O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que o partido mudou seu entendimento e decidiu apoiar a Proposta de Emenda à Constituição que prevê a escala 4×3, com quatro dias de trabalho e três de descanso / Imagem reprodução / TV Câmara [Digital remaster upscaling photo]
| Brasília (DF)
27 de maio de 2026
A bancada do Partido Liberal na Câmara dos Deputados anunciou na terça-feira (26/mai) que passará a defender o fim da escala 6x1 e apresentará destaque de preferência para votar o texto da deputada Érika Hilton (PSOL-SP), que institui a escala 4x3 com jornada máxima de 36 horas semanais sem redução salarial.
A decisão representa reviravolta completa na posição histórica do partido, que até então se posicionava contra qualquer alteração que reduzisse a jornada atual.
O líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), fez o anúncio no Plenário após reunião interna da bancada.
“Na hora da votação em plenário, apresentaremos destaque de preferência para votar a escala 4 por 3, porque nós somos a favor de o trabalhador trabalhar menos, ficar em casa, descansar com a sua família”, declarou o parlamentar.
A manobra tem objetivo claro: pressionar o governo Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que costuraram acordo em torno de texto mais moderado com escala 5x2 e 40 horas semanais.
Ao elevar a aposta para a proposta mais ambiciosa de Érika Hilton, o PL força o PT e aliados a escolherem entre apoiar medida radical ou serem acusados de hipocrisia.
Fontes próximas à oposição admitem que a estratégia busca constranger o governo. Se o PT votar contra o 4x3, perde narrativa de defesa do trabalhador.
Se votar a favor, o PL — partido que historicamente representa o empresariado — carrega o crédito de ter aprovado a reforma trabalhista mais avançada em décadas.
A foi descrita por outras fontes alinhadas ao governo como “farsa” destinada a tumultuar a tramitação.
A PEC 8/2025, de autoria de Érika Hilton, tramita desde fevereiro de 2025 e prevê jornada de quatro dias de trabalho e três de descanso, com limite de 36 horas semanais.
O texto altera o inciso XIII do artigo 7º da Constituição Federal e exige 308 votos em dois turnos na Câmara e 49 no Senado para aprovação.
Diferente de projeto de lei comum, a PEC não admite veto presidencial.
Caso aprovada, a mudança impactará diretamente setores que operam sete dias por semana, como supermercados, farmácias, bares, restaurantes e hotéis.
Empresas teriam de contratar mais funcionários para cobrir folgas, elevando custo da mão de obra e, potencialmente, preços ao consumidor.
A deputada Érika Hilton já reconheceu em entrevistas que a escala 4x3 era “gordura para negociar”, mas a manobra do PL pode transformar o blefe em realidade.
O acordo anterior entre Hugo Motta e o Planalto previa transição gradual para 40 horas semanais e escala 5x2, com implementação em etapas ao longo de até 12 meses.
Esse texto, mais palatável para o empresariado, seria atropelado pelo destaque do PL. O jornal O Globo registrou alerta no governo de que a votação pode virar caos regimental.
A reviravolta do PL ocorre às vésperas da votação em Plenário, após meses de resistência da oposição.
Até abril de 2026, o partido assinava emendas que pediam até 52 horas semanais e transição de dez anos.
A súbita defesa da proposta mais generosa ao trabalhador revela cálculo político que prioriza desgaste do governo sobre coerência ideológica.
O episódio expõe fragilidades da democracia representativa brasileira: partidos usam instrumentos regimentais não para avançar direitos, mas para criar armadilhas narrativas.
A escala 4x3 representa avanço inédito em direitos trabalhistas, mas o contexto de sua possível aprovação — união de extremos ideológicos — levanta questionamentos sobre sinceridade das posições.
Especialistas em relações trabalhistas lembram que o Brasil seria o primeiro país em desenvolvimento a adotar constitucionalmente semana de quatro dias, seguindo experiências de nações de alta renda como Islândia e Reino Unido.
No entanto, sem contrapartidas fiscais ou isenções defendidas pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, o custo recairia sobre empresas e, indiretamente, sobre consumidores.
A deputada Érika Hilton celebrou o movimento do PL como vitória da pressão popular, mas evitou comentar a motivação oposicionista.
Em live recente, ela reforçou que o foco permanece na conquista histórica para a classe trabalhadora.
O SBT News destacou a mudança como “desafio à esquerda”.
O trâmite regimental ainda exige aprovação na comissão especial antes de chegar ao Plenário.
Se o destaque prosperar, o texto de 36 horas semanais substitui o acordo de 40 horas. Caso contrário, volta-se à versão negociada por Hugo Motta. O Senado representaria etapa adicional de debates e dois turnos de votação.
Érika Hilton protocolou a PEC em fevereiro de 2025 com apoio inicial de 192 deputados. Desde então, o tema ganhou tração popular nas redes e mobilizações sindicais.
Setores econômicos manifestam preocupação com inflação de serviços. Supermercados e varejo já estudam modelos de contratação em massa para manter funcionamento contínuo.
Sem incentivos fiscais imediatos, repasse de custos aos preços finais torna-se inevitável.
A escala 4x3 também dialoga com debates globais sobre redução da jornada. Países como Islândia testaram modelo similar com resultados positivos em produtividade e bem-estar.
No Brasil, a discussão ganha contornos eleitorais, especialmente com Lula posicionando o tema como prioridade para 2026.
Hugo Motta ainda não se manifestou oficialmente sobre o destaque do PL.
Nos bastidores, assessores do presidente da Câmara indicam que ele tentará manter o acordo original para evitar tumulto.
O Eixo Político informou que o Planalto já trabalha com cenário de risco elevado.
A eventual aprovação unindo PL, PT, PSOL e aliados criaria paradoxo inédito na política brasileira: oposição bolsonarista e esquerda petista convergindo em matéria de justiça social.
Tal aliança, ainda que tática, poderia redefinir narrativas eleitorais para os próximos anos.
O Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que inspirou a PEC de Érika Hilton, vê no movimento do PL oportunidade de acelerar conquista histórica.
Para o trabalhador brasileiro, a diferença entre 5x2 e 4x3 significa um dia extra de descanso semanal, impacto direto na qualidade de vida.
Fontes próximas à Câmara indicam que Hugo Motta deve se pronunciar nas próximas horas sobre o destaque apresentado pelo PL.
Detalhes adicionais sobre possível obstrução ou acordo de última hora serão publicados assim que confirmados
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FAQ Rápido 1.
O que muda se a escala 4x3 for aprovada?
Jornada cai para 36 horas semanais com quatro dias de trabalho e três de descanso, sem corte salarial, afetando setores de atendimento contínuo.
Por que o PL mudou de posição de repente?
Fontes indicam estratégia para forçar o governo a votar contra proposta mais benéfica ao trabalhador ou assumir paternidade de medida radical.
A proposta ainda pode ser barrada?
Sim. Depende de 308 votos em dois turnos na Câmara e aprovação posterior no Senado. O presidente da Casa pode influenciar o rito.
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A direita comete traição perversa ao empresariado brasileiro, que eles da direita deveriam apoiar e proteger.
PL, partido dos larápios, querendo surfar na proposta da esquerda e levar os créditos. Quem tem um pouco de juízo, sabe que o objetivo é afrontar o governo e não realmente pensar na qualidade de vida do trabalhador. Manobra perigosa.
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