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Presidente Lula: “Não há perdão para quem atenta contra a democracia, seu país e seu próprio povo”

    O perdão soaria como impunidade. E a impunidade, como salvo conduto para novos atos terroristas. Salvamos a democracia. Mas a democracia nunca está pronta, precisa ser construída e cuidada todos os dias“, discursou

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    O presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), discursou nesta segunda-feira (8/1) no ato “Democracia Inabalada“, em memória dos atos de vandalismo praticados contra as sedes dos Três Poderes, por manifestantes bolsonaristas golpistas terroristas, há um ano.

    O estadista saudou “todos os brasileiros e as brasileiras que se colocaram acima das divergências para dizer um eloquente NÃO ao fascismo”. E completou: “Porque somente na democracia as divergências podem coexistir em paz”.

    O chefe do Executivo também saudou “a todas e todos que no dia seguinte à tentativa de golpe caminharam de braços dados do Palácio do Planalto ao Supremo Tribunal Federal, em defesa da democracia”.

    Em 9 de janeiro de 2023, Lula e os 27 governadores do Brasil caminharam de braços dados até a sede do STF (Supremo Tribunal Federal). “Nunca uma caminhada tão curta teve alcance histórico tão grande”, disse o Presidente, hoje.

    A coragem de parlamentares, governadores e governadoras, ministros e ministras da Suprema Corte, ministros e ministras de Estado, militares legalistas e, sobretudo, da maioria do povo brasileiro garantiu que nós estivéssemos aqui hoje celebrando a vitória da democracia sobre o autoritarismo”, discursou.

    O fundador de seu próprio partido aproveitou para saudar “os trabalhadores e as trabalhadoras das forças de segurança – em especial a Polícia Legislativa – que, mesmo em minoria, se recusaram a aderir ao golpe e arriscaram suas vidas no cumprimento do dever”.

    Se a tentativa de golpe fosse bem-sucedida, muito mais do que vidraças, móveis, obras de arte e objetos históricos teriam sido roubados ou destruídos”, disse. “A vontade soberana do povo brasileiro, expressa nas urnas, teria sido roubada”. Para Lula, “a democracia, destruída” e, “a esta altura, o Brasil estaria mergulhado no caos econômico e social. O combate à fome e às desigualdades teria voltado à estaca zero”.

    Nosso país estaria novamente isolado do mundo, e a Amazônia em pouco tempo reduzida a cinzas para a boiada e o garimpo ilegal passarem. Adversários políticos e autoridades constituídas poderiam ser fuzilados ou enforcados em praça pública – a julgar por aquilo que o ex-presidente golpista pregou em campanha, e seus seguidores tramaram nas redes sociais”, completou Lula, referindo-se a Alexandre de Moraes e a Bolsonaro, respectivamente.

    Todos aqueles que financiaram, planejaram e executaram a tentativa de golpe devem ser exemplarmente punidos”, disse.

    Não há perdão para quem atenta contra a democracia, contra seu país e contra o seu próprio povo. O perdão soaria como impunidade. E a impunidade, como salvo conduto para novos atos terroristas. Salvamos a democracia. Mas a democracia nunca está pronta, precisa ser construída e cuidada todos os dias.

    A democracia é imperfeita, porque somos humanos – e, portanto, imperfeitos.

    Mas temos, todas e todos, o dever de unir esforços para aperfeiçoá-la.

    Meus amigos, e minhas amigas.

    A fome é inimiga da democracia.

    Não haverá democracia plena enquanto persistirem as desigualdades – seja de renda, raça, gênero, orientação sexual, acesso à saúde, educação e demais serviços públicos.

    Uma criança sem acesso à educação não aprenderá o significado da palavra democracia.

    Um pai ou uma mãe de família no semáforo, empunhando um cartaz escrito “Me ajudem pelo amor de Deus”, tampouco saberá o que é democracia.

    Aperfeiçoar a democracia é reconhecer que democracia para poucos não é democracia.

    Se fomos capazes de deixar as divergências de lado para defendermos o regime democrático, somos também capazes de nos unirmos para construir um país mais justo e menos desigual.

    Minhas amigas e meus amigos.

    Não há democracia sem liberdade.

    Mas que ninguém confunda liberdade com permissão para atentar contra a democracia.

    Liberdade não é uma autorização para espalhar mentiras sobre as vacinas nas redes sociais, o que pode ter levado centenas de milhares de brasileiros à morte por Covid.

    Liberdade não é o direito de pregar a instalação de um regime autoritário e o assassinato de adversários.

    As mentiras, a desinformação e os discursos de ódio foram o combustível para o 8 de janeiro.

    Nossa democracia estará sob constante ameaça, enquanto não formos firmes na regulação das redes sociais.

    Nos dias, semanas e meses que se seguiram à tentativa de golpe, reformamos as sedes dos Três Poderes. Trocamos vidraças, removemos a sujeira, restauramos obras de arte, recuperamos objetos históricos.

    E, acima de tudo, reafirmamos o valor da democracia para o Brasil e para o mundo.

    Agora é preciso avançar cada vez mais na construção de uma democracia plena.

    Uma democracia que se traduza em igualdade de direitos e oportunidades. Que promova a melhoria da qualidade de vida, sobretudo para quem mais precisa.

    Estamos nessa caminhada, e chegaremos mais longe se caminharmos de braços dados.

    Quero terminar renovando o que disse no meu discurso de posse, neste Congresso Nacional:

    Democracia sempre.

    Muito obrigado.

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