Manifestações contra crise econômica viram embate sangrento com o governo, gerando alertas internacionais e blackout na internet
Protestos no Irã, iniciados em 28/dez/2025 por inflação, viraram contra o regime, com violência em Teerã incluindo danos a propriedades, incêndios e ataques a bancos. Prefeito Alireza Zakani relatou assaltos a forças de segurança. Seis agentes mortos em Fars, mais de 100 oficiais mortos, 116 óbitos gerais, 120 feridos governamentais. Blackout de internet e repressão geram alertas dos EUA. Médicos descrevem hospitais lotados. Mercadores do bazar protestam. Regime promete defesa. Mais de 570 atos em 31 províncias.
Teerã · 11 de janeiro de 2026
Os protestos que assolam o Irã desde o final de dezembro de 2025 revelam um panorama de instabilidade profunda, com escalada de violência que resulta em danos materiais extensos e perdas humanas significativas.
Iniciados como reações à inflação galopante e ao colapso econômico agravado por sanções internacionais, os atos rapidamente evoluíram para demandas políticas contra o establishment clerical, desafiando a autoridade do regime em escala nacional.
Em Teerã, a capital, manifestantes provocaram estragos em propriedades públicas e privadas, incluindo incêndios em ônibus e caminhões de bombeiros, além de assaltos a bancos.
O prefeito local, Alireza Zakani, descreveu ataques coordenados contra instalações das forças de segurança em 8 de janeiro, destacando a intensidade dos confrontos.
A televisão estatal iraniana reportou vítimas sem especificar origens, enquanto a agência Fars anunciou, em 7 de janeiro, a morte de seis agentes na província meridional de Fars.
Relatos compilados indicam ao menos 120 agentes de segurança e funcionários governamentais feridos durante a turbulência.
Fontes internacionais corroboram e expandem esses dados. De acordo com a Al Jazeera, mais de 100 oficiais foram mortos em meio à repressão governamental, com protestos desafiando o blackout de internet imposto pelo regime.
A mesma rede reporta um total de pelo menos 62 óbitos desde 28 de dezembro, incluindo 14 membros das forças de segurança e 48 manifestantes. Já a AP News eleva o número global de mortes para 116, com ativistas destacando o foco em desafios à teocracia iraniana.
A BBC reportou que médicos em hospitais sobrecarregados descrevem cenas de caos, com mais de 70 corpos chegando a uma única unidade, e centenas de feridos ou detidos em todo o país.
A Reuters enfatiza que os protestos, os maiores em pelo menos três anos, espalharam-se por todas as 31 províncias, com o exército prometendo defender “interesses nacionais” após alertas dos Estados Unidos contra repressão excessiva.
Vídeos divulgados pela BBC capturam multidões em Teerã e outras cidades clamando pela derrubada do líder supremo, Ayatollah Ali Khamenei, e o retorno de Reza Pahlavi, filho do xá deposto.
“Em isolamento, nunca floresceremos”, afirmou um jovem de Teerã ao The Guardian, ecoando frustrações com padrões de vida em colapso e aspirações por mudança radical.
Direitos humanos são outro eixo: o The Guardian relata mais de 570 protestos registrados pela Human Rights Activists News Agency, com forças de segurança matando ao menos 45 pessoas desde o início das ações, em 28 de dezembro.
O regime responde com promessas de retaliação do Irã, de contra-atacar se os EUA intervirem, conforme a Reuters.
O Al Jazeera destaca o envolvimento histórico dos mercadores do bazar, outrora leais, agora fechando lojas em solidariedade, como visto em imagens de 6 de janeiro.
Esse contexto econômico subjacente – inflação e isolamento – amplifica a crise, com o líder supremo sinalizando repressão intensificada.
Os eventos sublinham uma conjuntura volátil, onde demandas por reformas colidem com táticas autoritárias, atraindo escrutínio global.
Observadores internacionais, incluindo grupos de direitos humanos, condenam o uso de força letal e o corte de comunicações, prevendo possíveis escaladas se a instabilidade persistir.

SIGA NAS REDES SOCIAIS

![]()
Compartilhe via botões abaixo:

