“O Presidente do Brasil disse, em entrevista à comentarista Natuza Nery, da GloboNews, que a Intervenção Federal no Distrito Federal, em lugar da GLO (Garantia da lei e da Ordem) que autoriza o uso das Forças Armadas, foi “a decisão certa“
Em entrevista, nesta quarta-feira (18/1), à comentarista Natuza Nery, da GloboNews, “O Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT)afirmou que foi “decisão certa” aplicar a Intervenção Federal no Distrito Federal, em lugar da GLO (Garantia da lei e da Ordem) que autoriza o uso das Forças Armadas. Para o chefe do Executivo, o ex-presidente Jair Bolsonaro, “possivelmente (…) esperava voltar para o Brasil na glória de um golpe“, após o ataques terroristas às sedes dos Três Poderes, no ‘8 de Janeiro’.
Lula argumentava sobre a entrada dos manifestantes no Palácio do Planalto, após ter sido questionado pela jornalista se ele achava que perderia o controle do País quando percebeu que havia “pouca resistência“. Na data referida, o Presidente, que estava em Araraquara, disse que ligou para o ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Marco Edson Gonçalves Dias, e perguntou: “Ô ministro, onde é que estão os soldados?“.
“Porque eu não via soldados, eu só via gente entrando. Ele dizia que tinha chamado os soldados e esses soldados não apareciam. Eu fui ficando irritado porque não era possível a facilidade com que invadiram o Palácio do Presidente da República. Eles não quebraram pra entrar, eles entraram porque a porta estava aberta. Alguém de dentro do Palácio abriu a porta pra eles. Houve conivência de alguém que estava aqui dentro”, contou Lula.
“Então, eu liguei para o [ministro da Justiça e Segurança Pública] Flávio Dino. Me propuseram fazer uma GLO. Eu falei ‘não vou fazer’. Natuza Nery pergunta se a decisão de fazer a Intervenção Federal em lugar da GLO vinha de algum temor e Lula responde que “vinha de uma experiência que eu vi no Rio de Janeiro. Quando fizeram GLO no Rio de Janeiro, o Pezão, que era o governador, virou Rainha da Inglaterra“, afirmou o Presidente.
“Eu tinha acabado de ser eleito Presidente da República. Não importa se foi com 2 milhões, com 20 milhões ou 1 milhão de votos. O importante é que eu fui eleito Presidente da República desse País e eu não ia abrir mão de cumprir com minhas funções e exercer o poder na sua plenitude“, afirmou.
“Foi por isso que nós decidimos, ao invés de GLO, fazer intervenção na Polícia de Brasília, que tinha sido conivente com o caso“, prosseguiu o Presidente em sua resposta à GloboNews. “Havia uma visão explícita minha, do Flávio Dino, de todas as pessoas, de que havia uma negligência da Polícia Militar de Brasília, que permitiu que as pessoas fizessem o que bem entendessem. Quatro ou cinco mil pessoas invadiram isso aqui, tinha 50 policiais no Senado, que reagiram, tinha quase ninguém dentro da Suprema Corte e quase ninguém dentro do Palácio do Planalto. Então nós resolvemos tomar conta da Polícia fazendo Intervenção, e foi o que deu resultado. Quando a Polícia teve comando e agiu, a gente conseguiu dispersar as pessoas“, disse.
“Eu fiquei com impressão que era o começo de um golpe de Estado. Que o pessoal estava acatando ordens que o Bolsonaro deu durante muito tempo“, quando “mandou invadir a Suprema Corte, desacreditou do Congresso Nacional, pedia que o povo andasse armado… isso [pra ele] era democracia“.
“Eu acho que a decisão dele, de ficar quieto depois de perder a eleição, semanas e semanas sem falar nada, a decisão de não passar a faixa pra mim, ir embora pra Miami [EUA] como se estivesse fugindo, com medo de alguma coisa, e o silêncio dele, mesmo depois do acontecimento aqui [8 de Janeiro], me dava a impressão que ele sabia de tudo o que estava acontecendo, que ele tinha muito a ver com o que estava acontecendo. Obviamente que quem vai provar isso são as investigações, mas a impressão que me deixava era essa“, disse Lula.
“Possivelmente, esse Bolsonaro estivesse esperando voltar para o Brasil na glória de um golpe. Eu então não podia permitir GLO. Eu tinha que tomar decisão política, e tomamos a decisão certa”, afirmou o Presidente.
