Ordem do ministro revela bastidores: segundo investigações, presidente do Legislativo mandou TH Joias “largar isso aí” para destruir provas; entenda o impacto na sucessão de Cláudio Castro e o vácuo no poder do Rio
Brasília, 03 de dezembro 2025
Na manhã desta quarta-feira (03/dez), Rodrigo Bacellar (União Brasil), presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), foi preso preventivamente pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Unha e Carne, amplamente divulgado pelas mídias nacionais.
De acordo com as atualizações mais recentes, as investigações apontam que o parlamentar utilizou sua influência para vazar informações sigilosas e obstruir a justiça, protegendo o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias (MDB), apontado como braço político do tráfico de drogas.
A ordem de prisão partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), motivada por indícios “gravíssimos” de que Bacellar atuava ativamente para atrapalhar investigações contra o crime organizado, valendo-se inclusive de sua influência no Poder Executivo e nas polícias Civil e Militar.
O Detalhe do “Freezer” e a Destruição de Provas
O ponto central da acusação revela uma intimidade criminosa entre os parlamentares. Segundo apurações da PF, Bacellar alertou TH Joias sobre a deflagração da Operação Zargun (realizada em setembro) na véspera da ação.
Com a informação privilegiada, TH Joias fugiu de casa e organizou uma mudança às pressas, utilizando até um caminhão-baú para retirar provas incriminatórias.
Em um episódio que ilustra a promiscuidade da relação, TH Joias, após zerar e trocar de aparelho celular, enviou uma filmagem para Bacellar perguntando se poderia deixar alguns objetos para trás, incluindo um freezer.
A resposta do presidente da Alerj foi categórica e flagrada pelos investigadores: “deixa isso, tá doido? Larga isso aí, seu doido”, segundo transcrição no jornal O Globo.
Para a PF, essa interação comprova o vazamento e a coordenação para destruição de evidências
Dinâmica da Prisão e Clima na Alerj
Bacellar chegou à Alerj por volta das 07h, mantendo sua rotina habitual. Contudo, às 10h50, dirigiu-se à Superintendência da PF no Rio, onde acreditava que apenas prestaria depoimento, mas acabou detido.
Simultaneamente, TH Joias, que já estava preso desde setembro, foi transferido para a mesma sede da PF, transportado pela Secretaria Estadual de Administração Penitenciária.
Enquanto isso, agentes federais cumpriam mandados de busca e apreensão no 8º andar do Palácio Tiradentes, gabinete da presidência.
O clima nos corredores transformou-se em apreensão absoluta. O deputado Guilherme Delaroli (PL), vice-presidente da Casa e aliado próximo, assumiu o comando interinamente.
Delaroli estava reunido com o governador Cláudio Castro no Palácio Guanabara quando recebeu a notícia da prisão do amigo.
Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o deputado Rodrigo Amorim lamentou o ocorrido, demonstrando a surpresa que tomou conta do legislativo.
Ascensão Meteórica, Fortuna e a Ruptura com Castro
A prisão interrompe uma trajetória de ascensão vertiginosa. Filho do ex-vereador de Campos dos Goytacazes, Marcos Bacellar — histórico rival da família Garotinho —, Rodrigo Bacellar viu seu patrimônio saltar consideravelmente de 2018 para 2022.
Ele vive em uma cobertura de luxo, supostamente comprada em dinheiro vivo por um advogado ligado a ele, o que já motivava investigações por enriquecimento ilícito.
Politicamente, Bacellar era cotado como sucessor de Cláudio Castro (PL) para o governo estadual em 2026, aparecendo em segundo lugar nas pesquisas com 9% das intenções de voto.
No entanto, a relação com o governador estremeceu em julho deste ano, quando Bacellar, durante um período como governador interino, exonerou o secretário Washington Reis sem o consentimento de Castro.
Apesar do desgaste, a aliança havia garantido a absolvição de ambos em um julgamento apertado (4 a 3) no TRE-RJ por abuso de poder político.
O Contexto Criminal:
TH Joias e o Comando Vermelho
A operação atual é um desdobramento da Operação Zargun, que revelou a face criminosa de TH Joias.
As investigações apontam que o emedebista integrava o Comando Vermelho, atuando na intermediação de compra de armas, fuzis e equipamentos antidrones da China para a facção no Complexo do Alemão.
Além disso, ele é acusado de lavagem de dinheiro e de usar o mandato para nomear parentes de traficantes, como a esposa de Índio do Lixão, para cargos na Alerj.
A prisão de Bacellar não apenas desmantela um esquema de vazamento de informações sensíveis, mas cria um vácuo político imediato na direita fluminense, beneficiando indiretamente o prefeito Eduardo Paes (PSD) na corrida pelo governo do estado em 2026, segundo a Veja.

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