“Por que tanto medo da Justiça?”, diz Lula à Globo acusando-a de pautar o STF

30/08/2020 0 Por Redação Urbs Magna
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Texto de Merval dirigido à Corte é ofensivo ao ex-presidente, que lança o questionamento no momento que suas condenações podem ser anuladas, sua inelegibilidade revertida e a história recontada

O colunista do jornal O Globo, Merval Pereira, disse que a defesa de Lula quer o julgamento do habeas corpus que pede a suspeição de Sergio Moro o quanto antes para aproveitar a licença médica de Celso de Mello na Segunda Turma do STF e conseguir anulação das condenações do ex-presidente.

Na ausência do decano, o cenário esperado teria votos favoráveis a Moro vindos de Cármen Lúcia e Edson Fachin bem como votos pela suspeição originados de Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, o que levaria o resultado a um empate em que o réu seria favorecido.

Lula disse que “Merval Pereira esconde que a defesa pede e reitera há dois anos o julgamento da suspeição de Moro“.

Em seu texto, o colunista do Globo faz uma viagem ao citar a narrativa do escritor Deonísio da Silva feita durante palestra “num ciclo sobre Guimarães Rosa da Academia Brasileira de Letras em 2018, sob o título “O julgamento de Zé Bebelo e a Lava-Jato”, sobre o romance “Grande Sertão, Veredas”‘, em que o palestrante “compara Lula a Zé Bebelo e Moro a Joca Ramiro“.

A comparação citada por Merval, feita por Deonísio, exige conhecimento sobre a literatura e sutileza para a interpretação, mas a inclusão desta narrativa no texto do colunista do Globo torna óbvia sua pretenção em conferir notoriedade a Sergio Moro e escorraçar os vestígios de reconhecimento dos grandes feitos de Lula em sua gestão, ainda presentes nas mentes dos que compactuam com esta outra dimensão positiva que o ex-presidente ainda carraga em sua imagem política.

Merval Pereira diz que “julgar o habeas-corpus de Lula sem a Segunda Turma completa (…) seria uma afronta”. E Lula responde dizendo que “afronta é a Globo pautar a Corte e até escolher quem vai julgar“.

Por que tanto medo da Justiça?“, pergunta Lula ao Globo, após dizer que “não é a defesa que marca a hora, é o STF“.

Ao se considerar a ainda existente popularidade de Lula, conferida pelos que admitem sua boa moral como homem público, é no mínimo curioso observar que algumas grandes mídias se desviam de fatos históricos e contribuem para o esquecimento dos avanços sócio-econômicos que são responsáveis pela manuntenção dos índices quase perpétuos de aprovação mantidos pelo ex-presidente.

A exemplo disso, eis a opinião de um professor da área de finanças públicas da (UnB) Universidade de Brasília, Roberto Bocaccio Piscitelli, publicada pelo Agência Brasil no ano do impeachment de Dilma Rousseff, apontando que o maior legado dos governos do PT foi a ascensão de classes, um fato histórico registrado em sites específicos:

Houve uma redução e quase eliminação da pobreza. Do ponto de vista econômico, houve uma emergência de classes, rendas mais altas e melhoria de vida com acesso a bens de consumo”, disse Piscitelli.

Sobre a polêmica da destruição da economia pelo PT, Francisco Luiz Lopreto, professor do Instituto de Economia do Centro de Conjuntura da Unicamp diz, na mesma matéria, que “a crise que levou à queda do PT no poder foi, em grande parte, produzida pela atuação da própria política brasileira“:

A partir da eleição de Dilma para o segundo mandato, há uma turbulência política que alterou completamente e contaminou todos os indicadores [econômicos] e, em grande medida, tem o reflexo da rixa política que se criou na eleição e isso influenciou diretamente todos os índices porque houve uma suspensão [do governo], as expectativas foram contaminadas”, disse Lopreto.

O professor ainda afirmou que o PT introduziu uma nova forma de governo no país, chamada de “desenvolvimentista social”, um contraponto à política neoliberal adotada por FHC nos anos anteriores:

Dentro desse desenvolvimento social a proposta básica é avançar e isso tem uma presença mais forte do Estado. O Estado não está só preocupado com uma presença de desenvolvimento, mas está mais inclusivo. A sociedade mais inclusiva do que foi a grande parte da história econômica do país. Nesse sentido, a grande questão desse desenvolvimentismo social é a melhoria da distribuição de renda”, afirmou Lopreto.

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