Um dos objetivos é identificar líderes políticos que seguem organizando encontros de radicais para criar clima de tensão no campo político
A operação Lesa Pátria, deflagrada nesta sexta-feira (20/1), segue a orientação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva para, a partir de agora, a PF (Polícia Federal) não dar trégua aos golpistas e monitorá-los, identificando os líderes políticos que seguem organizando grupos de bolsonaristas radicais para criar um clima de tensão no campo político, responsabilizando-os pela participação no ‘8 de Janeiro’, informa o blog do Valdo Cruz.
É preciso acabar com essas “ordens que vêm de cima” – a única forma de desmobilizar esses grupos, disse um dos assessores do Presidente do Brasil.
Segundo o texto, a instituição infiltrou agentes entre os presos para se antecipar a qualquer reação do grupo. O relato passado pelos agentes foi que os bolsonaristas estão dispostos a praticar qualquer tipo de ato em nome do ex-presidente da República – e para afastar um suposto “fantasma” do comunismo no Brasil.
Valdo diz ainda que interlocutores de Lula afirmam que os grupos radicais cresceram durante o governo Bolsonaro porque tinham o estímulo do próprio presidente da República de então. Durante o governo anterior, em nenhum momento, a Polícia Federal buscou investigar se alguns deles poderiam praticar atos terroristas, apesar de todas as ameaças feitas nas redes sociais.
Na avaliação do Ministério da Justiça, a PF não agia como uma polícia judiciária no governo Bolsonaro, mas como uma polícia voltada para proteger o presidente da República e seus aliados.
Um grupo dentro da PF, porém, sempre resistiu a esse tipo de condução dos seus trabalhos e acabou sendo escanteado dentro da estrutura da polícia. Agora, esse grupo está no comando da PF e não vai dar trégua para os bolsonaristas radicais.
Entre os alvos da operação Lesa Pátria estão uma intérprete de libras, um ex-funcionário terceirizado do governo e um influenciador que utilizava um canal na internet para estimular a realização de atos antidemocráticos. Veja quem são alguns deles, conforme mostrou o Antagonista:
Ramiro Alves Da Rocha Cruz Junior, conhecido como Ramiro dos Caminhoneiros, é apontado por participantes da invasão como um dos organizadores e incentivadores dos atos golpistas. Ele esteve em Brasília e, após o desmonte do acampamento golpista em frente ao QG do Exército, chegou a visitar detidos no ginásio em que foram mantidos. Filiado ao PL (mesmo partido de Bolsonaro), Ramiro concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados por SP no último pleito, mas não conseguiu se eleger.
Randolfo Antonio Dias participou do acampamento em frente ao QG do Exército em Belo Horizonte. Em grupos de mensagens, ele incitou ações como bloqueio de refinarias e enviou áudios desejando a morte de Lula e Alexandre de Moraes.
Renan da Silva Sena é ex-funcionário terceirizado do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Ele já havia sido preso pela PM do DF por ter soltado fogos de artifício perto do Ministério do Meio Ambiente. Em seu canal do YouTube, o apoiador de Jair Bolsonaro publicou um vídeo dentro do QG do Exército no dia 6 de janeiro, convocando pessoas para uma “grande ação no fim de semana”.
Soraia Bacciotti é intérprete de libras do Mato Grosso do Sul e aparece em fotos nas redes sociais com bolsonaristas, como o filho 03 do ex-presidente, Eduardo (PL–SP), e Capitão Contar (PRTB), que concorreu a governador do Mato Grosso do Sul no ano passado e foi derrotado. Soraia chegou a trabalhar diretamente na campanha de Contar. Dados do TSE apontam que ela atuou como intérprete de libras e recebeu R$ 1,4 mil da campanha do então candidato.
