O poeta, filósofo e escritor participou com o youtuber e empresário do segundo dia do Festival LED – Luz na Educação, realizado na sexta e neste sábado (22/6), no Museu do Amanhã e Museu de Arte do Rio (MAR), na Praça Mauá, Rio de Janeiro
O youtuber e empresário Felipe Neto postou, neste sábado (22/6), em seu perfil de quase 17 milhões de seguidores na plataforma social de microblogging ‘X‘, duas imagens de seu encontro com Ailton Krenak e escreveu na mensagem: “Que honra foi te conhecer, mestre imortal“.
É provável que a maioria dos perfis que seguem Neto na plataforma conheça o rosto de Krenak, ao mesmo tempo em que é grande a possibilidade de que a outra face do líder indígena da etnia krenaque seja desconhecida para seu público, que deve ter ficado confuso ao ver seu ídolo virtual chamando alguém de “imortal“.
Veja abaixo e leia mais a seguir:
Que honra foi te conhecer, mestre Ailton Krenak, imortal. pic.twitter.com/7x8KL5G8wG
— Felipe Neto 🦉 (@felipeneto) June 22, 2024
Krenak é ambientalista, filósofo, poeta, escritor e um dos membros da ABL (Academia Brasileira de Letras), chamados de “imortais” por serem autores de livros que “vivem de novo cada vez que alguém lê“, conforme explicou à Folha a ex-presidente do colegiado, entre 2012 e 2013, a escritora Ana Maria Machado, na academia desde 2003.
Além disso, Ailton é também professor honoris causa pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e é considerado uma das maiores lideranças do movimento indígena brasileiro, possuindo reconhecimento internacional.
Krenak abriu um evento, neste sábado, às 10h30, no Festival LED – Luz na Educação, realizado ontem e hoje, no Museu do Amanhã e Museu de Arte do Rio (MAR), na Praça Mauá, Rio de Janeiro. O tema refletiu sobre o poder educativo da ancestralidade, com seus atores humanos e não humanos.
Depois, o indígena imortal voltou às 13h na roda de conversa “O papel social da educação”. E no mesmo dia ocorreu um encontro de influenciadores digitais, onde ali estava Felipe Neto, um dos maiores influenciadores digitais do mundo.
Além da fama impressionante, o jovem Neto, que aos 22 anos nada possuía, é hoje um homem de 36 que causa inveja a qualquer influenciador digital. Mas ele também passou por uma trajetória de desenvolvimento pessoal e está ainda em “transformação”, o que se tornou visível por seu posicionamento político dos últimos anos. Como disse o Nobel de Física, Albert Einsten, “a mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original“.
Falando em trajetória, a de Krenak certamente compõe a evolução cultural de Felipe Neto, pois o “imortal” de 70 anos foi jornalista ainda jovem, no Paraná, e participou da Assembleia Nacional Constituinte que elaborou a Constituição Brasileira de 1988, mesmo ano em que participou da fundação da União dos Povos Indígenas. O indígena também foi assessor especial do Governo de Minas Gerais para assuntos indígenas de 2003 a 2010.
Por tudo isso, Krenak causou o sentimento de “honra” em Neto. E tem mais. O escritor participou de uma série da Netflix, intitulada Guerras do Brasil, de 2018, que detalha a formação do Brasil ao longo de séculos de conflitos armados, desde os primeiros conquistadores até a violência na atualidade. Em março de 2023 assumiu a cadeira de número 24 da Academia Mineira de Letras, tornando-se o primeiro indígena a ingressar na instituição. E em 5 de outubro de 2023 foi eleito para a cadeira de número 5 da Academia Brasileira de Letras, sucedendo José Murilo de Carvalho e tornando-se o primeiro “imortal” de origem indígena.
Neto também deve sentir muita honra por saber que o filósofo que encontrou neste sábado é detentor das seguintes homenagens: 2016: Professor Honoris Causa pela Universidade Federal de Juiz de Fora; 2020: Prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano, oferecido pela União Brasileira de Escritores; 2021: Título de Doutor Honoris Causa concedido pela UnB–Universidade de Brasília; 2022: Prêmios de Impacto do Prince Claus.
E o influenciador digital mais famoso do Brasil também deve ser conhecedor da quantidade, talvez não dos títulos, de obras em que o autor perpetuou e imortalizou seu nome, nas seguintes publicações:
Ailton Krenak (Encontros). Organização de Sergio Cohn. Rio de Janeiro: Azougue, 2015;
Ideias para Adiar o Fim do Mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019;
O Amanhã Não está à Venda. São Paulo: Companhia das Letras, 2020;
A Vida Não é Útil. São Paulo: Companhia das Letras, 2020;
Lugares de Origem, com Yussef Campos. Editora Jandaíra, 2021;
Futuro Ancestral. São Paulo: Companhia das Letras, 2022;
O sistema e o antissistema: três ensaios, três mundos no mesmo mundo, 2021;
O lugar onde a terra descansa, 2000; e
Firmando o pé no território, 2020.
