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Putin e Lula se falam por telefone, mas não irão à conferência de paz de alto nível sobre a Ucrânia

    Suíça realiza encontro para tentar garantir “formas de alcançar uma paz abrangente, justa e duradoura para a Ucrânia (…) e “um roteiro concreto para a participação da Rússia no processo de paz”

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    O Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), recebeu, nesta segunda-feira (10/6), uma ligação do presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, e ambos discutiram a situação do conflito na Ucrânia. Os dois líderes mundiais falaram sobre a próxima conferência de paz de alto nível, a se realizar na Suíça.

    O país europeu havia anunciado, em abril, que realizaria um encontro para tentar garantir “formas de alcançar uma paz abrangente, justa e duradoura para a Ucrânia, de acordo com o direito internacional e a Carta da ONU. Seu objetivo é criar um entendimento comum de uma estrutura favorável a esse propósito e um roteiro concreto para a participação da Rússia no processo de paz.”

    Em 6 de abril, Zelensky declarou que esperava que ele e a presidente suíça Viola Amherd marcassem uma data para a cúpula, que deve ser realizada no hotel cinco estrelas Bürgenstock, próximo a um lago chamado Lucerna, na região central da Suíça. Antes, o país conversou com as nações membros do G7, a UE, China, Índia, África do Sul, Brasil, Etiópia e Arábia Saudita.

    De acordo com as agências de notícias da Rússia, o Presidente Luladelineou o seu desejo de contribuir na busca de opções para uma resolução pacífica do conflito na Ucrânia, o que se reflete na conhecida iniciativa conjunta do Brasil e da China neste sentido”.

    Segundo as mídias locais, o Camboja, México e Nicarágua não têm planos de enviar delegações à chamada cimeira de paz, que terá lugar na Suíça de 15 a 16 de junho. Um jornal russo disse que ministério das Relações Exteriores nicaraguense descreveu o encontro como uma “farsa política” para “apresentar outro ultimato à Rússia”.

    Lula havia sido convidado, mas se recusou, alegando que não faria sentido um encontro com apenas o lado ucraniano”, explica o jornalista do ‘UOL‘, Jamil Chade. “O Brasil nem sequer enviará seu chanceler Mauro Vieira ou o assessor especial Celso Amorim. A representação brasileira ficará por conta da embaixada do país em Berna, o que demonstra a pouca importância política que o governo dará ao evento“, escreve.

    Mesmo assim, Zelensky conta com a “participação de 80 a 100 países” que ele acredita que tentarão “forçar a Rússia a uma paz justa”. Putin havia sinalizado desde o início que não estava interessado dizendo que a reunião é “inútil” e está fadada ao fracasso se não levar em conta seus interesses. Segundo Moscou, a reunião é um estratagema usado pelo Ocidente para tentar angariar apoio internacional para a Ucrânia entre o Sul Global.

    Segundo o texto de Chade, o governo brasileiro também teme que o encontro sirva apenas para chancelar uma posição de Zelensky, que não aceita qualquer negociação enquanto as tropas russas estejam em território ucraniano. O Palácio do Planalto emitiu um comunicado dizendo que, “sobre a Ucrânia, Presidente Lula reiterou a defesa de negociações de paz que envolvam os dois lados do conflito, em linha com documento assinado pelos assessores presidenciais Celso Amorim e seu homólogo chinês Wang Yi“.

    O documento entre Brasil e China sugere uma desescalada do conflito e uma negociação que envolva tanto Kiev como Moscou. O acerto foi realizado depois de uma reunião em Pequim entre Wang Yi, ministro das Relações Exteriores da China, e Celso Amorim, no mês passado, defendendo participações da Rússia e Ucrânia, a troca de prisioneiros e condenando uso de armas nucleares. Para o governo brasileiro, só a China pode influenciar a Rússia.

    O plano Brasil/China visa a desescala do conflito, a realização de uma conferência de paz com russos e ucranianos, a troca de prisioneiros, a rejeição ao uso de armas nucleares e a evitar a divisão do mundo em blocos, enfatizando a cooperação internacional em várias áreas. O posicionamento brasileiro irritou os ucranianos, que passaram a acusar frontalmente o governo Lula de estar se “aliando” aos russos.

    Na conversa desta segunda-feira, o Planalto indicou que “o presidente Lula reforçou, ainda, a necessidade de uma ampla reforma do sistema de governança global, a ser debatido no âmbito do G20, que reflita os novos arranjos geopolíticos mundiais e reforcem o papel das Nações Unidas como espaço de concertação para a prevenção de conflitos“. Ainda no ano passado, Putin afirmou a interlocutores brasileiros que não poderia aceitar a proposta de Kiev, já que ela representaria uma capitulação. Já Lula afirmou ao presidente ucraniano que não existiria a possibilidade de um acordo unilateral para acabar a guerra.

    Durante a ligação, Putin ainda “expressou sua solidariedade com as vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul“. O governo do Brasil disse também que “os presidentes conversaram sobre cooperação econômica bilateral e sobre governança multilateral“, indicando que Putin recordou a visita recente da presidenta do NDB (Novo Banco de Desenvolvimento) do BRICS, a ex-pesidenta do Brasil, Dilma Rousseff, ao Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo. Os presidentes também discutiram a recém-concluída viagem do vice-presidente Geraldo Alckmin à China para participar da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação.

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