Querem cassar Freitas por ‘racismo reverso’ e ‘injúria racial’ após ele chamar Zanin de ‘branco privilegiado’
“Os que hoje dominam na Assembleia Legislativa do Paraná o fazem tão somente porque formaram alianças espúrias com o poder da Ditadura Militar“, disse Renato Freitas, em entrevista | Imagem reprodução YouTube / DCM TV/YouTube
O deputado estadual do Partido dos Trabalhadores pelo Paraná diz ele e outros de seu entorno estão sendo “perseguidos e criminalizados”. Renato Freitas diz que as pessoas mais ricas de seu Estado são “descendentes de escravocratas“
O deputado estadual do Paraná Renato Freitas, partidário do Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), se tornou, em setembro, alvo do quarto pedido de cassação da sua carreira por criticar as decisões do ministro indicado pelo estadista ao STF (Supremo Tribunal Federal), Cristiano Zanin Martins, quando, em entrevista à Band Paraná se referiu ao magistrado como um “branco privilegiado“.
Além de Freitas, o campo progressista tem demonstrado apreensão com os posicionamentos do ex-advogado de Lula, como, por exemplo, seu voto contra a descriminalização do porte de maconha para uso pessoal e também contra uma ação que trata de excessos cometidos pela Polícia Militar do Mato Grosso do Sul em desfavor dos povos guarani e kaiowá.
A fala do deputado do Paraná foi acompanhada por outros políticos do PT, mas ele virou alvo de bolsonaristas. Seu homólogo naquele estado, Tito Barichello (PL), apresentou, juntamente com o deputado federal Reinhold Stephanes (PSD), uma notícia crime. Depois, o inimigo número um de Renato Freitas na ALEP, Ricardo Arruda (PL), ingressou com uma representação no Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar, alegando “racismo reverso” e suposta injúria racial.
Em 28 de agosto, na Band, Freitas se referiu a Zanin como “homem, branco, rico, privilegiado, que tem no seu círculo social apenas pessoas como ele e, portanto, não sabe os efeitos concretos de uma decisão, como a que ele deu, de militarizar a Guarda Municipal, colocar ela como uma força de segurança pública ao moldes da polícia militar, a ponto de dar autorização pra que ela faça ronda ostensiva”.
Mais de
Segundo o texto do deputado Arruda, “o representado teria ofendido a vítima em razão da cor da sua pele, como se o fato de o Ministro Cristiano Zanin ser ‘branco’ fosse uma característica depreciativa, o que não pode ser admitido ou tolerado“, conforme transcreveu, na época, ‘O Globo‘.
Contudo, o termo “racismo reverso” não tem relevância jurídica e, de modo geral, começou a ser usado nos Estados Unidos em 1970, servindo para atacar políticas que visam minimizar as diferenças raciais, ao mesmo tempo em que brancos se posicionam como vítimas incorretamente.
Freitas disse que os acionamentos contra ele são absurdos: “Estamos sendo perseguidos e criminalizados dizendo que eu fui racista contra Zanin“.
No ‘Dia da Consciência Negra‘, 20 de novembro, o deputado Renato Freitas reuniu, na Alep, professores, pesquisadoras, estudantes, movimentos sociais, sindicatos e entidades na Audiência Pública “Combate ao Racismo na Educação: 20 anos da Lei 10.639/2003”.
O debate transcorreu, entre vários temas relacionados, sobre a importância para o combate ao racismo da efetivação da Lei que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira“.