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PRF se reuniu em segredo antes das intervenções ilegais contra fluxo de eleitores do NE e tentou apagar rastros

    O ex-diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques (exonerado), e o ex-ministro da Justiça do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, Anderson Torres (preso), atuando durante evento às vésperas do primeiro turno | Foto de Tom Costa/MJSP

    Ao final, Lula venceria Bolsonaro com a margem mais estreita desde a redemocratização (2,1 milhões de votos, ou 1,8% dos votos válidos)“, escreve jornalista do ‘Globo‘, sobre o prejuízo à campanha de Lula, que poderia ter derrotado seu opositor já no primeiro turno

    PRF (Polícia Rodoviária Federal) se reuniu em segredo antes das intervenções ilegais contra fluxo de eleitores ocorridas em várias regiões brasileiras, e especialmente no Nordeste, durante a data da votação do segundo turno das eleições de 2022.

    A corporação ainda tentou apagar rastros, como informa a coluna de Malu Gaspar, no ‘Globo‘. Um encontro foi convocado “às pressas para a sede da corporação, em Brasília, no dia 19 de outubro – pouco mais de duas semanas após o primeiro turno e a onze dias da disputa final entre Luiz Inácio Lula da Silva [(PT)] Jair Bolsonaro“, diz o texto.

    “O plano da “Operação Eleições 2022” foi repassado pelo diretor-geral bolsonarista Silvinei Vasques a todos os superintendentes da PRF na reunião do colegiado. Até mesmo a ata do encontro, que não consta na agenda de Vasques, foi manipulada para que não houvesse registro oficial da operação prevista para o segundo turno”, prossegue Gaspar, acrescentando que obteve o documento “via Lei de Acesso à Informação“.

    A jornalista diz que “o principal objetivo do encontro — planejar as blitze que impuseram obstáculos aos eleitores de Lula — não consta do documento” e que, por isso, “a equipe da coluna passou os últimos cinco meses procurando integrantes da PRF” e descobriu que “o encontro ocorreu de forma exclusivamente presencial“, com “todos os superintendentes” precisando “viajar a Brasília“, onde, na “sede nacional“, eles “precisaram entregar celulares e relógios a dois agentes do setor de inteligência“.

    Três dos cinco policiais rodoviários federais que ouvimos confirmaram que, durante a reunião, Vasques disse que havia chegado a hora da PRF tomar lado na disputa. O então diretor-geral pediu o engajamento dos presentes nas operações de 30 de outubro, especialmente no Nordeste“, escreve a jornalista. “Enfatizou, ainda, que um segundo mandato de Bolsonaro traria benefícios a todos ali e à corporação“.

    Segundo relato de um deles, “houve uma votação para chancelar as operações, e os contrários concordaram em não manifestar suas divergências publicamente”. Ao final, nove participantes da reunião não assinaram a ata. Dos 44 participantes citados no documento, 37 registraram ter estado no encontro do dia 19“, escreve a jornalista.

    A reunião chancelou as operações que ganhariam atenção nacional já durante a votação do segundo turno. As instruções para a sua realização foram detalhadas em uma ordem de serviço assinada no dia 26 de outubro por Vasques e seu diretor de operações, Djairlon Henrique, além do diretor de inteligência, Luís Carlos Reischak Júnior. As informações que subsidiaram a ordem de serviço oficializada pela PRF partiram do próprio Ministério da Justiça“, do então ministro Anderson Torres, que está preso.

    Como foi noticiado, a ex-diretora de inteligência da pasta, Marília Alencar, confirmou à Polícia Federal ter elaborado um mapeamento das cidades em que Lula teve desempenho superior ao de Bolsonaro no primeiro turno. Esses dados nortearam a definição dos pontos que deveriam ser fiscalizados no planejamento da PRF. “A ordem de serviço assinada por Vasques e a informação de que o esquema da operação eleições seria diferente dos outros anos por interferência de Bolsonaro circularam em Brasília na reta final da disputa e provocaram reclamações de partidos da coligação de Lula ao TSE e ao Supremo Tribunal Federal.

    O presidente do TSEAlexandre de Moraes, proibiu na noite de sábado, 29 de outubro, as duas corporações de realizar qualquer força-tarefa visando o transporte público de eleitores até a conclusão da votação. Já na madrugada de domingo, Silvinei Vasques afrontou a decisão do TSE e manteve a ordem de serviço que determinava a realização das operações com efetivo reforçado em redutos lulistas. Às 2h43m da madrugada, o aliado de Bolsonaro assinou, sozinho, um ofício aos superintendentes informando que o planejamento estava mantido a despeito da ordem da corte“, lembra a jornalista.

    No início da tarde de domingo, transcorridas cinco horas de votação com bloqueios da PRF em vários estados do país, Moraes intimou Vasques a interromper as operações imediatamente. A intimação foi acatada pela polícia, mas o episódio aumentou a tensão em um segundo turno avaliado como imprevisível pelas duas campanhas presidenciais“, recorda Gaspar, que, na sequência, insinua prejuízo à campanha de Lula:

    Ao final, Lula venceria Bolsonaro com a margem mais estreita desde a redemocratização (2,1 milhões de votos, ou 1,8% dos votos válidos)“.

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