Paralelamente, o presidente dos EUA enfrenta dissidência em seu próprio partido, devido ao recentes movimentos do republicano em relação à política externa, em especial sobre a Groelândia
Jack Smith afirmou em audiência que provas demonstram “além de dúvida razoável” que Donald Trump cometeu crimes para reverter as eleições de 2020 e obstruir justiça com documentos de Mar-a-Lago. Republicanos acusaram viés político, enquanto Smith defendeu a imparcialidade e alertou sobre erosão do estado de direito. Paralelamente, Trump enfrenta dissidência no partido devido a políticas externas controversas, como ameaças à Groenlândia..
Brasília (DF) · 22 de janeiro de 2026
Em uma audiência histórica no Capitólio, o ex-procurador especial Jack Smith prestou depoimento público pela primeira vez sobre suas investigações contra o presidente Donald Trump, afirmando categoricamente que as provas coletadas demonstram “além de qualquer dúvida razoável” que Trump se envolveu em atividades criminosas.
Realizada nesta quinta-feira (22/jan) pelo Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes, presidida pelo republicano Jim Jordan, a sessão destacou as acusações de interferência eleitoral em 2020 e manuseio ilegal de documentos classificados, enquanto republicanos questionavam o viés político das apurações.
Smith, que liderou duas investigações federais resultando em mais de 40 acusações criminais contra Trump, defendeu suas decisões com veemência. Em sua declaração de abertura, ele declarou:
“Eu me mantenho firme em minhas decisões como procurador especial, incluindo a decisão de apresentar acusações contra o presidente Trump. Nossa investigação desenvolveu provas além de qualquer dúvida razoável de que o presidente Trump se envolveu em atividades criminosas.”
Essa afirmação, reportada pela CNN, ecoou durante o testemunho, enfatizando que Trump orquestrou um “esquema criminoso” para reverter os resultados da eleição de 2020 e impedir a transferência pacífica de poder.
O foco inicial recaiu sobre os esforços de Trump para contestar a vitória de Joe Biden. Smith detalhou como as provas indicavam que Trump conscientemente promoveu alegações falsas de fraude eleitoral, culminando no ataque ao Capitólio em 6/jan de 2021.
“Nossa investigação revelou que Donald Trump é a pessoa que causou o 6 de janeiro, que era previsível para ele e que ele pretendia explorar a violência“, afirmou Smith rebatendo narrativas de que as ações do candidato derrotado eram meras contestações eleitorais legítimas, comparáveis a disputas passadas, insistindo que ultrapassavam os limites da lei.
No caso dos documentos classificados, Smith destacou que Trump reteve ilegalmente materiais sensíveis em sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida, incluindo informações de segurança nacional armazenadas em um salão de baile e banheiro.
“Trump obstruiu repetidamente a justiça para escondê-los”, disse Smith, segundo a Reuters, enfatizando que dois grandes júris independentes corroboraram as descobertas, e que a filiação partidária não influenciou as decisões: “Não tenho lealdades partidárias.”
Republicanos no comitê, incluindo Jordan e Darrell Issa, criticaram as investigações como uma “caça às bruxas” politicamente motivada, alegando que Smith visou indevidamente Trump durante sua campanha de 2024.
Jordan argumentou que as apurações continuavam um padrão de ataques contra Trump, desde o inquérito Mueller até impeachments. Em resposta, Smith alertou contra a erosão do estado de direito, afirmando em depoimento obtido pela NBC News: “Os americanos não devem tomar o estado de direito como garantido.“ Ele condenou narrativas falsas que minam a integridade das instituições judiciais.
Democratas, como Ted Lieu, usaram a sessão para ressaltar a gravidade das ações de Trump. Lieu questionou Smith sobre registros telefônicos de legisladores obtidos durante a investigação, com Smith defendendo a legalidade das medidas.
A audiência, transmitida ao vivo pela C-SPAN (assista abaixo), atraiu atenção imediata de Trump, que postou no Truth Social chamando o testemunho de “desastroso” e acusando Smith de viés, conforme relatado pelo POLITICO.
Smith reiterou que processaria um ex-presidente independentemente do partido, sublinhando a imparcialidade, conforme a CBS News, enquanto a PBS destacou seu aviso sobre ameaças a procuradores, ecoando preocupações com retaliações prometidas por Trump.
A audiência reforça debates sobre imunidade presidencial, especialmente após a Suprema Corte conceder ampla proteção a atos oficiais.
Analistas jurídicos, citados pela Associated Press, notam que o testemunho de Smith pode influenciar percepções públicas sobre a accountability de líderes, mesmo com as acusações descartadas após a reeleição de Trump.
DISSIDÊNCIA NO PARTIDO REPUBLICANO
Em seu próprio partido, Trump enfrenta uma crescente onda de dissidência dentro de seu próprio partido.
Controvérsias envolvendo ameaças à Groenlândia e ações militares na Venezuela têm levado senadores e deputados republicanos a romperem o silêncio, revelando fissuras que podem comprometer a agenda da Casa Branca e impactar as eleições de meio de mandato em novembro.
De acordo com uma reportagem do The Hill , as relações entre o Senado GOP e Trump estão tensas devido a controvérsias crescentes e temores eleitorais.
Um senador republicano, que pediu anonimato, afirmou que trabalhar com o presidente se tornou difícil, especialmente com sua aprovação econômica caindo para 40% e o apoio entre independentes atingindo apenas 30%.
Esses desacordos surgiram logo nas primeiras semanas de 2026, deixando alguns parlamentares atônitos.
A ameaça de tomar o controle da Groenlândia tem sido um ponto focal da rebelião. O The Guardian relata que congressistas republicanos criticaram a ideia como “absurda“, com pesquisas indicando que a maioria dos americanos se opõe à aquisição forçada.
O senador Thom Tillis, da Carolina do Norte, declarou em discurso no Senado, há uma semana: “O pensamento de que os Estados Unidos tomariam a Groenlândia, um território independente dentro do Reino da Dinamarca, é absurdo“.
Ele enfatizou que os groenlandeses eram historicamente pró-americanos até as recentes tensões.
Da mesma forma, o deputado Don Bacon, de Nebraska, alertou em entrevista ao jornal local que prosseguir com as ameaças poderia significar o fim da presidência de Trump.
“Se ele seguir adiante com as ameaças, acho que seria o fim de sua presidência. Ele precisa saber: a saída é perceber que os republicanos não vão tolerar isso e ele terá que recuar“, disse Bacon no sábado (17/jan).
O ex-líder republicano no Senado, Mitch McConnell, comparou a ação a um desastre maior que a retirada do Afeganistão sob Joe Biden, alertando para a destruição da confiança com aliados.
Outros nomes proeminentes se juntaram ao coro. A senadora Lisa Murkowski, do Alasca, durante visita a Copenhague na sexta-feira (16/jan) afirmou: “Esta senadora do Alasca não acha que é uma boa ideia, e quero construir sobre a relação que tivemos. A Groenlândia precisa ser vista como nossa aliada, não como um ativo“.
O senador John Kennedy, da Louisiana, chamou a invasão de “estupidez em grau armamentista” em entrevista à CNN, em 07 de janeiro, enquanto o deputado Mike Turner, de Ohio, destacou em post no X a importância das relações transatlânticas:
Não é apenas a Groenlândia. Na Venezuela, cinco senadores republicanos — Todd Young (Indiana), Lisa Murkowski (Alasca), Susan Collins (Maine), Rand Paul (Kentucky) e Josh Hawley (Missouri) — votaram com democratas em 08 de janeiro para avançar uma resolução de poderes de guerra que bloqueia ações militares sem aprovação congressional, conforme o PBS News .
Trump reagiu com críticas veementes aos dissidentes. Segundo o The American Prospect , o impacto dessas rejeições não é definitivo, mas a tendência é inegável, com possíveis resoluções semelhantes para Cuba e Colômbia.
Na Câmara dos Representantes, margens apertadas complicam a liderança do presidente da Câmara, Mike Johnson.
Economicamente, com pesquisas do WSJ (Wall Street Journal ) mostrando insatisfação com a economia, Trump tenta virar o jogo com populismo, ligando até para a senadora democrata Elizabeth Warren, segundo a CNBC. No entanto, nem todos os republicanos veem isso como salvação para as pesquisas baixas.
Em tom mais grave, a deputada Melanie Stansbury defendeu o impeachment de Trump pela segunda vez no ano, citando ameaças internas e externas, em vídeo no Facebook: “É hora de impeachment. Após um ano de ameaças em nosso solo e contra aliados — os republicanos finalmente falam abertamente sobre impeachment. Já era hora“.
Essa dissidência reflete uma manobra estratégica para distanciamento eleitoral, com o GOP temendo perdas no Congresso. Analistas apontam que, sem unidade, o legado de Trump pode se desfazer.

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