Eny Moreira, “uma importante advogada de presos políticos na ditadura“, fala sobre “como ficou o corpo de Aurora do Nascimento, 26 anos, morta por torturas impostas por militares na prisão” – DEPOIMENTO CHOCANTE
“Quando um FDP qualquer vier postar chamando o Brasil de hoje de “ditadura”, porque delinquentes estão sendo investigados e condenados por seus crimes, mostrem para eles o que é ditadura de verdade, esfreguem na cara, feita por aqueles que eles queriam que dessem um golpe em 2022“, diz o jornalista Fernando Boscardin ao compartilhar um vídeo de um depoimento que contém uma advertência “chocante”.
Boscardin repostou imagens publicadas pelo perfil ‘Jurunense‘ na plataforma social de microblogging ‘X‘, com o depoimento dado aos prantos por Eny Moreira, que “foi uma importante advogada de presos políticos na ditadura“.
Eny Raimundo Moreira, que faleceu em 2022, era militante dos direitos humanos e defendeu presos políticos durante o regime militar. A advogada fotocopiou os processos do Superior Tribunal Militar entre 1964 e 1979, aproveitando que a lei permitia que os advogados estudassem os processos durante 24 horas, conforme mostrou o portal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).
Ela foi a criadora do ‘Comitê Brasileiro pela Anistia‘, tendo sido uma figura central do projeto ‘Brasil Nunca Mais‘, a mais ampla pesquisa realizada pela sociedade civil sobre a tortura política no país, que, em 1985, expôs a gravidade das violações aos direitos humanos promovidas pela repressão política durante a ditadura militar.
Em abril de 2019, Eny participou pela última vez de um evento presencial na OABRJ, quando foi rememorada a resistência da classe ao regime militar. O vídeo abaixo, compartilhado pelos perfis no ‘X‘, é de 2012, que foi registrado durante um emocionante depoimento à ‘Comissão da Verdade‘.
Nas imagens, Eny contou que foi a primeira pessoa a ver o corpo da militante Aurora Maria Nascimento Furtado, morta logo após ser presa, em novembro de 1972. A jovem de 26 anos estava mutilada e deformada pelas torturas, o que contrariava a versão apresentada pelos órgãos de segurança, de que ela teria morrido após ser baleada durante uma tentativa de fuga.
“ÓDIO E NOJO“, disse o perfil ‘Jurunense‘, ao compartilhar o vídeo.
Assista a seguir:
AVISO: Depoimento chocante
— Jurunense (@o_jurunense) March 31, 2024
Eny Moreira foi uma importante advogada de presos políticos na ditadura. Neste vídeo ela conta, muito emocionada, como ficou o corpo de Aurora do Nascimento, 26 anos, morta por torturas impostas por militares na prisão.
ÓDIO E NOJO#DitaduraNuncaMais pic.twitter.com/67snOAIwnn
Aurora Maria Nascimento Furtado era ativa militante do movimento estudantil nos anos 1967–68, estudava psicologia na Universidade de São Paulo e colaborava na imprensa da União Nacional dos Estudantes (UNE), de São Paulo. Trabalhou como bancária na agência do Banco do Brasil, no bairro do Brás. Após a implantação do AI-5, passou a atuar politicamente na clandestinidade, diz registro no portal da ‘Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos‘.

Aurora Maria Nascimento Furtado | divulgação
Segundo o texto, ela sofreu torturas no pau-de-arara, sessão de choques elétricos, somados a espancamentos, afogamentos e queimaduras e, ainda foi submetida ao suplício da “Coroa-de-cristo”, uma tira de aço com parafusos colocada em volta da cabeça que gradativamente apertada leva ao esmagamento do crânio fazendo os olhos saltarem para fora das órbitas.
Opinião dos brasileiros sobre a ditadura militar
De acordo com o Instituto ‘Datafolha‘, neste domingo (31/3), ano do aniversário do Golpe de 1964, 53% de 2.022 pessoas pesquisadas em 147 cidades entre 19 e 20 de março não veem chance de uma volta da ditadura no Brasil, mas outros 20% acreditam, enquanto 22% acham que há pouco risco de retrocesso democrático.
No sábado, o ‘Datafolha‘ mostrou que 63% desprezam a data do golpe militar, 28% veem motivo para comemoração e 9% não souberam responder.
Na sexta-feira, o Instituto mostrou outra pesquisa indicando que 63% são contra a anistia para responsáveis pelo ‘8 de Janeiro‘, quando manifestantes bolsonaristas golpistas terroristas invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília.
Na ocasião, os desordeiros reagiram à derrota do então candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), para o hoje Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que ajudou a fundar o maior partido de esquerda da América Latina, visto como o que mais defende direitos das classes menos favorecidas.
Na mesma pesquisa, 65% consideraram o quebra-quebra um ato de vandalismo. Outros 30% opinaram que as depredações foram uma tentativa de golpe.
