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Redes de Israel manipulam narrativas dos protestos no Irã, de queixas econômicas a chamados por intervenção estrangeira

Campanha digital coordenada transforma revolta interna por crise econômica em apelos por mudança de regime, com hashtag #FreeThePersianPeople impulsionada por contas externas e apoio oficial israelense

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Vahid Salemi
Vahid Salemi/AP
RESUMO

Investigação da Al Jazeera revela que redes ligadas a Israel manipulam protestos no Irã (iniciados 28/dez/2025 por crise econômica) via #FreeThePersianPeople, com 94% retuítes de poucas contas. Contas como Rhythm of X e Nioh Berg impulsionam Reza Pahlavi e intervenção externa. Oficiais israelenses (Ben-Gvir, Netanyahu) e Trump apoiam abertamente. Regime Khamenei vê complô estrangeiro, intensificando repressão após guerra 2025. Mais de 2.000 mortes reportadas; blackout de internet dificulta verificação.


Brasília (DF) · 15 de janeiro de 2026

Os protestos que sacodem o Irã desde 28/dez de 2025, inicialmente detonados por uma crise econômica agravada pela desvalorização do rial e inflação galopante após a guerra de 12 dias com Israel em jun/2025, estão sendo alvo de uma sofisticada operação de influência digital, segundo o Al Jazeera.

Redes conectadas a Israel e a figuras pró-israelenses desviam o foco das queixas legítimas – como desemprego, corrupção e repressão – para narrativas que enfatizam mudança de regime, separação entre “persas” e “islã político” e apelos explícitos por intervenção externa dos Estados Unidos e de Israel.

A hashtag #FreeThePersianPeople, que explodiu no X (antigo Twitter), não emergiu espontaneamente das ruas iranianas. Uma investigação publicada pelo jornal em 15/jan analisou 4.370 postagens com a ferramenta Tweet Binder e constatou que 94% eram retuítes, com apenas 170 contas gerando conteúdo original.

O padrão indica astroturfing clássico: amplificação artificial para simular apoio orgânico massivo, alcançando mais de 18 milhões de visualizações. “A campanha #FreeThePersianPeople não foi uma expressão digital espontânea da raiva interna iraniana”, conclui a reportagem.

Contas centrais atuam como hubs: Rhythm of X, criada em 2024 e com múltiplas mudanças de nome, concentra-se em apoio a Israel, promoção da monarquia iraniana e pressão por ações americanas contra o Corpo de Guardiães da Revolução Islâmica; Nioh Berg, verificada desde 2017, apresenta-se como ativista judeu-iraniana procurada pelas autoridades iranianas; e Israel War Room, alinhada a narrativas estatais israelenses.

Essas contas redistribuem mensagens que elevam Reza Pahlavi, filho do último xá, como alternativa ao regime. Em 14/jan, Pahlavi postou: “Compartilho meu primeiro apelo com vocês hoje e os convido a começar a entoar slogans nesta quinta e sexta-feira, 18 e 19 de Dey, simultaneamente às 20h, todos vocês, seja nas ruas ou mesmo de suas próprias casas. Com base no feedback dessa ação, anunciarei os próximos apelos a vocês.”

Oficiais israelenses reforçam o movimento. O ministro de Segurança Nacional Itamar Ben-Gvir tuitou em persa: “O povo do Irã merece uma vida livre, libertada do ditador assassino, Khamenei. Estamos com vocês!” Ex-primeiro-ministro Naftali Bennett teve conteúdos recirculados para sustentar temas de “libertação“.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu manifestou identificação com as “aspirações de liberdade” dos iranianos, embora agências de segurança israelenses recomendem cautela para não validar a propaganda do regime de Teerã, que acusa Israel e EUA de orquestrar o levante como continuação da guerra de 2025.

Do lado americano, o presidente Donald Trump ameaçou intervenção direta caso forças iranianas atirassem em manifestantes, declarando que “ajuda está a caminho”. O ex-diretor da CIA Mike Pompeo alegou que agentes do Mossad caminhavam “ao lado” dos manifestantes.

Essas declarações fornecem o pretexto para intensificar a repressão, rotulando o dissenso como interferência estrangeira.

Os protestos, que se espalharam por todas as 31 províncias, resultaram em mais de 2.000 mortes desde 28/dez, segundo estimativas de ativistas, com blackout quase total de internet em 7/jan e 8/jan.

Ali Khamenei responde com força, prisões em massa e diz que há um complô externo. Enquanto isso, a operação digital expõe como ferramentas de redes sociais podem reescrever realidades, transformando uma revolta por sobrevivência econômica em um tabuleiro geopolítico de alto risco.

Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



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1 comentário em “Redes de Israel manipulam narrativas dos protestos no Irã, de queixas econômicas a chamados por intervenção estrangeira”

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