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Polícia Federal indicia mais 3 militares no inquérito sobre tentativa de golpe de Estado envolvendo Bolsonaro

    Bolsonaro no Dia do Soldado 23/08/2019 | Sergio Lima/PODER 360

    Um dos fardados é suplente da senadora Teresa Cristina (PL-MS). Sobe para 40 o total da lista da instituição policial em que também figura o ex-presidente – Saiba quem são

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    PF (Polícia Federal) indiciou nesta quarta-feira (11/12) mais três militares no inquérito que investiga um plano para dar um golpe de Estado com o objetivo de perpetuar o ex-presidente inelegível até 2030 Jair Bolsonaro (PL).

    Os novos indiciados, todos militares, são Aparecido Andrade Portella (suplente da senadora Teresa Cristina (PL-MS), que foi ministra da Agricultura durante o falido governo passado); Reginaldo Vieira de Abreu e Rodrigo Bezerra de Azevedo, informa o g1.

    Há três semanas, a Polícia Federal indiciou 37 pessoas, incluindo Bolsonaro e o general Braga Netto. Os novos indiciamentos serão analisados pela PGR (Procuradoria-Geral da República), representada pelo procurador Paulo Gonet, que deve apresentar denúncias ao STF (Supremo Tribunal Federal) em fevereiro.

    Aparecido Andrade Portela é apontado como um dos intermediários entre o governo derrotado e financiadores das manifestações antidemocráticas. Ele visitou Bolsonaro no Palácio da Alvorada ao menos 13 vezes em dezembro de 2022. O militar serviu o Exército com o ex-presidente, em Nioaque (MS), nos anos 1970.

    A PF diz que Portela utilizava o codinome “churrasco” em mensagens trocadas com Mauro Cid para se referir ao golpe de Estado. Ele mencionou que financiadores estavam cobrando a execução da “ruptura institucional” após contribuírem com recursos, referindo-se a esses valores como “colaboração da carne”.

    Além de arrecadar fundos, Portela sugeria estratégias de atuação para o movimento golpista e demonstrava preocupação em não ser identificado como organizador dos atos criminosos de 8 de janeiro de 2023. Mensagens enviadas a Mauro Cid incluem prints de publicações pedindo informações sobre golpistas, o que evidencia seu receio.

    Ao ser ouvido pela PF, Portela exerceu o direito ao silêncio. No entanto, os investigadores destacam que suas mensagens e visitas frequentes ao Palácio da Alvorada indicam sua participação ativa na organização dos atos golpistas.

    Quanto ao militar Reginaldo Vieira de Abreu, ele é coronel do Exército e chefe de gabinete do então secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência, Mário Fernandes, é acusado de disseminar desinformação sobre o sistema eleitoral. Ele chegou a levar um hacker à sede da PF em Brasília para tentar formalizar denúncias falsas contra as urnas eletrônicas.

    A investigação aponta que Vieira manipulou relatórios das Forças Armadas para alinhá-los com as informações falsas divulgadas pelo argentino Fernando Cerimedo. Ele usava o termo “rataria” para referir-se aos participantes das reuniões clandestinas e defendia que o relatório fosse “no mínimo, alinhado” com as mentiras divulgadas.

    Vieira também teria repassado informações sobre o deslocamento do ministro Gilmar Mendes em novembro de 2022, período em que foi elaborada a minuta do golpe que previa a prisão do ministro. Ele estava no mesmo voo que Mendes e compartilhou uma foto dele no aeroporto com outros investigados.

    A PF identificou que Vieira imprimiu um documento intitulado “Gabinete de Crise” no Palácio do Planalto, que seria utilizado para assessorar Bolsonaro após a concretização do golpe. Como Portela, Vieira optou por permanecer em silêncio durante seu depoimento.

    O terceiro é Rodrigo Bezerra de Azevedo, major do Exército e integrante do Comando de Operações Especiais (Copesp), é acusado de integrar o núcleo operacional do plano de assassinato do ministro Alexandre de Moraes. O codinome “Brasil” foi associado a um número de telefone que ele utilizava para ações clandestinas.

    A análise de dados telefônicos revelou que aparelhos vinculados ao codinome “Brasil” estavam próximos à residência de Azevedo em Goiânia após a data da tentativa de assassinato, evidenciando sua conexão com a operação criminosa. Ele admitiu ter utilizado celulares e chips anonimizados, prática comum em missões sensíveis do Exército.

    A PF encontrou ligações feitas por Azevedo para contas bancárias abertas fraudulentamente em nome de terceiros. Um desses números estava cadastrado no aplicativo Signal no celular do general Mário Fernandes, evidenciando vínculos com outros integrantes da organização criminosa.

    Azevedo alega que o celular usado na ação foi encontrado em uma sala do Copesp e que ele o utilizou sem saber de seu envolvimento anterior. Ele afirmou que o dispositivo quebrou em 2023 e foi descartado, mas a PF considera que as evidências demonstram seu envolvimento direto no plano golpista.

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