Estratégia ousada visa unir forças para criar competitividade nas eleições presidenciais do ano que vem, visando conquistar eleitores de centro-direita e esquerda nacionalista
Brasília, 21 de agosto de 2025
Uma articulação política de peso está em curso nos bastidores da política brasileira. Ala do Centrão, bloco de partidos de centro e centro-direita, defende a formação de uma chapa presidencial para as eleições de 2026 com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como candidato à Presidência, e o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT), como vice.
A proposta, descrita como “uma mistura de centro-direita com esquerda nacionalista” por apoiadores, busca criar uma aliança ampla e competitiva capaz de enfrentar o PT e o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que lidera pesquisas de intenção de voto.
A estratégia do Centrão visa capitalizar a popularidade de Tarcísio de Freitas, conforme revelado pelo Blog da Andréia Sadi no g1, considerado um nome forte da direita após sua gestão em São Paulo e sua associação com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), embora ele tenha se declarado leal ao ex-mandatário e relutante em concorrer contra ele.
Por outro lado, Ciro Gomes, conhecido por sua postura crítica tanto ao PT quanto ao bolsonarismo, traria um apelo junto a eleitores de centro-esquerda e setores nacionalistas, ampliando o espectro da chapa.
Segundo fontes do Centrão, a combinação “ganharia fácil do sucessor do Lula, no 1º turno ainda”. No entanto, a proposta enfrenta desafios. Tarcísio já afirmou publicamente que “jamais” disputaria a Presidência contra Bolsonaro, destacando sua lealdade ao ex-presidente que “lhe abriu todas as portas”.
Além disso, aliados de Bolsonaro, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e setores da direita radical rejeitam qualquer nome que não seja do círculo familiar do ex-presidente, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, cotada para o Senado ou até para a Presidência.
Outra resistência vem de Gilberto Kassab, presidente do PSD e conselheiro próximo de Tarcísio, que defende a reeleição do governador em São Paulo para consolidar sua gestão antes de alçar voos nacionais.
Kassab, no entanto, reconheceu recentemente que Tarcísio poderia ser um candidato único da centro-direita em 2026, caso haja um “cenário favorável e amplo apoio político”.
Pesquisas recentes reforçam a competitividade de Tarcísio. Um levantamento da Quaest aponta Lula com 37% das intenções de voto no primeiro turno contra 21% de Tarcísio, mas no segundo turno os dois aparecem empatados tecnicamente (43% a 42%).
A inclusão de Ciro Gomes como vice poderia atrair eleitores descontentes com o PT e com o bolsonarismo, fortalecendo a chapa.
Por outro lado, a articulação do Centrão também reflete a incerteza sobre a situação jurídica de Bolsonaro, inelegível até 2030 devido a condenações no TSE.
Líderes do bloco, como o presidente do PP, Ciro Nogueira, defendem que qualquer candidato da direita em 2026 se comprometa a anistiar Bolsonaro, o que poderia complicar a aceitação de Ciro Gomes na chapa, dado seu histórico de críticas ao ex-presidente.
A proposta de unir Tarcísio e Ciro já gera debate nas redes sociais, onde usuários bolsonaristas expressam desconfiança, afirmando que “nosso candidato ainda é o Jair ou quem ele recomendar”, indicando resistência à articulação do Centrão.
Enquanto isso, o PT monitora a movimentação, com estrategistas destacando que a fragmentação da direita favorece Lula em 2026.







