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Preço do ovo no Brasil ainda está alto – entenda o que acontece e quais medidas serão adotadas pelo governo

    No início do mês, o Presidente Lula sugeriu que “atravessadores” podem estar influenciando os preços e afirmou que quer “encontrar uma explicação para o preço do ovo” – SAIBA MAIS

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    Brasília, 29 de março de 2025

    Os preços dos ovos no Brasil em 2025 têm apresentado uma alta significativa, refletindo uma combinação de fatores sazonais, climáticos e econômicos. A seguir, o Urbs Magna apresenta um panorama atualizado com base em informações recentes, incluindo as reações da população e do governo federal.

    De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP, os preços dos ovos no atacado em regiões produtoras como Santa Maria de Jetibá (ES) e Bastos (SP) registraram aumentos expressivos no início de 2025. Em Santa Maria de Jetibá, a caixa com 30 dúzias de ovos brancos atingiu R$ 233,69 em termos reais (ajustados pela inflação) em fevereiro, o maior valor da série histórica do Cepea.

    Já os ovos vermelhos alcançaram R$ 263,42 por caixa na mesma região. Em Bastos, os ovos brancos subiram de R$ 168,58 em fevereiro de 2024 para R$ 208,97 em fevereiro de 2025, uma alta de mais de 20%, enquanto os vermelhos passaram de R$ 196,94 para R$ 240,21 no mesmo período.

    No varejo, a situação também reflete essa escalada. O preço médio de uma dúzia de ovos subiu de R$ 11,26 em janeiro para R$ 13,30 em fevereiro de 2025, impulsionado pela menor oferta nos mercados. O IPCA-15, índice que mede a prévia da inflação, apontou que os ovos foram um dos principais responsáveis por puxar a inflação dos alimentos em março, ao lado de itens como café e tomate.

    Regionalmente, a alta varia. Em Recife, o preço da caixa com 30 dúzias saltou de R$ 140,16 em dezembro de 2024 para R$ 234,18 em fevereiro de 2025, um aumento de 67,1%, conforme o Cepea. Esses números mostram que o impacto é generalizado, mas mais acentuado em algumas capitais e polos produtores.

    Fatores da alta

    Especialistas apontam múltiplas razões para essa elevação:

    ➡️Clima: Ondas de calor afetaram a produtividade das galinhas, reduzindo a produção em até 10% em algumas granjas devido ao estresse térmico, conforme a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
    ➡️Custos de produção: O milho, principal componente da ração, subiu mais de 40% desde março de 2024, e os custos com embalagens dobraram nos últimos meses
    ➡️Demanda sazonal: A Quaresma, período que antecede a Páscoa, elevou o consumo de ovos como alternativa à carne vermelha, pressionando ainda mais os preços
    ➡️Exportações: O aumento das exportações para os EUA, que enfrentam uma crise de gripe aviária, também contribuiu, embora represente menos de 1% da produção nacional

    Reações da população

    A alta dos preços dos ovos gerou insatisfação generalizada entre os brasileiros. Nas redes sociais, como no X, consumidores expressam frustração e ironia.

    Reações do governo federal

    O governo federal, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tem acompanhado a situação de perto e manifestado intenção de agir. Em fevereiro, Lula chamou de “absurdo” o preço de R$ 40 por uma caixa de 30 ovos e prometeu discutir com empresários do setor para conter a alta: “Vamos ter que fazer reunião com atacadistas para discutir como trazer isso para baixo“.

    Neste mês, durante um evento em Campo do Meio (MG), ele voltou ao tema, sugerindo que “atravessadores” podem estar influenciando os preços e afirmando: “Quero encontrar uma explicação para o preço do ovo“.

    Apesar das críticas, o governo destaca sinais positivos. O PT no Senado divulgou que as primeiras medidas econômicas de Lula começam a surtir efeito, com a Conab identificando quedas em preços de itens como óleo de soja, carne bovina e farinha de trigo, embora os ovos ainda estejam em alta. Não foram detalhadas ações específicas para os ovos, mas o discurso oficial enfatiza diálogo com o setor produtivo e controle de fatores externos, como a exportação.

    Perspectivas

    Especialistas preveem que os preços podem se estabilizar após a Páscoa, com o fim da Quaresma, mas a normalização depende da oferta interna, do clima e do comportamento das carnes, que competem com os ovos como fonte de proteína.

    Enquanto isso, o impacto no bolso dos brasileiros e as promessas do governo seguem no centro do debate público.

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