O julgamento entra no rumo final, após a entrega das alegações finais pelo ex-presidente e o círculo de réus, com a expectativa do plenário do STF
Brasília, 14 de agosto de 2025
As defesas do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete réus do chamado “núcleo 1” da trama golpista entregaram as alegações finais ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A medida representa a última manifestação formal dos acusados antes do tão aguardado julgamento, que definirá o futuro de figuras-chave do governo anterior e de militares de alta patente.
O processo, conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, entra agora em uma fase de análise final, onde se espera a marcação do julgamento no plenário da Primeira Turma.
Os réus enfrentam acusações graves, como tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e participação em organização criminosa armada.
As Alegações das Defesas
As manifestações das defesas, apresentadas em documentos extensos, buscaram a absolvição dos réus.
A defesa de Jair Bolsonaro negou veementemente qualquer participação na tentativa de golpe, afirmando que “em momento algum Jair Bolsonaro praticou qualquer conduta que tivesse por finalidade impedir ou dificultar a posse do então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva“.
Os advogados também questionam a validade da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, classificando-a como “manipulada desde o seu primeiro depoimento”.
Outros réus também apresentaram suas argumentações. A defesa do general Walter Braga Netto, por exemplo, alegou “nulidades no processo” e a “suspeição do relator, ministro Alexandre de Moraes“, solicitando sua absolvição.
O ex-ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, e o general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), também negaram as acusações e pediram que sejam absolvidos.
O Papel da Procuradoria e os Próximos Passos
Conforme a Procuradoria-Geral da República (PGR), Jair Bolsonaro foi o “principal articulador, maior beneficiário e autor dos mais graves atos executórios voltados à ruptura do Estado Democrático de Direito”.
A PGR e a defesa de Mauro Cid, que firmou o acordo de colaboração, já haviam apresentado suas manifestações.
A próxima etapa é a liberação do caso para julgamento, que, segundo a expectativa dos bastidores, pode ocorrer em setembro.
A decisão final dependerá dos votos da maioria dos ministros da Primeira Turma, que decidirão entre a condenação ou a absolvição dos acusados.








