
📷Paulo Gonet Branco, procurador-geral da República / Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado | Daniel Vorcaro, Daniel Vorcaro (dono do Banco Master) / Foto: Secretaria de Administração Penitenciária via GloboNews | Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF / Foto: Brenno Carvalho/ O Globo | O ministro do STF, André Mendonça / Foto: Victor Piemonte/STF
| Brasília (DF)
01 de junho de 2026
A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República retomarão as conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro para um novo acordo de delação premiada, mas impuseram uma condição inegociável: ele precisa parar de atuar na defensiva e assumir os crimes que cometeu.
Caso contrário, a proposta será rejeitada novamente, e as investigações sobre o escândalo do Banco Master seguirão sem a sua colaboração.
As negociações para uma nova tentativa de fechar o acordo começaram na semana passada, em duas reuniões separadas dos advogados de Daniel Vorcaro com integrantes da Procuradoria-Geral da República (PGR) e delegados da Polícia Federal (PF).
De acordo com fontes envolvidas nas conversas, conforme coluna de Malu Gaspar, em O Globo, ainda não houve evolução concreta, pois não há sinalização do que será oferecido desta vez.
Contudo, uma condição para evitar que a proposta seja rejeitada já foi colocada: se quiser realmente um acordo, Vorcaro precisa parar de tentar se defender e "realmente assumir crimes".
A primeira proposta, rejeitada no último dia 20, foi considerada insuficiente por não relatar fatos que já tinham sido descobertos pelos investigadores e por ser seletiva, tentando proteger pessoas e esconder fatos óbvios.
Na avaliação de fontes ligadas à negociação, isso decorreu, em boa parte, do fato de Vorcaro se recusar a admitir culpa nos fatos que levaram à sua prisão, em novembro passado.
Um exemplo emblemático é o do senador Ciro Nogueira (PP-PI): os anexos não falavam do pagamento de uma mesada de R$ 500 mil e de despesas de luxo, como viagens e jantares na Europa, mas apenas mencionavam a sociedade na empresa utilizada como veículo.
O capítulo sobre o senador foi chamado por investigadores de "a beatificação de Ciro".
A primeira proposta também não trazia detalhes sobre a influência de Cláudio Castro nos aportes do Rioprevidência em papéis do Banco Master.
Daí a constatação de um integrante da equipe que negocia com os advogados de Vorcaro: se ele não mudar de postura, se não sair da defensiva e abandonar o discurso de vítima, de nada vai adiantar voltar com mais anexos.
"Ele precisa aceitar que uma delação presume confissão de crimes, não é instrumento de defesa, diz esse investigador.
Além das exigências de PF e PGR, os advogados de Vorcaro têm uma missão paralela: tentar reconstruir as pontes com o relator do caso, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
Após desentendimentos, os defensores do banqueiro deixaram de ter acesso ao gabinete de Mendonça, que passou a se comunicar com eles apenas por escrito, por meio de petições.
A resistência de Daniel Vorcaro em assumir sua participação nos crimes inviabiliza qualquer acordo nos moldes da legislação.
A delação premiada, no ordenamento jurídico brasileiro, pressupõe a confissão e a colaboração efetiva, não uma estratégia de contenção de danos.
O desfecho desse impasse definirá se o banqueiro conseguirá benefícios como redução de pena ou se as investigações da Operação Compliance Zero avançarão sem a sua ajuda.
A postura das autoridades, ao exigir que Vorcaro assuma integralmente os ilícitos, fortalece a credibilidade do sistema de justiça criminal e evita que acordos de colaboração sejam usados como escudo protetivo para criminosos.
Ainda assim, o desfecho das negociações será um termômetro da disposição do Judiciário e do Ministério Público em enfrentar esquemas de corrupção que envolvem altas autoridades.
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FAQ rápido:
1. Por que a primeira proposta de delação de Daniel Vorcaro foi rejeitada?
A PF e a PGR consideraram a proposta insuficiente, pois Vorcaro omitiu informações relevantes, tentou proteger aliados e não admitiu sua própria culpa nos crimes investigados.
2. Quais são os principais políticos citados nas investigações do Banco Master?
Os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) são apontados como beneficiários de vantagens ilícitas em troca de favorecimento ao Banco Master.
3. O que é a 'emenda Master' e por que ela é relevante?
É uma proposta legislativa que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, beneficiando diretamente o Banco Master. A suspeita é que o senador Ciro Nogueira a tenha apresentado em troca de propina.
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