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Ciclistas nus, homens e mulheres, protestam em frente ao serviço de imigração dos EUA (vídeo)

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    Centenas de ciclistas nus ou seminus protestam em frente ao departamento de Imigração, em Portland, Oregon, nos EUA |12.10.2025| Imagem reprodução redes socais.


    Manifestação em Portland contra militarização de Trump levou milhares a desafiarem as tropas federais, mesmo sob chuva incessante, para denunciar abusos contra imigrantes e indígenas – ASSISTA



    Brasília, 12 de outubro 2025

    Em meio à chuva incessante que castiga as ruas de Portland, no estado de Oregon, centenas de ciclistas nus ou seminus (assista ao vídeo no final da matéria) transformaram o domingo (12/out) em um espetáculo de resistência e ironia contra as políticas do presidente Donald Trump.

    O que começou como um “passeio de bicicleta nu de emergência” organizado pelo grupo World Naked Bike Ride Portland, em parceria com coletivos como Rainbow Bloc, Revoke the ICE Permit PDX e NakedHearts:PDX, evoluiu rapidamente para uma manifestação massiva em frente às instalações do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA), no sul da cidade.

    Milhares de participantes, muitos fantasiados com trajes criativos como ursos de pelúcia ou personagens de desenhos animados, se uniram ao protesto original, desafiando a narrativa de “caos” pintada pelo governo federal.

    O evento, marcado para as 14h30 no Oregon Convention Center Plaza, no nordeste de Portland, visava destacar a vulnerabilidade dos corpos em meio à militarização da cidade e aos danos contínuos às comunidades imigrantes e indígenas, conforme postagens conjuntas dos organizadores no Instagram.

    “A vulnerabilidade dos corpos não poderia ser mais explícita do que ver nossos vizinhos sequestrados das ruas enquanto os manifestantes no ICE sofrem brutalidades”, declarou o grupo em comunicado, ecoando o espírito de protestos anuais que, desde 2004, celebram a positividade corporal, os direitos dos ciclistas e a crítica ao uso excessivo de combustíveis fósseis.

    Desta vez, o foco era direto: contestar o envio de 200 tropas da National Guard federalizada, uma medida bloqueada temporariamente por uma juíza federal, mas sob apelação urgente no 9º Circuito da Corte de Apelações dos EUA.

    Às 16h15, o pelotão de ciclistas chegou ao prédio do ICE, onde cerca de 500 manifestantes já ocupavam o local, bloqueando acessos e erguendo cartazes como “Estamos frios, mas não tanto quanto o ICE”.

    Espectadores aplaudiram a chegada dos peladantes, que desfilaram em uma mistura de capas de chuva, fantasias de Halloween e ousadia total, mesmo sob o temporal.

    Rowena Paz Norman, 32 anos, pedalou em um macacão encharcado de urso carinhoso, declarando à imprensa: “É hora de mostrar que Portland é criativa e resiliente, não o inferno que Trump descreve”.

    Ao seu lado, Rachel Langford, 48 anos, estreante no ativismo de rua, confessou: “Não aguento mais assistir pela tela; preciso agir contra as distorções que pintam nossa cidade como zona de guerra”, conforme transcrito do portal OregonLive.

    A tensão escalou quando uma caravana de seis veículos pretos do ICE acessou o prédio às 16h30, seguida de relatos de agentes federais no telhado.

    Agentes dispararam bolas de pimenta contra a multidão, detendo dois indivíduos por assalto de quarto grau: Harold Alston Smith, 32 anos, de Portland, e Brian Wesley Crowell-Drogt, 33 anos, de Beaverton, este último hospitalizado após confronto mútuo. Smith já havia sido preso na quinta-feira (9/out) por assédio durante protestos noturnos.

    O Departamento de Polícia de Portland (PPD) interveio com múltiplos alertas públicos, via megafone e redes sociais: “Desobstruam a rua imediatamente ou enfrentarão prisões em massa e munições de controle de multidão”.

    Dezenas de detenções foram registradas desde junho, mas o saldo de domingo inclui apenas essas duas, sem relatos de feridos graves entre manifestantes, conforme noticiou a KPTV.

    A onda de protestos irônicos contrasta com as acusações de Trump, que rotulou Portland como “queimando até o chão” em discursos recentes, justificando a intervenção militar para proteger agentes do ICE.

    No entanto, imagens e relatos independentes mostram uma cidade vibrante: casamentos temáticos com unicórnios e personagens de South Park do lado de fora do prédio federal, flash mobs dançando o Cha-Cha Slide e até “pesca de ICE” com donuts em varas de pescar.

    Autoridades locais, como a governadora Tina Kotek, democrata, criticaram a Casa Branca por violar promessas de diálogo, enquanto o prefeito de Portland e o conselho municipal pressionam pela revogação do alvará do ICE na cidade, publicou o The Independent.

    A manifestação de domingo reforça o legado de Portland como epicentro de ativismo excêntrico, onde a nudez pública é amparada pela Constituição do Oregon como forma de expressão.

    Com a decisão da corte federal pendente – possivelmente nesta segunda-feira (13/out)-, os olhos do país se voltam para a Rose City, onde a alegria se impõe como arma contra a repressão.

    Organizadores como Dave Marvin, 68 anos, oficiante de um casamento fictício no local, resumem o espírito: “Estamos aqui para rir do absurdo e lembrar que a verdadeira força está na comunidade”.



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