Militantes do Iêmen atacam embarcação de propriedade grega, aumentando insegurança no comércio marítimo global
RESUMO <<Os rebeldes Houthi do Iêmen atacaram o navio Magic Seas, de bandeira liberiana e propriedade grega, no Mar Vermelho, marcando sua primeira ofensiva marítima desde abril. Usando drones, mísseis e granadas, forçaram a fuga dos 22 tripulantes, resgatados por um navio mercante. O ataque, ligado ao conflito Israel-Hamas, ameaça uma rota comercial crucial, reacendendo temores de instabilidade global>>
Brasília, 10 de julho de 2025
O Mar Vermelho, uma artéria vital para o comércio global, voltou a ser palco de um conflito alarmante. No fim de semana, os rebeldes Houthi do Iêmen lançaram um ataque ousado contra o Magic Seas, um navio graneleiro de bandeira liberiana e propriedade grega.
Este foi o primeiro ataque marítimo dos rebeldes desde abril, reacendendo temores de insegurança em uma das rotas comerciais mais importantes do mundo. Imagens divulgadas pelos Houthi na quarta-feira (9/jul) mostram militantes armados invadindo o navio, disparando armas e, por fim, destruindo-o com drones, mísseis e granadas autopropulsadas.
Os 22 tripulantes — majoritariamente filipinos, com um romeno, um vietnamita e três guardas de segurança do Sri Lanka — conseguiram escapar, resgatados por um navio mercante.
Mas o incidente lançou uma sombra de incerteza sobre a segurança marítima global.Os Houthi, um grupo rebelde apoiado pelo Irã que controla grandes áreas do Iêmen, justificaram o ataque alegando que o Magic Seas tinha ligações com Israel, uma afirmação contestada por fontes marítimas.
Segundo a Reuters, o navio transportava ferro e fertilizantes da China para a Turquia, sem conexão evidente com portos israelenses. Ainda assim, os rebeldes declararam, conforme reportado pelo The New York Times, que qualquer embarcação associada a Israel — mesmo que remotamente — é um “alvo legítimo” até que Israel encerre suas operações militares em Gaza e levante o bloqueio.
Essa retórica vincula o ataque diretamente ao conflito Israel-Hamas, que tem alimentado a agressividade marítima dos Houthi desde outubro de 2023. O grupo já atacou mais de 100 navios nesse período, usando drones e mísseis para perturbar rotas comerciais em solidariedade aos palestinos.
O ataque ocorreu a 51 milhas náuticas a sudoeste do porto de Hodeidah, controlado pelos Houthi. A NBC News relatou que a ofensiva começou com pequenas embarcações disparando granadas autopropulsadas e armas leves, seguidas por ataques de drones que incendiaram o navio.
A agência United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO) confirmou a natureza coordenada do ataque, que deixou o Magic Seas incapacitado e afundando. Imagens mostram os rebeldes a bordo do navio abandonado, erguendo armas em sinal de vitória antes de detonarem explosivos para garantir sua destruição.
A missão naval da União Europeia, Operação Aspides, confirmou o resgate da tripulação pelas forças da Guarda Costeira do Iêmen, uma rara boa notícia em meio ao caos.
Esse ataque não foi um evento isolado. No dia seguinte, os Houthi atacaram outro navio de propriedade grega e bandeira liberiana, o Eternity C, matando pelo menos três tripulantes e afundando a embarcação.
Segundo a Sky News, seis dos 25 tripulantes foram resgatados, mas outros teriam sido sequestrados pelos rebeldes, uma acusação que a Embaixada dos EUA no Iêmen condenou, exigindo sua libertação imediata.
Os ataques consecutivos, conforme destacado pela Newsweek, seguem bombardeios israelenses em portos controlados pelos Houthi, sugerindo uma escalada de retaliação.
O Mar Vermelho, por onde passam mais de US$ 1 trilhão em mercadorias anualmente, corre o risco de se tornar uma zona proibida para o transporte marítimo, revertendo os ganhos recentes após um cessar-fogo mediado pelos EUA em maio.
A retomada das ações dos Houthi ocorre em um momento de alta tensão no Oriente Médio. Os ataques coincidem com o colapso das negociações de cessar-fogo na guerra Israel-Hamas e com a resposta do Irã a recentes ataques dos EUA em sua infraestrutura nuclear.
Apoiada pelo Irã, a milícia parece buscar fortalecer sua influência regional, possivelmente almejando liderança no chamado “Eixo de Resistência” contra Israel e potências ocidentais.
O especialista em segurança marítima Ami Daniel, citado pelo Splash247, alerta que a nova política dos Houthi de atacar qualquer navio ligado a empresas que já operaram em portos israelenses pode colocar em risco um em cada seis navios mercantes globais.
A reação internacional foi rápida e contundente. O Departamento de Estado dos EUA
condenou os ataques como uma ameaça à liberdade de navegação e à segurança marítima, classificando os Houthi como uma organização terrorista. A Câmara Internacional de Navegação, e outros grupos do setor, chamaram os ataques de “cruéis” e pediram ações globais para proteger os marinheiros.
Enquanto isso, a Marinha dos EUA intensificou patrulhas ante uma crescente militarização do Mar Vermelho, com Grécia, UE e EUA envolvidos ativamente. No entanto, enquanto o conflito em Gaza persistir, os Houthi provavelmente continuarão sua campanha, colocando em risco uma rota marítima essencial para o comércio global.
Para os marinheiros no centro desse conflito, o impacto humano é devastador. A tripulação do Magic Seas teve sorte de escapar ilesa, mas o ataque ao Eternity C destaca os riscos letais de trabalhar no Mar Vermelho.
Famílias aguardam notícias de tripulantes desaparecidos ou sequestrados, enquanto as companhias de navegação enfrentam custos de seguro disparados e dilemas de redirecionamento.
As consequências mais amplas são igualmente preocupantes: interrupções no Mar Vermelho podem elevar os preços globais de commodities, afetando economias já pressionadas pela inflação.
Sem uma resolução para a guerra Israel-Hamas, os Houthi não mostram sinais de recuo. A comunidade internacional enfrenta uma escolha difícil: intensificar a ação militar contra os rebeldes, arriscando um conflito mais amplo, ou buscar soluções diplomáticas em uma região onde a confiança é escassa.








