Em rede nacional o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus disse que “nascer gay” era “nascer mau” e revoltou as redes sociais
A Justiça Federal determinou que a Record TV retire do ar, em 24 horas, vídeos com comentários homofóbicos feitos pelo fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, que também é dono da emissora.
A referência é sobre um especial do dia 24 de dezembro de 2022, transmitido em rede nacional na véspera de natal, quando o autodenominado “bispo” revoltou as redes sociais ao afirmar:
“Você não nasceu mau. Ninguém nasce mau. Ninguém nasce ladrão, ninguém nasce bandido, ninguém homossexual ou lésbica… ninguém nasce mau, todo mundo nasce perfeito com a sua inocência, porém, o mundo faz das pessoas aquilo que elas são quando elas aderem ao mundo“, disse.
N a sequência, a Aliança Nacional LGBTI entrou com uma queixa-crime contra Edir e a emissora, que se defendeu dizendo que apenas transmitiu o especial e que não poderia ser responsabilizada. Já Edir Macedo diz que apenas fazia um pensamento, com o intuito de enviar uma mensagem de fé em um período cristão.
A juíza Ana Maria Wikcert, do do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), entende que tanto a Record quanto Edir Macedo extrapolaram o direito à liberdade de expressão:
“O discurso possui conteúdo evidentemente homofóbico, pois relaciona ser homossexual ou lésbica a “ser mau, da mesma forma que ser ladrão ou ser bandido. Em última instância, o orador [Edir Macedo] equipara homossexuais a criminosos. Esse tipo de associação, muito além de ser ofensivo, incita a discriminação e a intolerância contra a comunidade LGBTQIA+“, disse a juíza.
“Trata-se de discurso de ódio, que desafia as garantias constitucionais e é repudiado por nosso sistema jurídico, devendo ser combatido por todos os meios“, concluiu a magistrada, segundo transcrição no ‘F5‘,
A Record ainda pode ser multada em R$ 10 milhões por conta da fala de Edir. A juíza definirá se concorda com a multa em outro julgamento, ainda sem data para acontecer.
“A luta pela inclusão e pela preservação dos direitos fundamentais permanece como pilar central das ações da entidade“, afirmou Amanda Souto, coordenadora da área jurídica da Aliança Nacional LGBT.
Toni Reis, diretor-presidente da Aliança, também celebrou. “É importante respeitar a liberdade de expressão e religiosa, desde que não se transformem em veículos para discursos de ódio direcionados a grupos historicamente vulneráveis“, diz.



