Harry Dunn (direita) e Daniel Hodges (esquerda), dois membros da Força Policial do Capitólio, estão processando Trump por causa do seu novo fundo / Imagem reprodução / @couriernewsroom / Instagram | Ao fundo, policiais tentam conter apoiadores de Trump que se dirigiam ao Capitólio, em cena antes da invasão do prédio do Congresso americano em janeiro de 2021 / Foto: Olivier Douliery / AFP
| Washington (US)
20 de maio de 2026, 21h40
PT aciona TSE contra “Dark Horse” com base em R$ 61 mi do Banco Master (Daniel Vorcaro) intermediados por Flávio Bolsonaro. Ação pede suspensão até eleições, cita caixa 2, lavagem de dinheiro e precedente de 2022. Flávio admitiu ter mentido sobre relação com o banqueiro.
Dois policiais que se tornaram símbolos da defesa da democracia americana no ataque de 6 de janeiro de 2021 abriram uma batalha judicial para impedir que o governo do presidente Donald Trump use US$ 1,8 bilhão (cerca de R$ 10 bilhões) dos contribuintes para pagar os próprios invasores do Capitólio dos Estados Unidos.
A ação, protocolada na quarta-feira (20/mai) no tribunal federal de Washington D.C., classifica o chamado “Fundo Anti-Weaponization” como um “esquema de propina” e uma “farsa corrupta” para financiar grupos paramilitares.
A ação judicial movida pelos agentes Harry Dunn (ex-Polícia do Capitólio) e Daniel Hodges (Departamento de Polícia Metropolitana) ataca o ponto central de uma das promessas de campanha mais controversas de Trump: a de indenizar seus aliados presos ou investigados.
Os autores da ação argumentam que a existência do fundo “incentiva aqueles que cometeram violência em nome do presidente a continuar fazendo isso”, conforme trecho da petição obtido pelo Bloomberg Law.
A origem do bilhão de dólares em disputa
O fundo bilionário foi criado nos bastidores de um acordo para encerrar um processo de US$ 10 bilhões que o próprio Donald Trump, seus filhos e a Trump Organization moveram contra o Internal Revenue Service (IRS).
A ação alegava danos pela violação de dados fiscais do presidente por um ex-funcionário terceirizado. O acordo, no entanto, não exige que Trump abra mão de sua acusação em uma decisão judicial válida.
Em vez disso, a gestão Trump usou o chamado Judgment Fund, um fundo do Tesouro dos EUA destinado a pagar acordos judiciais, para criar este novo mecanismo de compensação.
De acordo com o USA Today, a ação dos policiais alega que o governo “excedeu sua autoridade legal ao criar o fundo sem a autorização do Congresso”.
“O propósito do Fundo Anti-Weaponization é óbvio: fornecer aos participantes do 6 de janeiro, incluindo os Proud Boys, a remuneração que eles, o presidente e os aliados do presidente concordam que lhes é devida”, afirmam os advogados na ação citada pela NBC Washington.
Reações contra e a favor: O divisor de águas político
A repercussão nos Estados Unidos foi imediata e polarizada. Do lado contra a medida, a ação dos policiais foi recebida com entusiasmo por setores progressistas e por defensores da transparência e da justiça.
Críticas contundentes:
O ex-procurador federal Brendan Ballou, que representa Dunn e Hodges, afirmou em comunicado citado pela agência Anadolu Ajansı que, se o fundo for permitido, “financiará insurrecionistas, milícias e paramilitares leais ao presidente, mas não responsáveis perante o estado de direito”.
O advogado chama o mecanismo de “esquema de propina financiado pelo contribuinte”.
Onda conservadora:
Em um movimento significativo, a editoria de opinião do conservador The Wall Street Journal, veículo de Rupert Murdoch, classificou o negócio como “podre” (rotten) e alertou que ele se tornará um “reel de destaques de pagamentos do governo Trump a amigos e aliados de Trump”, criticando a falta de supervisão judicial comparado a acordos de governos anteriores.
Do lado a favor da medida, a justificativa do governo é que o fundo serve para reparar vítimas de uma suposta “caça às bruxas” conduzida por democratas.
Defesa do governo:
O procurador-geral interino, Todd Blanche, um ex-advogado pessoal de Trump, defendeu o fundo em audiência no Senado na terça-feira (19/mai).
Segundo o Los Angeles Times, Blanche disse que “qualquer um neste país pode solicitar se acredita ser vítima de weaponization [armamentização]”, mas insistiu que isso não significa que os invasores do 6 de janeiro receberão o dinheiro automaticamente.
Omissão estratégica:
No entanto, a reportagem do Associated Press via Sun Sentinel destaca que Blanche se recusou a descartar a possibilidade de que condenados por agredir policiais no Capitólio sejam elegíveis para receber os recursos.
Essa recusa alimenta a tese dos policiais de que o fundo é um prêmio para aqueles que o presidente chama de “reféns”.
As apostas para o futuro
A ação judicial movida por Harry Dunn (que agora concorre a uma vaga na Câmara dos Representantes pelo Maryland) e Daniel Hodges não é apenas uma disputa por dinheiro. É um teste crucial para os limites do poder executivo e a separação dos poderes nos EUA.
Os policiais argumentam que o fundo viola a Constituição ao criar uma nova estrutura de compensação sem a aprovação do Congresso, e que o governo está assumindo uma “dívida incorrida em auxílio à insurreição”, o que é proibido pela Lei Fundamental.
Se a juíza Kathleen Williams — que já expressou dúvidas sobre a legalidade de Trump processar órgãos que ele próprio supervisiona — ou outro magistrado decidir pelo bloqueio, será um duro revés político para a Casa Branca.
Se o fundo for mantido, criará um perigoso precedente para que futuros presidentes possam usar o dinheiro público para recompensar aliados políticos de maneira opaca, longe dos holofotes da justiça e da imprensa.
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
FAQ – Rápido
1. O que é o “Fundo Anti-Weaponization” criado pelo governo Trump?
É um fundo de US$ 1,8 bilhão (cerca de R$ 10 bilhões) financiado com dinheiro público, criado a partir de um acordo judicial que encerrou um processo de US$ 10 bilhões movido por Donald Trump contra o IRS (a Receita Federal americana). Na prática, o mecanismo foi desenhado para pagar indenizações a pessoas que se declarem vítimas de uma suposta “caça às bruxas” conduzida pelo governo anterior, incluindo os invasores do Capitólio em 6 de janeiro de 2021.
2. Por que os policiais Harry Dunn e Daniel Hodges estão processando o governo?
Os dois agentes, que defenderam o Capitólio durante o ataque, argumentam que o fundo é um “esquema de propina” e uma “farsa corrupta” que viola a Constituição dos EUA. Eles alegam que o dinheiro será usado para financiar “insurrecionistas, milícias e grupos paramilitares” que atacaram a democracia americana, além de ter sido criado sem a aprovação do Congresso, o que seria ilegal.
3. O que pode acontecer se a justiça americana bloquear o fundo?
Se a juíza Kathleen Williams ou outro magistrado decidir a favor dos policiais, o Tesouro dos EUA fica proibido de repassar qualquer verba do fundo. Isso representaria uma derrota política significativa para Trump e impediria o pagamento a condenados pelo ataque de 6 de janeiro. Caso contrário, se o fundo for mantido, cria-se um precedente perigoso para que futuros presidentes possam usar dinheiro público para recompensar aliados políticos de forma opaca.
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
SIGA NAS REDES SOCIAIS

![]()
Compartilhe via botões abaixo:
