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Prêmio de Fernanda Torres mostra que o mundo não tolera autoritarismos nem violência, espeta Lula sobre Bolsonaro

    “Precisamos estar sempre vigilantes e prontos para defender a democracia“, escreveu o estadista em rede social ao comentar a estatueta de Melhor Atriz em Filme Dramático no Globo de Ouro, conquistado pela brasileira por Ainda Estou Aqui – SAIBA MAIS

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    “Ao reconhecer o trabalho de Fernanda Torres, o mundo também reconhece a importância de contarmos nossas histórias, não tolerando autoritarismos nem a violência“, afirmou o estadista, deixando implícito o nome de Bolsonaro, ao comentar a estatueta pelo papel em ‘Ainda estou aqui‘

    “Impossível não continuar falando do grande feito que a premiação de Fernanda Torres no Globo de Ouro representa para nós, brasileiros e brasileiras“, disse, no início da noite desta segunda-feira (6/jan/2025), o Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em sua conta oficial na plataforma de microblog X, sobre a estatueta de Melhor Atriz em Filme Dramático conquistado pela atuação em “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles.


    Presidente Lula – por Ricardo Stuckert | Fernanda Torres / Reuters

    “O cinema e a cultura são ferramentas poderosas para manter vivas as histórias que moldam quem somos, transformando memória em aprendizado e arte em resistência. O filme reflete sobre um passado de horrores que precisa ser lembrado, para que as novas gerações conheçam e as antigas nunca se esqueçam“, disse o estadista na rede social.

    “Ao reconhecer o trabalho de Fernanda Torres, o mundo também reconhece a importância de contarmos nossas histórias, não tolerando autoritarismos nem a violência“, afirmou Lula, deixando implícito o nome do de Jair Bolsonaro (PL), indiciado pela PF (Polícia Federal) na investigações sobre a tentativa de golpe de Estado.

    “Que a força e a resiliência de Eunice Paiva , contadas neste grande filme, criem pontes e aproximem as novas gerações desse debate tão importante para a preservação da nossa jovem democracia. Precisamos estar sempre vigilantes e prontos para defendê-la“, pontuou o Presidente do Brasil.

    O filme Ainda Estou Aqui conta a história de Maria Lucrécia Eunice Facciolla Paiva, que foi a esposa do deputado federal Rubens Paiva, morto em 1971 durante a ditadura, com quem teve cinco filhos. Ele se tornou parlamentar em 1962, e em 1964 teve seus direitos políticos cassados.

    Rubens Paiva foi levado pela polícia da casa em que vivia com a família no Leblon, na Cidade do Rio de Janeiro, em 20 de janeiro de 1971. No dia seguinte, Eunice também foi presa e ficou 12 dias no DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna). Depois foi libertada e passou a questionar sobre seu marido, em vão.

    Eunice foi símbolo de campanhas sobre vítimas da ditadura ao lado de nomes Zuzu Angel, Crimeia de Almeida, Inês Etienne Romeu, Cecília Coimbra, além de outras mulheres. Somente após 25 anos ela conseguiu um atestado de óbito de Rubens Paiva. Teve alzheimer e morreu em dezembro de 2018, aos 86 anos, em São Paulo.

    Ao receber seu prêmio das mãos da atriz Viola Davis, Fernanda Torres dedicou-o à mãe: “Vocês não têm ideia… Ela estava aqui há 25 anos. Isso é uma prova de que a arte pode permanecer na vida das pessoas, mesmo em momentos difíceis, como os que Eunice Paiva viveu“.

    A atriz disse à GloboNews: “Estamos em um trabalho muito forte. Meu nome veio vindo. A ‘Variety’ ajudou imensamente, ‘Collider’, ‘Deadline’… começou uma campanha bonita“, disse, citando nomes de veículos internacionais da imprensa especializada em cinema, conforme transcreveu o g1.

    No Globo de Ouro 2025, “Ainda estou aqui” também concorria na categoria de melhor filme em língua não inglesa, mas o prêmio foi para o francês “Emilia Pérez“, maior indicado da noite, com dez nomeações no total.

    Foto tirada durante 'Ainda estou aqui' com a família protagonista do filme — Foto: Divulgação

    Elenco protagonista de ‘Ainda estou aqui‘ | Imagem divulgação


    O Globo de Ouro é uma das principais premiações do cinema e é considerado um “termômetro” para o Oscar e Fernanda Torres tem chances para uma indicação. A Variety diz que a premiação deste domingo “consolidou seu lugar em outras disputas“. O Oscar acontecerá no dia 2 de março de 2025, e as indicações serão anunciadas no dia 17 de janeiro.

    Na lista de pré-indicados, divulgada no dia 17 de dezembro, Ainda estou aqui estava entre os 15 selecionados para o Oscar de melhor filme internacional. Essa lista prévia não existe para a categoria de Melhor atriz, então ainda não se sabe se Fernanda Torres segue na corrida para o prêmio.

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