Explosão de chamas e ventos quentes criam espetáculo perigoso no campo paulista, com duração de minutos e alerta para novas ondas de calor
Brasília, 14 de setembro de 2025
Um incêndio de grandes proporções consumiu uma plantação de cana-de-açúcar na divisa entre Adamantina e Flórida Paulista, no interior de São Paulo, na tarde de quinta-feira (11/set), gerando um impressionante redemoinho de fogo que durou cerca de 10 minutos, com pausas intermitentes.
O evento, capturado em vídeo pela Defesa Civil, viralizou nas redes sociais no sábado (13/set), destacando o poder destrutivo das queimadas em condições extremas de calor e vento.
Segundo o coordenador da Defesa Civil de Flórida Paulista, Marcelo Rocha Pinto, o redemoinho oscilava de forma irregular:
“Esse redemoinho ficava oscilando. Por exemplo, essa parte da filmagem deve ter ficado uns 20 segundos, depois abaixava. Após alguns minutos, voltava de novo e abaixava”.
Equipes do Corpo de Bombeiros de Adamantina foram acionadas às 13h11 e, junto com brigadistas das usinas locais, combateram as chamas por sete horas, até o controle total por volta das 20h.
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Felizmente, não houve registro de feridos ou danos a áreas residenciais, mas o fogo preservou gado confinado e plantações adjacentes graças a faixas de aceiro criadas por máquinas patrolas.
Para explicar o mecanismo, o professor de Agrometeorologia do centro Unoeste Clima, em Presidente Prudente, Alexandrius de Moraes Barbosa, detalhou que o fenômeno surge do aquecimento rápido do ar pelo fogo:
“O redemoinho de fogo ocorre quando o incêndio em um canavial libera muito calor, aquecendo rapidamente o ar próximo ao solo. Esse ar quente sobe em grande velocidade e, com a presença do vento, entra em rotação, formando uma espécie de ‘tornado de fogo’”.
Ele atribui o episódio ao recorde de temperatura de 37,9ºC registrado na região naquela data, o mais alto de 2025 até então, agravado pelo tempo seco que facilitou nove focos de queimadas simultâneos em São Paulo.
O incidente faz parte de um padrão preocupante, com impacto ambiental devido à perda de biodiversidade em áreas de preservação permanente próximas e a necessidade de práticas sustentáveis na colheita de cana.
Riscos maiores apontam para nova onda de calor prevista entre 18 e 21 de setembro, com picos que podem superar os atuais recordes anuais, e chuvas só após o dia 21 – período em que a Defesa Civil do Estado de São Paulo recomenda hidratação constante, evitar exposição solar e proibir qualquer tipo de queima controlada.
Apesar da raridade, eventos assim crescem com as mudanças climáticas, servindo como lembrete para conscientização comunitária.







