“Você deveria ter sido preso; é uma vergonha que você ainda tenha mandato; com vocês, o Brasil passou por uma das maiores crises da história sem poder contar com nada que pudesse ser chamado de governo”, disse Celso Rocha Barros ao reagir a outra mentira do deputado – LEIA A ÍNTEGRA
Um estudo do Netlab da UFRJ (Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro), apontou, na semana passada, que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o influenciador digital Pablo Marçal estão entre os principais propagadores de desinformação sobre a tragédia do Rio Grande do Sul. A análise foi feita entre os dias 27 de abril e 10 de maio.
Conforme mostraram vários sites, especialmente os progressistas, como o ‘ICL Notícias‘, o Netlab expôs que o filho do inelegível Jair Bolsonaro (PL) usou as redes sociais para manipular seus seguidores como se estivesse “denunciando” a suposta demora do Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em aprovar o envio da Força Nacional ao Rio Grande do Sul. Eduardo Bolsonaro também criticou a decisão de Lula de ir primeiro à cidade de Santa Maria e não a Porto Alegre logo no início da tragédia. Segundo o extremista de direita, a escolha do presidente teria sido influenciada pelo secretário de comunicação Paulo Pimenta, que é de Santa Maria, mas, no entanto, o município era o mais afetado do estado no dia da visita do estadista, em 2 de maio.
O Netlab também apontou as principais informações falsas disseminadas na internet, como “Lula não está comprometido com as vítimas das enchentes”, “Marina insiste em culpar Bolsonaro por tragédia”, “Starlink é a única internet que está ajudando nos resgates”, “Show da Madonna recebeu recursos que deveriam ir pro RS”. De acordo com o Netlab, também foram identificadas notícias falsas como “Governo está impedindo que doações cheguem às vítimas”, “As chuvas são um castigo de Deus”, “A tragédia foi planejada por globalistas” e “Figuras de direita estão ajudando mais que o governo”.
O Netlab identificou também 381 anúncios enganosos e 51 anúncios com desinformação sobre as enchentes no Rio Grande do Sul nas plataformas da ‘Meta‘. Também foram identificados anúncios fraudulentos que promoviam produtos ou informações enganosas com a intenção de gerar lucro.
Neste sábado (19/5), o sociólogo colunista da ‘Folha de S. Paulo’, Celso Rocha de Barros, lembrou que, “na semana passada”, Eduardo Bolsonaro tuitou: “Imagina o que seria do Brasil e dos brasileiros com Lula presidindo-o na pandemia!”.
Então, Barros resolveu responder ao filho do inelegível: “Já vou imaginar, Eduardo, mas, antes, vamos começar imaginando como seria o desastre no Rio Grande se o golpe de seu pai, denunciado pelos ex-chefes do Exército e da Aeronáutica, tivesse dado certo. Nesse cenário, e só nele, Jair Bolsonaro ainda seria presidente em 2024″.
O texto do sociólogo foi destaque de ontem contra a desinformação disseminada por bolsonaristas. Tanto que o jornalista Guga Noblat compartilhou-o, na íntegra, em sua conta na plataforma social de microblogging ‘X‘.
LEIA A SEQUÊNCIA:
“Quando as enchentes começassem, Jair negaria a existência de enchentes e as chamaria de “chuvazinha”. Em suas lives de quinta, divulgaria teorias da conspiração sobre como a China causou a enchente.
Com base em uma estimativa de Osmar Terra, afirmaria que menos chuvas cairiam no Rio Grande em 2024 do que no ano anterior. Ao lado de Paulo Guedes, declararia que a evacuação das áreas inundadas seria completamente desnecessária e atrapalharia a economia. Jair declararia guerra a Eduardo Leite e Sebastião Melo por tentarem resgatar vítimas da enchente, como fez com Doria e suas vacinas.
Não visitaria os desabrigados, não choraria pelos mortos. Ao invés disso, faria piada imitando um gaúcho se afogando, e, diante da indignação popular, diria: “Querem que eu faça o que? Não sou salva-vidas”. Em cadeia nacional de rádio e TV, Bolsonaro afirmaria que os afogados deviam ter algum problema de saúde preexistente, porque só isso os impediria de vencer a correnteza a nado, o que ele, com seu histórico de atleta, faria com facilidade.
Mais do que tudo, Eduardo, os gaúchos teriam que torcer contra uma segunda semana de chuvas. Na segunda onda da Covid, no primeiro semestre de 2021, o Brasil, com 2,7% da população do mundo, tinha um terço das mortes globais. A equipe de dados do jornal ‘O Estado de S. Paulo ‘mostrou que, se seu pai tivesse aceitado a oferta de vacinas do Instituto Butantã, todos os idosos brasileiros teriam recebido duas doses até o começo de março de 2021.
Nesta ‘Folha’, o epidemiologista Pedro Halal, usando modelos estatísticos padrão e premissas conservadoras, estimou em 95 mil as mortes que teriam sido evitadas entre janeiro e junho se as ofertas do Butantã e da Pfizer tivessem sido aceitas.
Enfim, esse seria o Jair diante da enchente. Quanto à hipotética atuação de Lula durante a pandemia, é ainda mais fácil de imaginar. Lula faria o mesmo que FHC, Temer, Dilma, Alckmin, Ciro, Marina Silva, Sarney, Tebet, Eduardo Leite, Sebastião Melo, ou qualquer adulto que estivesse na presidência: seguiria as recomendações dos cientistas, compraria vacina, cooperaria com os governadores.
Só quem não fez isso foi seu pai, Eduardo. Graças a vocês, o Brasil passou por uma das maiores crises da história contemporânea sem poder contar com nada que pudesse ser chamado de governo.
E é isso que Lula, Leite e Melo estão entregando no Rio Grande agora: governo. Políticas públicas. É o básico do básico, e é o que vocês, bolsonaristas, foram incapazes de fazer durante a pandemia. Por isso perderam a eleição”.
É uma vergonha que você ainda tenha mandato, Eduardo. Você deveria ter sido preso depois do “não é questão de ‘se’, é questão de ‘quando'”. Mas sobretudo, até mais do que pelo golpe, seu pai deveria ser preso pelos vários Maracanãs cheios de brasileiros que vocês deixaram morrer se debatendo por oxigênio”.
