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Presidente do Chile, Sebástian Piñera, que está sendo considerado um novo ditador sanguinário por conta das mortes recentes, preocupado com a repercussão mundial, anuncia medidas para tentar conter protestos


    Medidas incluem aumento em aposentadorias e proposta de redução no número de parlamentares e limites às reeleições. ‘Peço perdão’, disse Sebastián Piñera durante discurso.


    O presidente do ChileSebastián Piñera, anunciou na noite desta terça-feira (22) uma série de medidas para tentar conter os protestos que tomaram todo o país e deixaram 15 mortos em cinco dias. A capital Santiago e diversas outras regiões chilenas estão sob toque de recolher.

    As medidas incluem aumentos em aposentadorias, inclusão de ajuda mínima a trabalhadores de baixa renda e reforma política (veja mais adiante os principais pontos do pacote de medidas).

    Antes de anunciar o plano, Piñera pediu desculpas pelo que chamou de “falta de visão” dele e de governos anteriores.

    “Reconheço a falta de visão e peço perdão aos meus compatriotas”, afirmou.

    Veja em resumo as principais medidas anunciadas:

    • Aumento de até 20% nas aposentadorias de alguns grupos
    • Criação de seguro contra catástrofes, caso os gastos de saúde superem o teto – medida a ser apreciada pelo Congresso
    • Estabilização das tarifas de eletricidade, com anulação do recente aumento de 9,2%
    • Ajuda mínima de 350 mil pesos chilenos (cerca de R$ 1,97 mil) para trabalhadores com jornada completa que tenham salário inferior a esse valor
    • Aumento nos impostos a pessoas com renda superior a 8 milhões de pesos chilenos (cerca de R$ 44 mil)
    • Redução nos salários de parlamentares e funcionários da administração pública
    • Redução no número de parlamentares e limite ao número de reeleições

    Estado de emergência continua

    Manifestante vestido de palhaço grita em frente a barricada no centro de Santiago, no Chile, nesta terça-feira (22) — Foto: Rodrigo Abd/AP Photo
    Manifestante vestido de palhaço grita em frente a barricada no centro de Santiago, no Chile, nesta terça-feira (22) — Foto: Rodrigo Abd/AP Photo

    Piñera também descartou retirar o estado de emergência, imposto no sábado após aumento na violência das manifestações no Chile. Os toques de recolher também devem continuar, sinalizou.


    FOTOS CHOCANTES DA VIOLÊNCIA NO CHILE


    “Todos queremos isso, mas como presidente é meu dever retirar o estado de emergência quando tivermos segurança de que a ordem pública, a seguridade cidadã e os bens, tanto públicos como privados, estejam devidamente resguardados”, justificou.

    O presidente também anunciou que o metrô de Santiago voltará a funcionar nesta quarta-feira nas linhas 3 e 6. Por enquanto, somente a Linha 1 está aberta – e, mesmo assim, algumas estações mais centrais ficaram fechadas por segurança nos últimos dias.

    Manifestantes desafiam toque de recolher

    Manifestantes exibem cartaz com rosto do presidente do Chile, Sebastian Piñera: 'À forca, traidor' — Foto: Juan Gonzalez/Reuters
    Manifestantes exibem cartaz com rosto do presidente do Chile, Sebastian Piñera: ‘À forca, traidor’ — Foto: Juan Gonzalez/Reuters

    Centenas de pessoas voltaram a ocupar as ruas de Santiago e de outras cidades chilenas nesta terça-feira. Houve confrontos com a polícia e incêndios – porém, segundo a imprensa local, a maioria das manifestações ocorreu de maneira pacífica.

    Nesta noite, manifestantes desafiaram o toque de recolher e permaneceram na Praça Itália (também chamada de Praça Baquedano) após as 20h desta terça. Forças de segurança dispersaram a multidão, e houve congestionamento em alguns pontos de Santiago mesmo depois do horário imposto para que deixassem as ruas.

    De casa, alguns manifestantes bateram panelas e continuaram a gritar palavras de ordem no início desta noite.

    Praça Itália em Santiago, no Chile, tomada por manifestantes na tarde desta terça-feira (22) — Foto: Esteban Felix/AP Photo
    Praça Itália em Santiago, no Chile, tomada por manifestantes na tarde desta terça-feira (22) — Foto: Esteban Felix/AP Photo
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