‘Preparem-se para fortes emoções’: Bolsonaro vai buscar a reeleição ‘no voto ou na porrada’, diz jornalista

De acordo com Ricardo Kotsho, o presidente quer ‘desestabilizar LULA na reta final’, radicalizando ‘seus seguidores nas ruas e nas milícias digitais, criando um clima de medo, fanatismo e insegurança’

Bolsonaro quer partir para a guerra religiosa aberta e radicalizar cada vez mais seus seguidores nas ruas e nas milícias digitais, criando um clima de medo, fanatismo e insegurança, em que ele nada de braçada, para buscar a reeleição a qualquer preço, no voto ou na porrada“, enquanto “LULA prega a paz, o amor e a união dos democratas“, escreve o jornalista Ricardo Kotscho, em seu balaio, no espaço que lhe cabe no portal de notícias UOL. A ideia, nesta “na reta final“, é “desestabilizar” o ex-presidente, que tem se decidado “a fechar o maior numero possível de alianças e a concluir o programa de governo“. O atual ocupante do Palácio do Planalto “vai investir na baixaria, com um arsenal de fake news“, diz o colunista.

Para Kotscho, a ‘mamadeira de piroca’ “será fichinha perto do que farão agora, que estão atrás nas pesquisas, e o tempo é cada vez mais curto para reverter os números“. O jornalista aponta que “as entrevistas do presidente a youtubers de grande audiência“, em que Bolsonaro “falou durante horas as maiores barbaridades, sem ser contestado, nem punido pela Justiça Eleitoral“, são uma amostra do que virá. No título de seu texto, o colunista demostra preocupação com a “‘chance de Lula decidir eleição no 1º turno”, que caiu “de 25% para 6% em dois meses‘ – uma projeção que foi “feita por um dos mais respeitados pesquisadores do mercado eleitoral, em mais de duas horas de conversa [que Kotscho teve com este nome incógnito, no sábado] em off” e provocou no autor do texto algumas considerações para “justificar a diminuição da larga vantagem que Lula tinha sobre Bolsonaro“.

Kotscho identificou, a partir da luz dada pelo pesquisador, três fatores que foram determinantes para a queda de LULA: 1) “A vigorosa ofensiva de Bolsonaro no eleitorado evangélico, especialmente as mulheres, com a entrada em cena da primeira-dama Michelle e a participação do casal em Marchas para Jesus e outras celebrações religiosas, que ocuparam boa parte da agenda presidencial neste período“; 2) O pacote eleitoral aprovado pelo Congresso Nacional para a compra de votos, que segundo este pesquisador já ultrapassou os R$ 400 bilhões no total, em bondades variadas, que começaram a ser distribuídas essa semana, quando foram também divulgados índices de melhora na economia e; 3) A recuperação dos votos de bolsonaristas arrependidos que tinham procurado a terceira via e não encontraram um candidato competitivo, engrossando a tendência de voto útil“. O colunista observa que “nas próximas semanas, com a entrada no ar do horário político gratuito, o objetivo dos bolsonaristas é aumentar a rejeição de Lula, com ataques no campo moral e dos costumes“, explorando temas como “liberação do aborto, corrupção na Petrobras, controle da mídia, ligações com religiões de matriz africana e até a ameaça do fechamento de templos, que já começou a pipocar nas milícias sociais“.

Mas para Kotcho, na conversa, o especialista eleitoral concluiu que “mesmo com essa disparidade de propostas e de métodos, e todo o arsenal de propaganda negativa preparada pelos bolsonaristas” ocorrerá “vitória de Lula no segundo turno, mas por uma margem menor do que a imaginada dois meses atrás. Nos cálculos dele, será voto a voto, pau a pau“. Isso porque “pesquisas qualitativas mostram que hoje o medo de que Bolsonaro continue ainda é maior do que o de Lula voltar ao governo“. E “à pergunta sobre qual dos dois mereceria,uma segunda chance, a maioria dos entrevistados apontou o nome de Lula. O antibolsonarismo que cresceu durante a pandemia ainda é maior do que o antipetismo gerado pela Lava Jato em 2018″.

Todas essas variáveis serão testadas nas pesquisas quantitativas que serão divulgadas na próxima semana pelos três principais institutos – Datafolha, Ipec (antigo Ibope) e Quaest – que poderão clarear melhor as tendências das curvas para as seis semanas que ainda faltam até a eleição“. Kotscho adianta que “70% dos votos já” estão “consolidados entre Lula e Bolsonaro” e que “restam 30% de votos flutuantes, que decidirão a disputa de outubro“. O jornalista pontua opinando que “num país imprevisível como o nosso, o campo está aberto, e nada pode ser dado como definitivo. Sempre pode acontecer uma facada, ou coisa pior, no meio do caminho. A única coisa certa é que não sofreremos de tédio até o dia 2 de outubro“. Ele aconselha: “Preparem-se para fortes emoções“.

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