📷 O presidente da Argentina Javier Milei durante a convenção do PL no sábado (25/07) |•| AFP via Getty Images |•| URBS MAGNA
| Brasília (DF)
29 de julho de 2026
O presidente da Argentina, Javier Milei, tornou-se alvo de denúncias no Brasil e em seu próprio país após sua participação na convenção nacional do PL que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
O Partido dos Trabalhadores (PT) acionou nesta segunda-feira (27) a Procuradoria-Geral da República (PGR) para apurar suposta ingerência externa indevida no processo eleitoral brasileiro.
A legenda quer saber quem custeou a viagem de Milei ao Brasil — incluindo passagens, hospedagem, segurança e logística — e se houve uso de estruturas estatais brasileiras e argentinas para promover a candidatura de Flávio.
Segundo a denúncia do PT, Milei “não se limitou a comparecimento protocolar ou saudação diplomática” em sua agenda pelo Brasil.
“Ao contrário, proferiu discurso de explícito conteúdo eleitoral, no qual afirmou que apenas Flávio Bolsonaro poderia ‘parar Lula’, formulando, em substância, pedido de voto em favor do pré-candidato”.
A federação formada por PT, PV e PCdoB também pede que a Procuradoria-Geral Eleitoral investigue o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A crise diplomática
O discurso de Milei na convenção, no sábado (25/jul) no Centro de Convenções do Pacaembu, foi marcado por ataques diretos.
Ele chamou o presidente Lula (PT) de “presidiário” e o ministro do STF Alexandre de Moraes de “lixo careca”, em referência à negativa do magistrado para que o líder argentino visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro.
As declarações geraram reação do governo brasileiro. O presidente do STF, Edson Fachin, classificou as falas como incompatíveis com as relações entre Estados soberanos.
O Itamaraty convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos . A Casa Rosada, no entanto, descartou qualquer pedido de desculpas.
Denúncia na Argentina
Simultaneamente, Milei enfrenta uma denúncia na Justiça Federal argentina.
Os advogados José Lucas Magioncalda e Juan Martín Fazio protocolaram uma ação criminal contra o presidente por malversação de recursos públicos e descumprimento dos deveres de funcionário público.
A acusação sustenta que Milei utilizou o avião presidencial, a comitiva oficial e recursos do Tesouro argentino para participar de um evento partidário no Brasil, o que configuraria desvio de finalidade dos gastos públicos.
“Os recursos estatais foram desviados para satisfazer os interesses de uma facção política, causando graves danos às relações diplomáticas bilaterais”, afirma a denúncia.
O papel de Tarcísio de Freitas
A denúncia do PT também mira o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que recebeu Milei no Palácio dos Bandeirantes horas antes da convenção e concedeu ao argentino a Ordem do Ipiranga, maior honraria do estado.
Para os partidos, a cerimônia oficial e o ato político subsequente “embaralham as fronteiras entre agenda diplomática, estrutura administrativa e campanha eleitoral”.
A PGR ainda não se manifestou sobre a abertura de investigação.
Na Argentina, a Justiça Federal avalia se há elementos para instaurar um inquérito contra Milei.
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Porquê os meios de comunicação não falam que o Sr Milei serviu de porta voz da turma presente ao evento?