica o furor: Cláudio Castro culpa o governo federal por “falta de apoio”, apesar de o Ministério da Defesa condicionar auxílio a um decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) não formalizado.

    O Planalto rebate, e entidades como Ministério Público Federal (MPF), DPU e até a ONU clamam por investigações sobre letalidade excessiva.

    Essa operação não é mero episódio isolado, mas espelho do impasse nacional em segurança pública: ações enérgicas versus denúncias de violência estatal contra pobres e negros.

    Com o Rio de Janeiro como epicentro, o debate urge reformas – da PEC da Segurança à inteligência policial.



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