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‘PT do Reino Unido’ pinta ilha de vermelho e manda embora conservadores após 14 anos de apostas no Brexit e na austeridade

    O Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), se encontrou com o líder do Partido Trabalhista britânico, Keir Starmer, em 2023, durante a Expo City Dubai

    “Foi uma avalanche“, como dizem os britânicos e também reproduziu no Globo o jornalista Bernardo Mello Franco. A seção de humor do jornalão, que “perde os amigos, mas não a piada“, disse que, agora, “bolsonaristas“ recomendam novo país: ‘Vai pra Inglaterra’“

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    Após o Partido Trabalhista da Inglaterra vencer o Partido Conservador, na sexta-feira (5/7), por 33,9% a 23,7% dos votos, a seção de humor do jornal O Globo (o Sensacionalista) afirmou que, agora, os bolsonaristas têm um novo país para recomendar aos seus opositores “comunistas“, em sugestiva mudança de residência. Paralelamente, o jornalista Bernardo Mello Franco argumenta sobre a conquista de 412 das 650 cadeiras do Parlamento, em nome do novo premiê Keir Starmer. Leia a seguir:

    ‘Partido Trabalhista vence e bolsonaristas gritam: ‘Vai pra Inglaterra’“, escreveu o Sensacionalista, no título da zoeira: “Com a vitória esmagadora do Partido Trabalhista na Inglaterra, muitos bolsonaristas trocaram Cuba por Londres no famoso grito de guerra. Mas a primeira mesmo a se animar a fazer as malas para o Reino Unido após a vitória do “PT” de lá foi a Odebrecht”, prosseguiu.

    “Entre as promessas de campanha do Partido Trabalhista estavam o direito a três refeições por dia — desde que não fossem da temida cozinha britânica. O novo primeiro-ministro Keir Starmer disse que primeiro vai se dedicar às prioridades: escolher quem vai interpretá-lo no seriado The Crown“, finalizou o editorialista de humor do “jornal isento de verdade“.

    A notícia séria, pra valer

    Já Mello Franco disse, agora valendo, que a vitória do PT inglês “foi uma avalanche” e que após “14 anos na oposição, o Partido Trabalhista festejou uma vitória histórica no Reino Unido“. Segundo o jornalista, “a centro-esquerda voltou ao poder com uma supermaioria“, conquistando “412 cadeiras, quase dois terços da Câmara dos Comuns“.

    Nas redes sociais, o Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), saudou o “novo primeiro ministro eleito do Reino Unido pelo Partido Trabalhista” e desejou-lhe “um ótimo mandato“. O estadista brasileiro acrescentou: “Conte com o Brasil para o fortalecimento dos laços diplomáticos entre nossos países, o desenvolvimento sustentável e o fortalecimento da democracia“.

    Lula postou uma imagem capturada por seu fotógrafo pessoal, Ricardo Stuckert, ao lado de Starmer, por ocasião do encontro de ambos, no ano passado, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, durante o evento “Expo City Dubai“.



    “As manchetes parecem sugerir que a ilha se pintou de vermelho“, escreve Mello Franco. Mas, segundo o jornalista, “não foi bem assim“, pois, “apesar do triunfo, os trabalhistas receberam 500 mil votos a menos que na última eleição“. Segundo ele, “o que definiu o resultado foi a derrocada do Partido Conservador, de direita. Sua votação despencou de 44% para 24% em cinco anos“.

    Leia os principais argumentos, na sequência:

    A bancada conservadora encolheu de 372 para 121 cadeiras no pior desempenho em quase dois séculos. O primeiro-ministro Rishi Sunak admitiu a derrota e reconheceu a raiva dos britânicos em relação ao seu partido, pedindo desculpas em seu discurso de despedida. A saída melancólica de Downing Street encerrou um ciclo de crises e eleições, marcado pelo fracasso do Brexit e da austeridade econômica, resultando em estagnação e impopularidade.

    Em 2016, os britânicos decidiram deixar a União Europeia, acreditando que isso traria de volta a glória do Império Britânico. No entanto, a saída resultou em consequências desastrosas, incluindo o aumento da inflação, desvalorização da libra e a perda de influência do Reino Unido no cenário internacional. Os conservadores adotaram um programa econômico ultraliberal, resultando em cortes de impostos, enxugamento do Estado e déficit fiscal reduzido. No entanto, os serviços públicos, particularmente o sistema de saúde, sofreram significativamente, com longas filas de espera por atendimento e falta de investimentos e mão de obra nos hospitais.

    Quando Cameron assumiu o cargo, 70% dos britânicos estavam satisfeitos com o sistema NHS; no entanto, no ano passado, a aprovação caiu para 24%, devido ao sucateamento que afetou a classe média e os mais pobres, que já sofriam com o aumento do custo de vida. Parte do eleitorado migrou para a extrema direita liderada por Nigel Farage, cujo Partido Reformista obteve 14% dos votos, resultando em apenas cinco cadeiras no Parlamento, mas foi determinante para a ruína dos conservadores.

    Diante da derrota iminente, Sunak tentou uma guinada nacionalista, anunciando um plano para capturar e despachar imigrantes para Ruanda, que acabou expondo o desespero do premiê. A vitória trabalhista de Keir Starmer o consagrou como um político pragmático e centrista. Após assumir a liderança do partido, ele fez um expurgo na ala mais à esquerda e evitou temas polêmicos durante a campanha. Na véspera da eleição, ele mudou sua posição sobre o Brexit, descartando uma volta ao bloco europeu.

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