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Por que o PT foi o que mais cresceu enquanto outros partidos perderam 203 mil filiados em 2025?

    As estratégias de mobilização petista que desafiaram a tendência de evasão massiva nas siglas nacionais impactando diretamente o futuro eleitoral de 2026; entenda por que se filiar a um partido, os dados históricos e as implicações para a democracia brasileira

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    Lula e
    Lula e Dilma em congresso do PT em novembro de 2019 / Foto: Reuters/N. Doce
    RESUMO

    Em 2025, partidos brasileiros perderam 203 mil filiados, mas o PT cresceu 24.683, impulsionado por campanhas e mobilização lulista. Histórico do TSE mostra flutuações: MDB de 2,4M (2019) para 2M; PT estável em 1,6M; PL explodiu pós-Bolsonaro, mas retraiu. Filiação permite candidaturas e engajamento; PT, PDT e PSDB mantêm fidelidade ideológica. Impacto para 2026: fortalecimento petista.


    Brasília (DF) · 18 de janeiro de 2026

    Em meio a um panorama de descrédito generalizado nas estruturas partidárias, o Partido dos Trabalhadores (PT) despontou como anomalia positiva em 2025, registrando um saldo líquido de 24.683 novos filiados, enquanto o conjunto das 30 legendas ativas no Brasil amargou uma perda coletiva de 203.206 membros.

    Esse contraste, divulgado neste domingo (18/jan) pelo blog Lauro Jardim no O Globo e corroborado por dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), reflete não apenas uma resiliência ideológica, mas também estratégias de captação que incluíram campanhas nacionais de filiação e a atração de bases mobilizadas pelo terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    Os motivos para esse crescimento singular do PT remontam a uma combinação de fatores. Analistas apontam para a vitalidade de um projeto político enraizado em pautas sociais e econômicas, que dialoga com segmentos populares em um contexto de recuperação pós-pandemia e reformas tributárias.

    Uma campanha nacional de filiação, encerrada em fevereiro de 2025, resultou em 341.315 novas inscrições, elevando o total interno para cerca de 2,9 milhões – embora os números oficiais do TSE registrem 1.673.623 filiados ao fim do ano, destacando discrepâncias entre cadastros partidários e validações eleitorais.

    Essa expansão, contudo, não foi isenta de controvérsias: relatórios internos revelaram questionamentos sobre inconsistências em 47 municípios, onde o número de filiados superou os votos obtidos nas eleições de 2024, conforme revelado pela Folha de S.Paulo. Apesar disso, o Processo de Eleição Direta (PED) de 2025 mobilizou mais de 548 mil votantes, o maior da história petista, reforçando a coesão interna.

    Para contextualizar essa trajetória, é essencial examinar a evolução numérica dos filiados em todos os partidos desde suas fundações até janeiro de 2026, com base em relatórios históricos do TSE.

    O MDB, fundado em 1980 como PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), iniciou com forte base e atingiu picos de 2,4 milhões em 2019, mas declinou para 2.030.607 em 2025, perdendo 36.220 membros no ano.

    O PT, criado em 10 de fevereiro de 980, começou com ideais trabalhistas e cresceu de 1,4 milhão em 2008 para 1,6 milhão em 2021, estabilizando-se em 1,67 milhão em 2025 após flutuações – um crescimento modesto, mas constante, impulsionado por momentos como a volta de Lula ao poder.

    Já o PSDB, de 1988, partiu de bases liberais e alcançou 1,4 milhão em 2019, mas encolheu para cerca de 1,3 milhão em 2025, com perda de 27.184 filiados.

    Outras siglas ilustram a volatilidade: o PP, herdeiro do Partido Progressista Brasileiro de 1995, variou de 1,3 milhão em 2020 para 1,2 milhão em 2025, com saldo negativo de 24.663.

    O PDT, fundado em 1979 por Leonel Brizola, manteve-se em torno de 1,1 milhão, mas perdeu 22.749 em 2025.

    Siglas menores como o Novo (criado em 2011) cresceram de 30 mil em 2022 para 72.056 em 2025, adicionando 8.093 membros, graças a expansão territorial.

    O Partido Liberal (PL), refundado em 2006 e associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, saltou de 806 mil em 2023 para 901 mil em 2024 (crescimento de 11,7%), e em novembro de 2025 registrou explosão de 20 mil filiações em 48 horas após a prisão de Bolsonaro, totalizando 895.129 – um pico ideológico, mas com retração anual líquida.

    Veja abaixo os números do comparativo entre janeiro e dezembro de 2025:

    Total: 16.306.125 → 16.102.919 (Redução de 203.206)

    PT : 1.648.940 → 1.673.623 (+ 24.683)
    Novo : 63.963 → 72.056 (+ 8.093)
    Unidade Popular : 9.992 → 12.309 (+ 2.317)
    Missão – 127
    PCO : 7.021 → 7.036 (+ 15)

    Rede : 55.940 → 55.786 (- 154)
    PSTU : 14.902 → 14.710 (- 192)
    PCB : 12.022 → 11.784 (- 238)
    O Democrata (ex-PMB): 55.894 → 54.919 (- 975)
    PSOL : 293.173 → 291.190 (- 1.983)
    Republicanos : 567.978 → 565.656 (- 2.322)
    PRTB : 147.407 → 144.532 (- 2.875)
    Democracia Cristã : 184.486 — 181.519 (- 2.967)
    PSD : 469.050 → 465.218 (- 3.832)
    PCdoB : 389.258 → 385.406 (- 3.852)
    Mobiliza : 212.104 → 208.208 (- 3.896)
    Agir : 199.739 → 195.711 (- 4.028)
    Avante : 247.754 → 243.504 (- 4.250)
    PL : 900.496 → 895.522 (- 4.974)
    Solidariedade : 382.147 → 376.193 (- 5.954)
    Cidadania : 423.438 → 416.826 (- 6.612)
    PV : 350.155 → 342.876 (- 7.279)
    PSB : 652.348 → 642.913 (- 9.435)
    Podemos : 812.697 → 799.916 (- 12.781)
    União Brasil : 1.095.175 → 1.074.822 (- 20.353)
    PDT : 1.104.570 → 1.081.821 (- 22.749)
    PP : 1.320.721 → 1.296.058 (- 24.663)
    PSDB : 1.296.315 → 1.269.131 (- 27.184)
    PRD : 1.321.151 → 1.292.479 (- 28.672)
    MDB : 2.066.827 → 2.030.607 (- 36.220)

    Historicamente, o total de filiados no Brasil oscilou: de 16,8 milhões em 2018 para 15,7 milhões em 2023, estabilizando em 16,1 milhões em 2025.

    A filiação partidária, conforme a Lei nº 9.096/1995, serve como pilar da democracia representativa, exigindo que partidos elaborem programas ideológicos respeitando soberania nacional e pluripartidarismo.

    Para o eleitor, oferece vantagens como participação em decisões internas, influência em convenções e possibilidade de candidaturas – além de engajamento cívico que fortalece a accountability.

    Para o partido, amplia a base de mobilização, legitima pautas e acessa recursos do Fundo Partidário (proporcional a votos, mas indiretamente beneficiado por filiados ativos). No entanto, sem filiação, cidadãos ficam alijados de processos eletivos diretos.

    PRA QUE SERVE SER FILIADO A UM PARTIDO

    A filiação partidária é o elo formal entre o cidadão e a estrutura de poder político. No Brasil, ela não é apenas um ato simbólico, mas uma condição de elegibilidade: ninguém pode ser candidato a nada sem estar filiado a um partido. 

    1. Para o Eleitor (Cidadão)

    A filiação transforma o eleitor de um espectador passivo em um agente interno do sistema político.

    Participação em Decisões Internas: 
    O filiado pode votar e ser votado em instâncias diretivas do partido. Isso significa ajudar a escolher quem será o presidente da legenda, o tesoureiro e os membros dos conselhos de ética.

    Influência em Convenções: 
    É nas convenções partidárias que se decide quais candidatos o partido lançará e quais coligações serão formadas. O filiado ativo influencia se o partido apoiará o Candidato A ou B, ou se terá candidatura própria.

    Possibilidade de Candidatura: 
    Conforme a Constituição Federal, a filiação é obrigatória para exercer a capacidade eleitoral passiva (o direito de ser votado). Sem ela, o cidadão está impedido de disputar eleições.

    Engajamento e Accountability: 
    Ao estar dentro do partido, o cidadão tem canais diretos para cobrar coerência dos parlamentares eleitos. Ele exerce o controle social (accountability) mais de perto, exigindo que o partido cumpra seu programa. 

    2. Para o Partido Político

    Para a legenda, o número e a qualidade de seus filiados determinam sua força e sobrevivência no cenário político.

    Base de Mobilização: 
    Filiados são os “soldados” da militância. Eles organizam eventos, espalham as ideias do partido nas redes sociais e trabalham voluntariamente em campanhas, reduzindo custos operacionais.

    Legitimação de Pautas: 
    Um partido com muitos filiados demonstra que suas ideias possuem respaldo social. Isso dá “peso” político na hora de negociar no Congresso ou em câmaras municipais.

    Recursos Financeiros: 
    Embora o Fundo Partidário seja distribuído principalmente com base na votação obtida para a Câmara dos Deputados, filiados ativos contribuem indiretamente. Eles atraem votos, o que aumenta a fatia do fundo no futuro. Muitos estatutos preveem contribuições mensais (cotas) dos filiados, gerando receita própria para a legenda. 

    A Consequência da Não-Filiação

    O cidadão que opta por não se filiar mantém seu direito ao voto, mas fica alijado (excluído) dos processos eletivos diretos. Isso gera um funil democrático:

    Ele pode escolher entre as opções apresentadas, mas não participou da escolha das opções.

    Ele perde a chance de renovar a política “por dentro”, deixando as decisões de cúpula nas mãos de grupos já estabelecidos (as chamadas “oligarquias partidárias”).

    Em suma, a filiação é a ferramenta que permite ao cidadão deixar de apenas “reclamar do sistema” para passar a “moldar o sistema”. Você pode consultar a situação de qualquer partido ou regras de filiação no site oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



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