Segundo a PF, Lauremília Lucena fazia indicações para cargo na prefeitura em troca facilidade de acesso a comunidades, onde ela fazia contatos com pessoas ligadas ao crime organizado que tinham controle de bairros periféricos da capital da Paraíba
A primeira-dama de João Pessoa, Lauremília Lucena, foi presa na manhã deste sábado (28/9) em uma operação da PF (Polícia Federal) na capital paraibana. Ela é esposa do prefeito Cícero Lucena (PP), que busca a reeleição, e mãe do deputado federal Mersinho Lucena (PP) e de Janine Lucena, que ocupa o cargo de secretária executiva de saúde na gestão do pai.
Lauremília nasceu no município de Souza, no interior do estado, a 432 quilômetros da capital, no sertão da Paraíba. A primeira-dama de João Pessoa já ocupou a função de presidente municipal do PSDB e em 2023 teve seu nome ligado à presidência do diretório do PDT no estado.
Ela também foi vice-governadora entre 2003 e 2006, na gestão de Cássio Cunha Lima (PSDB), tendo sido a primeira mulher a exercer esse cargo no estado. Hoje, a primeira-dama participa da coordenação do gabinete de Cícero Lucena. O atual prefeito de João Pessoa também já foi governador da Paraíba de 1994 a 1995 e senador de 2007 a 2015.
Lauremília foi alvo de mandado de prisão preventiva em operação que apura suspeita de aliciamento violento de eleitores, informou o UOL. A prisão faz parte da 3ª Fase da Operação Território Livre. A PF cumpriu dois mandados de prisão preventiva e dois mandados de busca e apreensão após decisão da Justiça Eleitoral.
Segundo a PF, Lauremília é suspeita de indicações para cargo na prefeitura em troca facilidade de acesso a comunidades da capital. A investigação diz que a primeira-dama fazia contatos com pessoas ligadas ao crime organizado com controle de bairros periféricos de João Pessoa.
Tereza Cristina Barbosa Albuquerque, secretária de Lauremília, também foi presa. Há ainda outros dois mandados de busca e apreensão.
Em nota, o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, afirmou que a operação de hoje foi “recentemente denunciada no plenário da Câmara dos Deputados pela deputada federal Eliza Virgínia, que alertou publicamente sobre o uso político de instituições com o objetivo de influenciar a campanha eleitoral em João Pessoa“.
“Trata-se de uma prisão política. Lauremília tem residência fixa e jamais se recusaria a prestar depoimento ou esclarecer quaisquer fatos. Houve o uso de força desproporcional, já que ela sequer foi convocada para prestar depoimento. Claramente, os adversários de Cícero estão utilizando todos os meios para conquistar o poder a qualquer custo, sem respeito à sua família ou à cidade de João Pessoa“.
Nota da assessoria de Cícero Lucena (PP)
No dia 19, a Polícia Federal prendeu a vereadora Raíssa Lacerda (PSB), então candidata à reeleição. Segundo a PF, ela é suspeita de integrar um esquema criminoso para coagir moradores a votarem em determinados candidatos. A defesa de Raíssa nega e ela se diz “alvo de perseguição“. Ela renunciou à tentativa de reeleição.
Além de Raissa, a filha de Lucena e Lauremília são investigadas por suposto elo com lideranças da a facção Okaida. Nesse caso, a apuração é de outra operação, a Mandare, também da PF, diz a matéria.






