Ministro detalha a nova estrutura de inteligência para sufocar as finanças do ‘andar de cima’ do crime, combatendo a lavagem de dinheiro em setores como combustíveis, hotéis e grandes franquias
Brasília, 27 de setembro de 2025
O Ministro Fernando Haddad revelou a criação de uma nova estrutura de combate ao crime organizado dentro da Receita Federal.
Essa iniciativa surge da constatação de que o crime tem invadido setores organizados da economia e financiado atividades ilícitas com volumes de “muitos bilhões” de reais.
A nova delegacia focada no combate ao crime organizado e à fraude tributária capitalizará a grande quantidade de informações já detidas pela Receita Federal por meio de sua atividade rotineira de fiscalização.
O trabalho de inteligência busca atingir o “andar de cima” do crime organizado, sufocando as finanças das organizações.
Segundo Haddad, sem bloquear o dinheiro, “vai ter sempre gente disponível para substituir quem foi morto quem foi preso”, afirmou, durante o programa podcast 3 irmãos, exibido neste sábado (27/set).
Haddad citou a bagunça na questão do combustível como um exemplo de atividade criminosa que demandou operações da Receita Federal, Polícia Federal, e o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo.
Ele mencionou a apreensão de quatro navios com 200 milhões de litros de combustível que estavam envolvidos em fraude tributária, exigindo até a mobilização da Marinha.
A lavagem de dinheiro é mapeada em “rede de motéis”, “empreendimentos imobiliários”, “posto de gasolina” e “franquias”.
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O Ministro enfatizou a necessidade de cooperação entre os órgãos de inteligência (Receita, COAF, Polícia Federal) para evitar a “guerra de vaidade” e garantir a troca de informações.
Soberania de Dados e Big Techs
Em um tema relacionado ao controle econômico, o Ministro levantou a preocupação com a soberania de dados, notando que mais de 60% dos dados brasileiros são processados fora do Brasil (mencionando a Virgínia, nos Estados Unidos).
Além disso, Haddad criticou o poder das Big Techs, que “pedagiam tudo” e impõem práticas anticoncorrenciais.
O governo encaminhou uma lei ao Congresso Nacional para regular essa concorrência, pois o lucro de empresários locais está sendo “estreitando” pelas cobranças e exigências de exclusividade dessas gigantes de tecnologia.
A criação de um núcleo de combate a crimes estruturados dentro da Receita Federal tem sido implementada gradualmente desde 2023, com o objetivo de aumentar a eficácia contra a sonegação de alto impacto.







