O estadista brasileiro respondeu: “Em um mundo cada vez mais pautado pela competição geopolítica, nossa opção regional deve ser a cooperação e a solidariedade”
“Hoje o Brasil assume a presidência do Mercosul, com o compromisso de trabalhar pela unidade da América do Sul e da América Latina e do Caribe, para retomarmos o crescimento da região, combater as desigualdades, promover a inclusão, aprofundar a democracia e garantir nossos interesses em um mundo em transformação”, afirmou Lula em seu perfil no ‘Twitter‘, às 13h12 (hora de Brasília).
Pouco antes do meio-dia, o estadista disse, na plataforma: “Como nos lembra o companheiro Pepe Mujica, nossa integração vai bem além do que um projeto estritamente comercial. O Mercosul não pode estar limitado à barganha do “quanto eu te vendo e quanto você vende pra mim”. É preciso recuperar uma agenda cidadã e inclusiva, que gere benefícios para amplos setores de nossas sociedades“.
“Embora já tenhamos uma área de livre comércio de fato com nossos vizinhos sul-americanos, há espaço para ampliar e aprimorar os acordos comerciais com Chile, Colômbia, Equador e Peru. Retomaremos uma agenda externa ambiciosa para ampliar o acesso a mercados por nossos produtos de exportação”, disse o Presidente do Brasil, na rede social.
“Estou comprometido com a conclusão do Acordo com a União Europeia, que deve ser equilibrado e assegurar o espaço necessário para adoção de políticas públicas em prol da integração produtiva e da reindustrialização”, prosseguiu.
“Em 2022, o intercâmbio intra-Mercosul somou 46 bilhões de dólares. Não é pouco, mas está abaixo do auge registrado em 2011, de 52 bilhões de dólares. Estamos aquém do nosso potencial”.
“Não é concebível que tenhamos deixado de lado, por quase sete anos, esse valioso espaço que é a Cúpula Social do Mercosul. A participação de movimentos sociais, com toda a diversidade de nossa gente, reforça a transparência e a legitimidade do bloco. O Brasil assume hoje a presidência com a determinação de levar adiante esses esforços”.
“É preciso atuar coordenadamente na proteção de nossos biomas e na transição ecológica justa. Diante das guerras que trazem destruição, sofrimento e empobrecimento, cumpre falar da paz. Em um mundo cada vez mais pautado pela competição geopolítica, nossa opção regional deve ser a cooperação e a solidariedade”.
“Desde janeiro, estive com vários líderes mundiais, em diferentes foros, neste e em outros continentes. O mundo está cada vez mais complexo e desafiador. Nenhum país resolverá seus problemas sozinho, nem pode permanecer alheio aos grandes dilemas da humanidade. Não temos alternativa que não seja a união”.
“É com muita alegria que volto à Argentina para participar de uma Cúpula do Mercosul. E ainda na tríplice fronteira, local de muito simbolismo para a integração entre nossos países e de grande beleza natural. Hoje, cumpro uma etapa essencial do reencontro do Brasil com nossa região”.
Lula compartilhou seu discurso na abertura do encontro do Mercosul. Assista e leia mais a seguir:

Ao assumir a presidência temporária do Mercosul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou nesta terça-feira (4) que o mundo se encontra cada vez mais complexo e desafiador e que nenhum país resolverá seus problemas sozinho nem pode permanecer alheio ao que chamou de grandes dilemas que vive a sociedade.

“Não temos alternativa que não seja a união. Frente à crise climática, é preciso atuar coordenadamente na proteção de nossos biomas e na transição ecológica justa. Diante das guerras que trazem destruição, sofrimento e empobrecimento, cumpre falar de paz. Em um mundo cada vez mais pautado pela competição geopolítica, nossa opção regional deve ser a cooperação e a solidariedade”.
Em seu discurso, Lula citou o aumento do ódio, da intolerância e da mentira na política e classificou como urgente renovar o compromisso histórico do Mercosul como Estado de direito.
“Como presidentes democraticamente eleitos, temos o desafio de enfrentar todos os que tentam se apropriar e perverter a democracia, estou convicto que a construção de um Mercosul mais democrático e participativo é o caminho que temos que trilhar”.
Alberto Fernández
Ao abrir a 62ª Cúpula do Mercado Comum do Sul (Mercosul) e Países Associados, em Puerto Iguazú, o presidente da Argentina, Alberto Fernández, comentou a transferência da presidência pro-tempore para o Brasil pelos próximos seis meses.
“Não quero esconder o enorme carinho e a profunda admiração que sinto por ele [Lula]. Foi vítima de perseguição e injustiça. Mas o povo brasileiro soube reparar esse dano dando a liderança dessa nação-irmã. Querido amigo, desejo o melhor. Você merece. Sermos membros desse bloco que nos fortalece. Sem ele, em um cenário internacional de países que constituem enorme blocos econômicos, seríamos mais fracos e pequenos. Vamos ser fortes, defendendo os nossos interesses”.
Edição: Denise Griesinger
