Protestos em Israel refletem clamor por cessar-fogo e segurança dos cativos, enquanto operação militar no enclave gera tensões
TEL AVIV, ISRAEL, 06 de setembro de 2025
Neste sábado (6/set), milhares de israelenses tomaram as ruas de Tel Aviv para exigir o fim da guerra na Faixa de Gaza e a libertação imediata dos reféns mantidos pelo Hamas há 700 dias.
🇮🇱 Thousands of Israelis took to the streets of Tel Aviv on Saturday evening demanding that the authorities end the war in the Gaza Strip and secure the release of hostages who have been held by Palestinian radicals for 700 days, a RIA Novosti correspondent reports. pic.twitter.com/7DEOoJnARN
— Маrina Wolf (@volkova_ma57183) September 6, 2025
As manifestações também expressaram forte oposição aos planos do Exército Israelense de intensificar operações na Cidade de Gaza, considerada o último reduto do movimento palestino.
Os manifestantes temem que a ofensiva coloque em risco a vida dos reféns, que ainda são considerados sobreviventes.
Os protestos em Tel Aviv foram marcados por um apelo emocional por um cessar-fogo. Cartazes exibiam fotos dos reféns, e famílias, como as do Fórum das Famílias dos Reféns, reforçaram a urgência de um acordo negociado.
“Estamos profundamente preocupados. Esta operação representa uma ameaça direta e imediata aos nossos entes queridos”, declarou o Fórum em comunicado.
A mobilização incluiu bloqueios de ruas e concentrações na Praça dos Reféns, onde cerca de 350 mil pessoas se reuniram para pressionar o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Operação na Cidade de Gaza Gera Controvérsia
A decisão do governo israelense de avançar com uma operação militar na Cidade de Gaza intensificou as tensões. O Exército Israelense justificou a ação como necessária para desmantelar o Hamas, mas a medida foi criticada tanto internamente quanto pela comunidade internacional.
O plano foi condenado por famílias dos reféns, que temem pela segurança dos cativos. O tenente-general Eyal Zamir, chefe do Estado-Maior do Exército, alertou que a ofensiva poderia ser arriscada, descrevendo-a como “o mesmo que cair em uma armadilha”.
Além disso, a ONU alertou para a crise humanitária em Gaza, onde mais de 64 mil pessoas morreram e a fome afeta 20% do território.
A recente divulgação de um vídeo pelo Hamas, mostrando os reféns Guy Gilboa-Dalal e Alon Ohel, aumentou a pressão sobre Netanyahu.
No vídeo, Gilboa-Dalal implora que o governo evite a ofensiva, enquanto Ohel, sequestrado em um festival de música, apareceu pela primeira vez desde o ataque de 7 de outubro de 2023.
Reações Internacionais e Contexto Humanitário
Líderes globais também se manifestaram. Na sexta-feira, o presidente da França, Emmanuel Macron, exigiu a “libertação imediata de todos os reféns” e lamentou os “700 dias de detenção em condições atrozes”, segundo postagens em sua conta na rede social X, onde escreveu em árabe.
Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu que alguns reféns podem ter morrido recentemente, estimando entre 20 e 30 sobreviventes, conforme noticiado pela AFP.
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A situação em Gaza permanece crítica. Um bombardeio israelense destruiu a Torre Mushtaha, na Cidade de Gaza, forçando deslocamentos em massa.
“Meu esposo viu os moradores jogando seus pertences dos andares superiores para escapar”, relatou Arej Ahmed, uma residente de 50 anos, à AFP.
A ONU reportou 42 mortes em ataques recentes, enquanto a escassez de alimentos e medicamentos se agrava.
Pressão sobre Netanyahu e Perspectivas de Negociação
As manifestações em Tel Aviv refletem a crescente insatisfação com Netanyahu, acusado por críticos de prolongar o conflito para manter sua coalizão com ministros ultranacionalistas, como Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, que defendem medidas extremas, incluindo a expulsão de palestinos de Gaza.
Enquanto isso, pesquisas indicam que a maioria dos israelenses apoia um acordo com o Hamas para encerrar a guerra.
Apesar de negociações mediadas por Catar, Egito e Estados Unidos terem resultado em um cessar-fogo em janeiro de 2025, com a libertação de 33 reféns, incluindo Romi Gonen, Emily Damari e Doron Steinbrecher, as conversas para uma segunda fase estão paralisadas.
O Hamas exige a retirada total de Israel de Gaza, enquanto Netanyahu insiste na desmilitarização do território.
A intensificação dos protestos ocorre em um momento de crescente pressão internacional.
A Alemanha suspendeu exportações de equipamentos militares para Israel, e a Comissão Europeia considera sanções devido à crise humanitária.
O Papa Leão XIV também fez um apelo por um cessar-fogo permanente, destacando a necessidade de ajuda humanitária e respeito ao direito internacional.
Os protestos em Tel Aviv não são isolados. A mobilização desta noite de 6 de setembro reuniu multidões expressivas, com drones capturando imagens da Praça dos Reféns lotada.
“350 mil pessoas exigiram um acordo para trazer os reféns para casa”, afirmou o usuário @IhabHassane. Contudo, tais números não foram verificados independentemente, e a situação permanece fluida, com risco de escalada militar.







