“Quase todos vocês vão pegar, têm medo de quê? Enfrenta!”, diz Bolsonaro sob mais de 92 mil óbitos por covid-19 no Brasil

31/07/2020 0 Por Redação Urbs Magna

“É a vida! É a vida!”, disse o presidente a um grupo de apoiadores na tarde desta sexta (31) em Bagé – RS

Bolsonaro mostra caixa de cloroquina no aeroporto de Bagé Imagem: Reprodução (RBS TV)

O presidente da República Federativa do Brasil, Jair Bolsonaro (sem partido) lamentou as mortes por coronavírus no país, na tarde desta sexta (31), durante conversa com um grupo de apoiadores em Bagé, RS, dizendo: “lamento as mortes (…) É a vida, é a vida”, após dizer “Infelizmente, acho que quase todos vocês vão pegar um dia. Têm medo do quê? Enfrenta!

O chefe do Executivo esteve no município gaúcho, que é fronteiriço com o Departamento de Rivera, no Uruguai, para participar do lançamento de um condomínio popular. Em conversa com apoiadores, o presidente disse que “morre gente todo dia de uma série de causas, né?

Um vídeo postado nas redes sociais mostra o momento da fala de Bolsonaro:

“É maneira de falar: ‘tô mofado, tô enferrujado’, tá? É maneira de falar. Sou um ser humano igual a você, igual a outro qualquer. Fiquei vinte dias em isolamento, não tive problema nenhum, zero… agora, eu nunca negligenciei, eu sabia que um dia ia pegar. Infelizmente, acho que quase todos vocês vão pegar um dia. Têm medo do quê? Enfrenta! Lamento, lamento as mortes, tá certo? Morre gente todo dia de uma série de causas, né? É a vida, é a vida. Minha esposa agora tá, depois de, não sei quanto tempo, quase um mês que eu peguei o vírus, agora pegou”, disse Bolsonaro.

Assista:

O Brasil registrou hoje 48.696 novos casos de coronavírus e já soma 2.662.485 contágios desde o início da pandemia do novo coronavírus. Mais 1.098 óbitos foram registrados nas últimas 24h e o número de mortos já chega a 92.475. Os recuperados somam 1.884.051 de pacientes que venceram a doença deixando um grupo de 685.959 casos ainda ativos, de acordo com os dados do site Worldometers.

O mundo inteiro tem 5.902.983 casos ativos e 11.145.530 foram recuperados de um total acumulado de 17.730.475 pessoas infectadas desde o surgimento do primeiro caso em Wuhan, na China. Hoje, foram registrados em todo o planeta mais 5.999 novos óbitos atualizando o total para 681.962. Mais 266.978 casos novos foram contabilizados.

A China, onde foi dado o pontapé inicial do pânico com o novo coronavírus, mantém uma estabilidade relativa, tendo registrado, para a mesma data dos dados supracitados, o surgimento de 127 novos casos, mais 105 ontem e outros 101 há dois dias atrás. Contudo, não há apontamentos para óbitos neste período e a República Popular mantém 84.060 casos totais de contágios, dos quais 4.634 morreram.

A Itália, que também figurou com os mais comoventes enredos de fatalidades, registrou ‘apenas’ 18 mortes nos últimos 3 dias e acumula 35.141 óbitos desde o início da pandemia de coronavírus que infectou 247.537 de sua população.

As economias dos países da região das Américas não poderão se recuperar se a curva de transmissão de covid-19 não for controlada

Um relatório conjunto da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) e da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) publicado nesta quinta (30) aponta que se a curva de transmissão de covid-19 não for controlada na região das Américas, as economias dos países não se recuperarão.

Saúde e economia: uma convergência necessário para abordar o COVID-19 e retomar o caminho do desenvolvimento sustentável na América Latina e no Caribe“, intitula o relatório.

Vários países latino-americanos se tornaram o epicentro da pandemia de coronavírus”, aponta o documento que afirma que “a região é vulnerável devido aos altos níveis de informalidade do trabalho, urbanização, pobreza e desigualdade, e seus problemas sociais e de saúde, sistemas de proteção social, além de possuir grande população, grupos que vivem em condições vulneráveis ​​e que requerem atenção especial. (…) Na América Latina, os níveis de infecção continuam aumentando“.

O relatório afirma também que para controlar a pandemia e reabrir a economia os Estados devem demonstrar eficácia, dinâmica, liderança e administração através de planos nacionais que incorporam saúde, políticas econômicas e sociais, além de promover a recuperação e reconstrução econômica via aumento de gastos fiscais e públicos na ordem de 6% do PIB interno. O documento enfatiza que as medidas de distanciamento são extremamente necessárias para combater a pandemia com urgência e com proteção social suficiente para garantir renda, alimentação e o acesso das pessoas a serviços básicos.

A fase de reabertura econômica deve ser gradual e baseada em protocolos de saúde, diz o relatório, para que o vírus e sua propagação sejam controlados, protetendo trabalhadores, especialmente os da área da Saúde, sempre buscando minimizar o risco de contágio.

A Cepal e a Opas reforçam que os cuidados de saúde são direito humano fundamental e um bem público que deve ser garantido pelo Estado e que sistemas universais de acesso a cuidados e proteção social devem ser promovidos por meio de mudanças que requerem governança e financiamento apropriados priorizando populações que vivem em condições vulneráveis.

No texto do relatório, as organizações convidam todas as autoridades de Saúde, Economia e bem-estar social, líderes políticos, acadêmicos e membros da sociedade civil, para uma análise de implementação de diretrizes adaptadas às especificidades de seus países objetivando melhorar a resiliência da sociedade e a saúde e bem-estar da população.

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