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Proximidade de Trump com Bolsonaro preocupa áreas econômica, diplomática e o Palácio do Planalto

    O republicano venceu a democrata Kamala Harris e será no novo presidente dos Estados Unidos a partir de 20 de janeiro de 2025 – As preocupações da área econômica se devem ao aumento das tarifas de importação e à redução de impostos, com inflação e altos juros nos EUA, afetando o Brasil e outros países em desenvolvimento

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    Com a volta de Donald Trump à Casa Branca, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva teme um aumento do protecionismo nos Estados Unidos e a conexão dele com o bolsonarismo. O republicano se torna o presidente mais velho da história americana aos 78 anos.

    A vitória de Trump marca o retorno do republicano ao poder após quatro anos, quando perdeu para o democrata Joe Biden em 2020. É a segunda vez que um presidente volta ao cargo na história, depois de Grover Cleveland (1893-1897 e 1885-1889). Trump assume o cargo em 20 de janeiro de 2025. Ele terá nos dois primeiros anos de governo a Câmara e o Senado de maioria republicanas.

    Dias antes das eleições, o governo brasileiro acreditava que o protecionismo venceria, independentemente de quem ganhasse, Trump ou Kamala, mas a proximidade de Trump com Jair Bolsonaro gera preocupação nas áreas econômica, diplomática e no Palácio do Planalto.

    A oposição a Lula pode afetar projetos econômicos do Executivo, segundo assessores, devido à influência do bolsonarismo na percepção de Trump sobre Lula.

    Em entrevista ao canal francês TF1 na sexta-feira, Lula chegou a dizer que estaria “torcendo” para a democrata ganhar. Na ocasião, Lula disse que a possível vitória da sucessora de Joe Biden era importante “para o fortalecimento da democracia nos Estados Unidos”.

    Como eu sou amante da democracia, acho que é a coisa mais sagrada que nós humanos conseguimos construir para bem governar nosso planeta, eu obviamente fico torcendo para Kamala Harris ganhar as eleições“, declarou.

    A vitória de Trump gera preocupações econômicas devido ao aumento das tarifas de importação e à redução de impostos, o que pode provocar inflação e altos juros nos EUA, afetando diretamente o Brasil e outros países em desenvolvimento.

    O governo Lula pode retomar o princípio defendido por Joe Biden e os países do G20 de promover o crescimento econômico sustentável, que foi celebrado pelo Brasil anteriormente. Enquanto enxerga um cenário de incertezas nos EUA, o Brasil tenta se fortalecer, aproximando-se de parceiros fortes no cenário internacional. Um deles é a União Europeia (UE).

    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, viajou para a Europa em busca de destravar o acordo entre Mercosul e a UE, com a expectativa de fortalecer o Brasil no cenário global diante da guerra comercial entre EUA e China.

    Luis Otávio Leal, economista da G5 Partners afirmou em entrevista ao jornal O Globo que Trump prejudica a economia brasileira com suas políticas inflacionárias, que dificultam a queda de juros pelo Fed, resultando em um dólar forte, menor valorização do real e inflação elevada no Brasil.

    A imposição de tarifas elevadas nos produtos chineses pode desacelerar o crescimento da China e reduzir a demanda por bens brasileiros, afetando o real. O governo brasileiro busca pragmatismo dos EUA e pretende fortalecer as relações bilaterais, destacando o Brasil como um país de política externa neutra e economia complementar à americana.

    André Galhardo, consultor econômico da Remessa Online, afirma que a eleição americana afetará a economia global, incluindo a brasileira, destacando a necessidade de reduzir o avanço chinês e fortalecer a produção nacional. Ele observa que, enquanto Trump adota uma política econômica mais populista e truculenta, Kamala oferece uma abordagem diferente, gerando potenciais impactos na volatilidade do mercado.

    Ronaldo Carmona, professor de Geopolítica, aponta que existe um “consenso bipartidário” na estratégia de reindustrialização dos EUA, iniciada por Trump e ampliada por Biden, exemplificado pelo Inflation Reduction Act, um pacote de US$ 1,7 trilhão. Ele enfatiza a necessidade dos EUA superarem vulnerabilidades recentes e sugere que o Brasil deve desenvolver sua estratégia em função desse novo cenário geoeconômico, marcado por choques nas cadeias de valor e regressão na globalização.

    José Alfredo Graça Lima, embaixador com ampla experiência em negociações internacionais, afirma que a disputa entre EUA e China é suprapartidária e que a paralisação do Órgão de Apelação da OMC continuará. Ele destaca que o Brasil enfrentará déficit comercial com os EUA e será impactado por crises em setores sensíveis, como o siderúrgico.

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