Decano do STF assusta ministros bolsonaristas ao blindar Corte com nova jurisprudência que entrega chave de cassações a Gonet e paralisa ofensiva do Congresso contra o Judiciário
Brasília, 06 de dezembro 2025
Uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), alterou drasticamente o equilíbrio de forças em Brasília, gerando um clima de apreensão inédito na alta cúpula do Judiciário.
Ao determinar, em liminar, que pedidos de impeachment contra magistrados da Corte só podem avançar mediante iniciativa exclusiva da Procuradoria-Geral da República (PGR), o decano provocou uma reação imediata: uma ala específica do tribunal entrou, literalmente, em “pânico”.
Informações divulgadas pela coluna de Malu Gaspar no jornal O Globo revelam que a medida isolou os ministros Luiz Fux, André Mendonça e Kassio Nunes Marques.
O trio, identificado pelo alinhamento a pautas conservadoras ou ao ex-presidente Jair Bolsonaro, teme que a PGR, sob o comando de Paulo Gonet, seja instrumentalizada para perseguir desafetos da maioria “legalista” do tribunal.
O medo da “Super PGR” e as conexões políticas
Segundo a apuração do jornal, a apreensão dessa ala reside no fato de Paulo Gonet ser visto como um aliado próximo de Alexandre de Moraes e do próprio Gilmar Mendes, com quem foi sócio no IDP (instituição de ensino fundada pelo ministro).
Embora interlocutores afirmem que “o espírito de corpo sempre prevalece” e que “nenhum ministro quer impeachment no STF”, o temor é de que a nova regra permita retaliações políticas contra quem divergir do grupo dominante.
A decisão suspende dispositivos da lei de 1950 que permitiam a qualquer cidadão denunciar ministros ao Senado.
Gilmar Mendes argumentou que o “impeachment abusivo cria um ambiente de insegurança jurídica”.
A medida paralisa imediatamente a tramitação de 33 pedidos protocolados apenas este ano, sendo a maioria contra Alexandre de Moraes, mas também cinco contra o próprio Gilmar.
Investigação da PF coloca “Terrivelmente Evangélico” na mira
O advogado Jeffrey Chiquini, defesa de um dos réus ligados à trama golpista, denunciou que a Polícia Federal (PF) investigou André Mendonça — conhecido como o “terrivelmente evangélico”, segundo o jornalista Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, que trouxe um elemento exclusivo que aprofunda o nervosismo no gabinete do ministro.
A investigação teria origem em mensagens encontradas no celular de Jair Bolsonaro. Segundo o relato, Eduardo Bolsonaro e o pai discutiam uma manobra para tirar a relatoria de processos das mãos de Alexandre de Moraes.
O plano envolvia garantir que um pedido de anulação caísse com Mendonça durante o recesso do STF. Uma mensagem de Eduardo celebrava: “está nas mãos do Mendonça”.
Para Chiquini, o indiciamento da família Bolsonaro menciona que a PF apurou a conduta de Mendonça, o que gera o temor de que, com os superpoderes concedidos à PGR, ele possa ser o primeiro alvo interno.
O fim da ofensiva parlamentar
A manobra de Gilmar Mendes também é uma resposta direta às pressões do Senado. Guimarães destaca em seu Blog da Cidadania que a decisão dinamita a estratégia da extrema-direita de eleger uma maioria de senadores em 2026 com o objetivo explícito de derrubar ministros do STF.
O próprio Paulo Gonet já havia se manifestado favoravelmente à tese em outubro. Em parecer, o Procurador-Geral argumentou que permitir que qualquer cidadão peça a cabeça de um ministro é um “desvirtuamento da finalidade republicana”.
Gonet defende que, diferentemente do Presidente da República, que deve satisfação ao eleitorado, o juiz constitucional deve ter tranquilidade para decidir, muitas vezes, “contrário ao que quer e pensa a maioria da população”.
Enquanto a maioria do STF (sete ministros) apoia a blindagem contra o que consideram ataques políticos, os três ministros dissidentes veem no fortalecimento da PGR uma ameaça existencial aos seus mandatos.
Como resumiu a fonte do Blog da Cidadania, a Corte vive hoje uma temperatura política efervescente, com um choque de poderes e desconfianças internas “que há bastante tempo não se via”.

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