Gustavo Cancellier e dois vereadores foram presos pela Polícia Civil na segunda fase da Operação Terra Nostra, que investiga suposto esquema de compra de imóveis superfaturados pela prefeitura da cidade de Urussanga | Reprodução ‘Diário de Joinville‘
Gustavo Cancellier, de Urussanga, já disse sobre “o ex-juiz e atual senador que está prestes a ser cassado” que ele é “símbolo do combate à corrupção, herói entre homens e mulheres decentes desse país”
O prefeito de Urussanga (SC), Gustavo Cancellier (Progressistas), foi preso preventivamente, juntamente com dois vereadores e um ex-servidor comissionado, na segunda fase da Operação Terra Nostra, que investiga crimes como organização criminosa, falsidade ideológica, uso indevido da renda pública e contratação direta fora das hipóteses legais.
Cancellier é o 19º chefe do executivo em prefeituras do Estado a ser preso nos últimos dois anos e, conforme lembra a ‘Fórum‘, ele “já fez diversos elogios ao ex-juiz e atual senador Sergio Moro (UB-PR), que está prestes a ser cassado“: Ele disse, em uma postagem de 2019, que “o juiz símbolo do combate à corrupção, herói entre homens e mulheres decentes desse país, está em nosso estado e chegou agora a pouco“.
A primeira fase da operação aconteceu em março, quando os policiais investigavam a aquisição de um imóvel, por parte de executivo municipal, com valor, ao que tudo indica, superfaturado. Com o avanço da apuração, a polícia descobriu que ao menos duas propriedades foram compradas dessa forma.
As investigações seguem para identificar novos suspeitos no esquema. As penas dos delitos investigados, se somadas, podem chegar a 33 anos de reclusão.
Cancellier havia sido afastado do cargo em 20 de maio de 2021, como parte das investigações da Operação Benedetta, da Polícia Federal, que apura supostas irregularidades na pavimentação do município. Ele voltou ao posto em 2022, após uma decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Atualmente, o prefeito é presidente da AMREC (Associação dos Municípios da Região Carbonífera). Em nota, a entidade disse que “antes de qualquer pronunciamento oficial sobre o assunto, como a associação não teve acesso aos autos, nem foi comunicada oficialmente, nesse momento irá aguardar os desdobramentos antes de emitir qualquer manifestação“, conforme transcreveu o ‘g1‘.
Nos últimos dois anos virou recorrente a prisão de prefeitos de cidades catarinenses por suspeitas de crimes relacionados à corrupção. Dezesseis prefeitos foram detidos em decorrência da operação Mensageiro, que investigou um esquema envolvendo corrupção em contratos de limpeza urbana em cidades de várias regiões do estado.
O prefeito de Barra Velha (SC), Douglas Elias Costa (PL), foi detido na operação Travessia, deflagrada pelo Ministério Público Estadual (MP-SC). Ari Bagúio (PL), de Ponte Alta do Norte, foi preso em uma ação que apura um suposto esquema envolvendo serviços de limpeza no município.
Os 19 presos são Gustavo Cancellier (PP); Ari Bagúio (PL), de Ponte Alta do Norte; Douglas Elias Costa (PL), de Barra Velha; Luiz Henrique Saliba (PP), de Papanduva; Antônio Rodrigues (PP), de Balneário Barra do Sul; Antônio Ceron (PSD), de Lages; Vicente Corrêa Costa (PL), de Capivari de Baixo; Marlon Neuber (PL), de Itapoá; Joares Ponticelli (PP), de Tubarão; Luiz Carlos Tamanini (MDB), de Corupá; Deyvisonn de Souza (MDB), de Pescaria Brava; Armindo Sesar Tassi (MDB), de Massaranduba; Adriano Poffo (MDB), de Ibirama; Adilson Lisczkovski (Patriota), de Major Vieira; Patrick Corrêa (Republicanos), de Imaruí; Luiz Divonsir Shimoguiri (PSD), de Três Barras; Luiz Antonio Chiodini (PP), de Guaramirim; Alfredo Cezar Dreher (Podemos), de Bela Vista do Toldo; e Felipe Voigt (MDB), de Schroeder.
