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    Congresso tem 56% de brancos, mas país é maioria negra: 150 candidaturas querem mudar isso

    — calculando —
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    Quilombo nos Parlamentos - coalizão pela igualdade racial

    📷 Lideranças de diferentes legendas reforçam o caráter suprapartidário que a organização reivindica para a iniciativa |•| ARTE URBS MAGNA

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | São Paulo (SP)
    31 de julho de 2026

    A Coalizão Negra por Direitos relançou, nesta quarta-feira (29/jul), a iniciativa Quilombo nos Parlamentos, reunindo 150 pré-candidaturas negras vindas de mais de 20 estados brasileiros para lançar um manifesto com 15 propostas voltadas a ampliar a presença de pessoas negras no poder público antes das eleições de outubro.

    A distância entre as urnas e o Congresso

    O evento, realizado no Club Homs, na Avenida Paulista, em São Paulo, expõe um descompasso que os dados públicos confirmam com precisão. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais da metade da população brasileira se autodeclara preta ou parda — 56,1%, conforme o Censo mais recente.

    No entanto, um levantamento do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) mostra que, após as eleições de 2022, apenas 26,2% das cadeiras do Congresso Nacional foram ocupadas por parlamentares negros, patamar que sobe lentamente desde os 20% registrados em 2014.

    No Senado, o quadro é ainda mais desigual: apenas seis dos 27 homens eleitos em 2022 se declararam negros, e nenhuma das quatro mulheres eleitas era preta ou parda.

    É justamente essa distância — entre um eleitorado majoritariamente negro e um Legislativo que continua majoritariamente branco — que o Quilombo nos Parlamentos busca reduzir, com uma característica que o diferencia de outras iniciativas do gênero: a abrangência nacional.

    As 150 pré-candidaturas presentes no lançamento vieram de mais de 20 estados, entre eles Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro e o Distrito Federal, segundo registrou o Brasil de Fato.

    Essa capilaridade é o que dá à iniciativa uma força distinta de mobilizações locais: em vez de concentrar esforços em um único estado ou região, o Quilombo nos Parlamentos tenta construir uma bancada suprapartidária espalhada por todo o país, capaz de pressionar simultaneamente assembleias legislativas estaduais e o Congresso Nacional.

    O que mudou desde 2022

    A iniciativa não nasceu agora. Criada nas eleições de 2022, ela já havia apoiado mais de 100 candidaturas, que somaram 4 milhões de votos e resultaram na eleição de 26 parlamentares negros para o Congresso Nacional e assembleias estaduais, segundo a Geledés.

    Para 2026, a meta é superar esse número, com a Coalizão Negra por Direitos — que reúne mais de 300 organizações do movimento negro — mirando não apenas a eleição de mais nomes, mas o fortalecimento de uma agenda comum entre eles.

    As 15 propostas do manifesto

    O documento apresentado no lançamento traz recomendações dirigidas a candidatos, partidos, à Justiça Eleitoral e à sociedade civil.

    Entre os pontos centrais estão a criação de comissões permanentes de heteroidentificação racial dentro dos partidos e da Justiça Eleitoral — mecanismo pensado para impedir que candidaturas sem pertencimento negro se apropriem de recursos das cotas raciais —, a garantia de repasse proporcional do fundo eleitoral e do tempo de propaganda para candidaturas negras, e a criação de canais de denúncia para casos de violência política racial e de gênero.

    A candidatura ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), participou do lançamento e resumiu o problema de forma direta: “tem alguma coisa fora do lugar”, disse, ao comparar a composição do Congresso Nacional com a realidade demográfica do país. Já a candidata ao Senado por São Paulo, Marina Silva (Rede), reforçou que a sub-representação atual “não faz jus” ao tamanho da população negra brasileira.

    Também estiveram presentes no evento nomes como Benedita da Silva (PT-RJ), Paulo Paim (PT-RS), Anielle Franco (PT-RJ), Leci Brandão (PC do B-SP), Áurea Carolina (Psol-MG), Orlando Silva (PC do B-SP), Talíria Petrone (Psol-RJ) e Erika Hilton (Psol-SP), entre outras lideranças de diferentes legendas — reforçando o caráter suprapartidário que a organização reivindica para a iniciativa.

    A força política do Quilombo nos Parlamentos está menos no número de candidaturas isoladas e mais no efeito de coordenação nacional que a iniciativa tenta produzir: ao articular pré-candidatos de mais de 20 estados em torno de um mesmo manifesto, a coalizão cria um bloco capaz de negociar coletivamente com partidos e de fiscalizar, de forma unificada, o cumprimento das regras de repasse de recursos das cotas raciais — obrigação que a própria Justiça Eleitoral já reconhece como historicamente descumprida por parte das legendas.

    A persistência da distância entre os 56% da população negra e pouco mais de um quarto das cadeiras do Congresso mostra que a representação não avança automaticamente com o tempo: avança quando há organização política deliberada, como a que ficou visível na Avenida Paulista na quarta.

    FAQ Rápido

    O que é o Quilombo nos Parlamentos 2026?
    Uma articulação suprapartidária da Coalizão Negra por Direitos que reúne 150 pré-candidaturas negras de mais de 20 estados, lançada com um manifesto de 15 propostas para as eleições de outubro.

    Por que a representação negra no Congresso é considerada baixa?
    Porque, embora 56,1% da população brasileira se autodeclare preta ou parda segundo o IBGE, apenas 26,2% das cadeiras do Congresso Nacional foram ocupadas por parlamentares negros após as eleições de 2022, segundo o Inesc.

    O que o manifesto pede à Justiça Eleitoral e aos partidos?
    Entre outros pontos, cobra repasse proporcional do fundo eleitoral e do tempo de propaganda para candidaturas negras, comissões de heteroidentificação racial e mecanismos de combate a fraudes nas cotas.

    Leia a íntegra do manifesto em PDF:

    Carregando PDF…

    A Coalizão Negra por Direitos afirma que a adesão de novas candidaturas à Carta Compromisso segue aberta ao longo do processo eleitoral.



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