📷 O Presidente Lula durante evento em Santa Catarina / Ao lado, print de matéria na Folha mostra o lado positivo do programa Pé-De-Meia | Imagens reprodução
| Brasília (DF)
26 de junho de 2026
Nesta sexta-feira (26/jun), a Folha de S. Paulo publicou que os dados do Censo Escolar de 2025 revelaram que a taxa de abandono no ensino médio das escolas públicas brasileiras caiu 34% em relação a 2023, atingindo o patamar de 2,5%, o que representa o menor nível registrado desde 2007, início da série histórica do MEC (Ministério da Educação).
Segundo o texto, o principal propulsor dessa melhoria foi o programa Pé-de-Meia, um incentivo financeiro voltado para estudantes de baixa renda matriculados no ensino médio público, mais uma medida do governo do Presidente Lula.
Além da queda na evasão durante o ano letivo, houve avanços expressivos em outros indicadores educacionais do país. A taxa de reprovação no ensino médio público despencou 44%, caindo de 5,7% para 3,2%. Paralelamente, o índice de distorção idade-série — que aponta o percentual de alunos com dois ou mais anos de atraso escolar — recuou de 24,3% em 2022 para 17,6% em 2025, enquanto o ensino fundamental também seguiu uma tendência de melhora significativa nas suas taxas.
Por outro lado, o avanço trouxe desafios orçamentários consideráveis para a gestão pública. O sucesso e a expansão do Pé-de-Meia fizeram com que o programa passasse a consumir cerca de dois terços de todo o orçamento discricionário (não obrigatório) do MEC.
Nos últimos meses, Lula tem questionado “quanto custa não fazer” o que ele faz – a marca de seu governo -, durante eventos relacionados a lançamento e/ou aperfeiçoamento de programas sociais, como justificativa às críticas dos adversários políticos.
O debate sobre o papel do Estado na promoção do bem-estar social frequentemente se resume a uma falsa dicotomia: gasto versus investimento. A pergunta que atravessa a política econômica brasileira, no entanto, deveria ser outra: quanto custa não fazer o que o governo Lula está fazendo?
Durante uma entrevista concedida aos jornalistas Leandro Demori e Eduardo Moreira, fundador do ICL Notícias, no Palácio do Planalto, em abril deste ano, Lula afirma que a direita ou as elites acham fácil governar focando apenas em 35% da população (as classes mais abastadas), tornando os mais pobres invisíveis e interrompendo as redes de inclusão social criadas por seu partido.
Ele argumenta que os avanços contra a fome e na economia conquistados em seus mandatos anteriores foram desfeitos após o golpe 2016 disfarçado de impeachment de Dilma Rousseff, gerando o que chamou de “retrocesso muito grande”.
E desabafa sobre a frustração de estruturar o país para erradicar a fome e, após a saída do PT, ver a fome retornar e ter que reiniciar o processo de reconstrução do zero.
Lula disse que, em 2003, havia uma percepção de que o Brasil estava quebrado, “mas conseguimos consertar o país, controlar a inflação, crescer economicamente e até emprestar 15 bilhões ao FMI, acumulando uma reserva de 270 bilhões de dólares. Governar agora é mais fácil para 35% da população”. E que “governar para 215 milhões é desafiador, apesar de parecer fácil governar para 35 milhões”.
Na ocasião, Lula disse que “os pobres nunca foram respeitados”.
Mas como seria o Brasil sem os programas sociais de Lula?
A resposta, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), do IBGE e do próprio governo federal, é alarmante. Sem os programas sociais que a extrema direita insiste em classificar como “gastos”, o Brasil seria um país muito mais pobre, desigual e faminto.
O que está sendo investido
O Orçamento de 2026, sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 15 de janeiro, é o maior da história do país: R$ 6,54 trilhões. Desse total, R$ 300 bilhões estão destinados a programas sociais, o maior volume já registrado.
Não se trata de um “gasto” aleatório, mas de uma escolha política explícita: fazer o país crescer de baixo para cima, priorizando a redução da pobreza, o estímulo ao consumo popular e a inclusão produtiva.
Os números são expressivos. O Bolsa Família, carro-chefe da política de transferência de renda, tem R$ 159 bilhões em 2026, suficientes para atender 19,9 milhões de famílias, com benefício médio de R$ 671. O Benefício de Prestação Continuada (BPC), que garante renda a idosos e pessoas com deficiência, tem R$ 122,4 bilhões – um aumento nominal de 7,7% em relação a 2025, segundo a peça orçamentária. Já o Programa de Alimentação Escolar (PNAE) dispõe de R$ 12 bilhões e deve alcançar 4 milhões de estudantes. O Gás do Povo e o Luz do Povo, criados em 2025, somam um alívio de R$ 15,5 bilhões no bolso de famílias de baixa renda em 2026.
O impacto real: menos pobreza, menos desigualdade
Esses números não são abstratos. Eles se traduzem em vidas transformadas. Estudo inédito do IPEA, publicado em novembro de 2025, revelou que a pobreza e a desigualdade no Brasil atingiram em 2024 os menores níveis em 30 anos. A renda média mensal por pessoa cresceu quase 70% entre 1995 e 2024, chegando a R$ 2.015.
O coeficiente de Gini, que mede a desigualdade, caiu 18% no mesmo período, e a taxa de extrema pobreza despencou de 25% para menos de 5%. Segundo os pesquisadores do IPEA, a melhora do emprego e a expansão dos programas sociais tiveram igual contribuição para esses resultados.
Dados do IBGE corroboram a análise. Entre 2023 e 2024, 8,6 milhões de brasileiros deixaram a pobreza, enquanto 1,9 milhão superaram a extrema pobreza. A taxa de desemprego atingiu 5,4% no trimestre encerrado em outubro de 2025, a menor da série histórica, e a renda média do trabalho chegou a R$ 3.528, o maior valor já registrado.
O Brasil que não foi
Para entender o que está em jogo, basta imaginar o cenário contrário. Segundo cálculos do IBGE, sem as políticas de transferência de renda, a taxa de extrema pobreza no Brasil seria quase três vezes maior, saltando de 3,5% para 10%. No caso da pobreza, a proporção subiria de 23,1% para 28,7%. Em outras palavras: sem o Bolsa Família e o BPC, mais de 10 milhões de brasileiros estariam na miséria.
A história recente do Brasil já mostrou o que acontece quando esses programas são desmontados. O país saiu do Mapa da Fome da ONU em 2014, mas retornou a ele no triênio 2018/2019/2020, justamente no período de desmonte de políticas sociais e austeridade fiscal. A fome voltou a atingir 33 milhões de pessoas. Não se trata, portanto, de uma especulação, mas de uma experiência real.
Investimento social como motor de crescimento
Economistas e analistas de políticas públicas ressaltam que o aumento dos investimentos sociais não deve ser visto como despesa, mas como alavanca para o desenvolvimento econômico. O Ministério da Fazenda destaca que a expansão fiscal de 2023 foi direcionada sobretudo a gastos sociais e investimentos, com efeitos multiplicadores diretos sobre a renda e o consumo.
O PIB brasileiro cresceu 3,2% nos quatro trimestres encerrados em junho de 2025, impulsionado pelo aumento da massa salarial real e das transferências de renda. A valorização do salário mínimo, que subiu de R$ 1.518 para R$ 1.621 em 2026 com ganho real acima da inflação, também é um fator central nessa equação.
O debate, portanto, não é entre gastar ou não gastar. É entre investir no presente e no futuro da população ou pagar o preço, sempre mais alto, da fome, da exclusão e da violência que a desigualdade extrema produz. A escolha do governo Lula, expressa no orçamento de 2026, é clara.
Cabe à sociedade julgar se o custo de não fazer o que está sendo feito é um preço que ela está disposta a pagar.
O Ministério do Planejamento reforçou que o Orçamento de 2026 foi elaborado em total conformidade com o Regime Fiscal Sustentável, com meta de resultado primário de R$ 34,2 bilhões e limitação do crescimento das despesas a 2,5%.
Apesar da dívida pública crescente, a decisão sobre qual caminho é “melhor” aponta para outro governo Lula. Isso não envolve apenas avaliação do passado, mas também projeções sobre o futuro e uma ponderação sobre outras políticas e valores que vão além da questão fiscal.
Qual caminho é melhor para o bem-estar do povo?
A análise dos dados existentes mostra que o governo Lula apresenta resultados superiores nos indicadores que impactam diretamente a vida da maioria dos brasileiros: geração de empregos, aumento da renda, combate à pobreza e à fome, e redução da desigualdade. Além disso, suas políticas de proteção ambiental e de direitos humanos contrastam fortemente com o desmonte e o retrocesso observados no governo anterior.
Apesar dos avanços, o Brasil ainda é um país com alta desigualdade, e o governo Lula enfrenta desafios, como a popularidade que não reflete totalmente os bons números econômicos. No entanto, a comparação dos resultados concretos oferece um parâmetro para avaliar o impacto de diferentes projetos de país sobre a vida das pessoas.
Em resumo, enquanto o governo Bolsonaro foi marcado pelo aumento da pobreza, do desemprego e do desmatamento, o governo Lula tem apresentado melhorias consistentes em áreas fundamentais para o bem-estar da população.
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