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Posto de Copacabana anuncia taxa de 50% para americanos em reação às tarifas de Trump

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    Um frentista
    Um frentista de posto de gasolina abastece um veículo, com o Pão de Açúcar ao fundo, visto a partir da Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro | Montagem


    Estabelecimento no Rio aplica cobrança extra a turistas dos EUA como protesto às taxas comerciais impostas pelo republicano sobre as exportações brasileiras



    Brasília, 17 de julho de 2025

    Um posto de gasolina em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, anunciou que passará a cobrar uma taxa adicional de 50% para atender turistas americanos, conforme noticiado pela CNN Brasil.

    A medida, divulgada em 17 de julho de 2025, é uma reação direta à imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, anunciada pelo presidente americano Donald Trump, com vigência a partir de 1º de agosto de 2025.

    A decisão do posto reflete o crescente clima de tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos, que tem gerado reações tanto no setor público quanto no privado.

    A tarifa de 50% anunciada por Trump foi justificada por ele como uma resposta a supostas práticas comerciais desleais do Brasil e à postura do Supremo Tribunal Federal (STF) em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado de Trump.

    Segundo o presidente americano, o Brasil mantém barreiras comerciais que geram um déficit insustentável para os EUA, conforme detalhado em carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    A medida impacta setores estratégicos brasileiros, como petróleo, café, suco de laranja, carne bovina e aço, que juntos geraram US$ 40,4 bilhões em exportações para os EUA em 2024 .

    O governo brasileiro reagiu com indignação, enviando uma carta oficial aos EUA, assinada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, manifestando que a tarifa ameaça a relação comercial histórica entre os dois países.

    O presidente Lula também sinalizou a possibilidade de retaliar com tarifas de 50% sobre produtos americanos, caso a medida entre em vigor, e mencionou a possibilidade de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) .

    A decisão do posto de Copacabana, embora localizada, ganhou destaque nas redes sociais e reflete o sentimento de retaliação que começa a surgir entre comerciantes brasileiros.

    A taxa de 50% para americanos ecoa o percentual exato das tarifas impostas por Trump, sugerindo uma resposta simbólica às medidas protecionistas americanas.

    Embora não haja detalhes sobre a implementação prática dessa cobrança, a iniciativa foi amplamente comentada, com alguns internautas apoiando a atitude como uma forma de protesto contra as políticas de Trump, enquanto outros a consideraram uma brincadeira ou ação de marketing.

    O caso não é isolado. Um suposto recibo de um cabaré em Fortaleza, que também cobrava uma “tarifa de Trump” de 50% para clientes americanos, viralizou nas redes sociais. Apesar de não haver confirmação da veracidade do recibo, o episódio reforça como a tensão comercial está se manifestando em ações locais, muitas vezes com tom humorístico, mas que refletem o impacto psicológico das tarifas no Brasil.

    As tarifas de Trump podem custar bilhões de dólares em exportações brasileiras, especialmente em setores como o agronegócio e a indústria siderúrgica. Segundo o banco BTG Pactual, a perda no setor de petróleo seria “modesta” devido à possibilidade de redirecionar exportações para outros mercados, mas produtos como suco de laranja e café sofrerão forte impacto, com aumento de custos para consumidores americanos e perda de competitividade para exportadores brasileiros.

    A CitrusBR, associação do setor de suco de laranja, alertou que a tarifa de 50% é “insustentável” para a cadeia citrícola, que depende dos EUA como segundo maior mercado.

    Além disso, a medida do posto de Copacabana levanta questões sobre o impacto no turismo. O Rio de Janeiro, conhecido por atrair visitantes internacionais, incluindo muitos americanos, pode enfrentar tensões com ações como essa.

    Casos recentes de golpes contra turistas em Copacabana, como o de um ambulante que cobrou US$ 191 por dois milhos ou outro que aplicou um golpe de US$ 600 em um turista jamaicano, já prejudicam a imagem da cidade. A taxa do posto pode ser vista como mais um obstáculo para o setor turístico local.

    Entidades empresariais americanas, como a U.S. Chamber of Commerce e a Amcham Brasil, repudiaram as tarifas de Trump, destacando que mais de 6.500 pequenas empresas nos EUA dependem de produtos brasileiros e que o Brasil é um dos dez principais mercados para exportações americanas.

    A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reforçou que a medida prejudica ambos os lados, estimando a perda de 110 mil empregos no Brasil.

    Especialistas sugerem que o Brasil pode buscar alternativas, como intensificar o comércio com a China, que já absorve o dobro das exportações brasileiras em comparação com os EUA.

    A guerra comercial iniciada por Trump também abre oportunidades para o Brasil ganhar mercado em commodities, como soja e carne, devido à retaliação chinesa contra produtos americanos. No entanto, o saldo geral tende a ser negativo, com riscos de inflação nos EUA e desaceleração econômica global, que podem afetar o Brasil indiretamente.

    A iniciativa do posto de Copacabana, embora pontual, simboliza a insatisfação de parte do setor privado brasileiro com as políticas protecionistas de Trump. A tensão comercial entre Brasil e EUA, agravada pelas tarifas de 50%, reflete um cenário de retaliações mútuas que pode impactar exportações, empregos e o turismo.

    Enquanto o governo brasileiro busca diálogo e possíveis ações na OMC, medidas locais como a taxa do posto mostram como a disputa econômica está reverberando na sociedade, gerando desde protestos simbólicos até memes nas redes sociais.



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